Desde el Portugal y España del siglo XIX llega la secuela del clásico vaquero del Alentejo: The Tinto & The Ugly.

Após o Alentejo: Tinto’s Law ter tomado de assalto a cena de videojogos portugueses com a escolha original de ser um jogo 100% português para o GameBoy para um grande sucesso (e com a respetiva análise ao Alentejo: Tinto’s Law aqui), Gildo e companhia estão de volta com a sequela Alentejo: The Tinto & The Ugly, que é sem dúvida o primeiro jogo português com sequela para GameBoy.

Para recordar, o Alentejo é desenvolvido pelo Loading Studios e passa-se no Alentejo em pleno século XIX, e é uma sátira inspirada da clássica e lendária série dos anos 80 da RTP Alentejo Sem Lei. Gildo Mata, um “vaqueiro” muito infame, chega a uma aldeia tipicamente alentejana e dá de caras com a corrupção e tráfico de vinho tinto da região, e, perante isso, decide começar um plano de reunir um gangue para deitar o tirano local, Barão Tinto, abaixo e acabar com o monopólio do vinho tinto.

No Alentejo: The Tinto & The Ugly, Gildo, Dolores e Pepe continuam com o seu plano de acabar com a tirania do Barão Tinto, e sem lançar qualquer tipo de spoilers, a aventura vai acabar por levar o gangue até Espanha pela primeira vez, com mais imprevistos e complicações no plano de Gildo.

Sobre a história do jogo, pessoalmente adorei cada momento e a história continua a melhorar. Conta, como já mencionei mais acima e mais uma vez sem spoilers, com situações inesperadas que mudam por completo a história para melhor e está bem estruturada e bem escrita com um toque de alentejano e espanhol. Vou continuar a dizer que um dos pontos fortes é o humor e a sátira, e se no Tinto’s Law o humor estava bem bom, no Alentejo: The Tinto & The Ugly parece que está patamares acima.

O humor está espalhado do início ao fim do jogo e não há um momento sequer em que a pessoa não se parta a rir. Posso ser suspeito, mas no The Tinto & The Ugly perdi a conta de vezes que me parti a rir bem alto, ainda mais que no Tinto’s Law, principalmente com as «alfinetadas» sobre o futebol.

Alentejo: The Tinto & The Ugly, tal como o Tinto’s Law, é um Western Pixel Art ao estilo dos clássicos jogos de GameBoy, e nesta vez a sequela traz várias e boas novidades.

Para começar, o jogo agora está dividido entre a exploração e as partes de ação como no Tinto’s Law e como novidades os segmentos de perseguição, de Shootouts e de Rail Shooting.

Os controlos mantêm-se inalterados em comparação com o Tinto’s Law. A exploração continua a ser o ponto principal da jogabilidade. Na exploração permite, mais uma vez, explorar os sítios e ir aos pontos dos objetivos, além de poder interagir com os habitantes da aldeia e não só.

Como novidades temos dois mapas bem detalhados (e não vou revelar qual é o segundo mapa), um botão no menu de pausa que permite ver qual é o nosso objetivo atual, uma “cara” completamente nova do menu da pausa e mais duas coisas novas que passo a explicar:

A primeira é que agora já é possível gravar o jogo durante a exploração. Para gravar o jogo, basta usar as fogueiras que estão normalmente localizadas perto de zonas onde vão ter um segmento de ação ou de puzzle. Isto foi uma das críticas que tinha apontado na análise ao Tinto’s Law e é uma das coisas que foi corrigida e só tenho que elogiar isso.

O eterno problema dos botões

A segunda é a introdução de sidequests e o sistema de reputação. Graças à infâmia e feitos do Gildo, no The Tinto & The Ugly os habitantes pedem ajuda ao Gildo para resolver problemas em forma de sidequests. Estas sidequests são coisas simples de encontrar e/ou obter itens espalhados pelos mapas e dar/devolver ao respetivo dono. Ao resolver essas sidequests (e também eliminar mauzões nos Shootouts) fazem subir a reputação de Gildo, sendo importante para a progressão da história, porque sem reputação suficiente, a história não avança.

De mencionar que também existem segredos por descobrir e na parte da exploração alguns puzzles estão bem desafiantes e gastei um bom tempo a resolvê-los. Sinto que nesta vez as melhorias para o revólver estão mais acessíveis e são pertinentes para algumas partes da história, e tal como no Tinto’s Law, se cometermos um erro num dos puzzles, basta usar o botão de reiniciar o puzzle e respirar de alívio. No geral, não tenho nada a apontar sobre a exploração e elogio as melhorias feitas nesse aspeto.

Nos segmentos de ação tenho mesmo que abordar o assunto (que me chateou mais) das “balas mágicas” do Tinto’s Law. Nessa análise mencionei o quão frustrante era em boa parte das situações de levarmos com balas que vinham com o GPS sempre ligado. Felizmente, esse problema foi corrigido e melhorado no The Tinto & The Ugly. Para começar, a trajetória das balas dos mauzões foi corrigida e já comporta como deveria comportar.

Agora as balas são disparadas e podem ser paradas quando batem nos obstáculos, e, o mais importante, dá uma oportunidade real de conseguirmos desviar delas. Consegui chegar ao ponto de estudar o comportamento dos mauzões e perceber quando ia disparar para poder desviar. Agora é tudo uma questão de paciência e saber quando dispara para se desviar da bala e disparar para acertar de volta em vez de ser uma questão de rapidez no gatilho como no Tinto’s Law. Só com esse problema resolvido dou bastantes pontos ao Loading Studios.

Nos segmentos de perseguição usamos o nosso cavalinho. O objetivo é simples: desviar dos obstáculos até chegarmos ao destino. Os controlos são bastante simples, seta para a direita para começar o minijogo, A para saltar e B para agachar. O andamento é automático e não tem forma de acelerar ou desacelerar, a velocidade é constante e só temos que nos preocupar em desviar dos obstáculos.

Anda cavalinho

Confesso que já estava bastante enferrujado neste tipo de minijogos num GameBoy. Ainda levei um bom tempo a treinar e adaptar, e mesmo assim às vezes continuava a falhar miseravelmente dos timings e perdia vidas ao bater dos obstáculos. Se perdermos todas as vidas, reiniciamos o segmento todo e digo que pode ser um bom desafio para quem não tem reflexos rápidos ou apurados.

Os Shootouts é outra das novidades. Confesso que este é um dos segmentos mais originais do jogo e faz aumentar muito a experiência do Faroeste alentejano. Durante a exploração, há vários mauzões que aparecem em sítios fixos, e se interagirmos com eles, iniciamos um Shootout. Este é o tipo de segmento mais fácil e mais simples do jogo: é só esperar que o mauzão saque da arma e disparar para vencermos o Shootout. Mais uma vez, se falharmos repetimos o segmento todo de novo.

MATARAM-ME! OUTRA VEZ!

É simples e divertido, mas infelizmente as falas antes de começar o Shootout são poucas e tendem a repetir muito as mesmas falas, mas não prejudica a experiência do segmento.

A ultima novidade é o segmento de Rail Shooter. Só existe um em todo o jogo, e eu sendo um grande fã deste tipo de jogos, diverti-me imenso. A jogabilidade é simples: setas para apontar para os mauzões que aparecem e B para disparar. O segmento está partido em várias partes e pode-se dizer que o cenário de cada parte é largo o suficiente, o que permite desviarmos dos tiros e apontar aos mauzões.

No geral, as novas mecânicas e melhorias da jogabilidade deram um lufada de ar fresco do que toca ao ambiente do jogo. Sinto que o jogo simplesmente evoluiu bastante e ficou melhor com os problemas que mencionei corrigidos e só tenho que elogiar toda a equipa do Loading Studios.

A banda sonora está encarregue a Rui Rodrigues e nesta vez pode-se dizer que foi uma grande evolução em comparação com o Tinto’s Law. Para começar temos um tema de abertura (que está bem fixe por sinal) e o jogo conta agora com mais músicas num total de 11 músicas.

Algumas das músicas ficaram-me no meu ouvido e foram uma alegria para os meus ouvidos voltar a ouvir os clássicos 8 bits. Outra novidade foi a inclusão de efeitos sonoros como tiros ou os sinais das falas. Isto esteve completamente ausente no Tinto’s Law, mas foi introduzido no The Tinto & The Ugly e melhora exponencialmente a experiência e imersão da «cowboyada» alentejana.

Em resumo, Alentejo: The Tinto & The Ugly teve a sua evolução natural. As novidades foram bem recebidas, diversidade dos segmentos do jogo, o humor e a história continuam no ponto e estúdio está de parabéns pela forma como incluíram coisas novas sem desestabilizar o design do jogo.

YYEEEHHAAWW!!

Mais uma vez agradecimento à Loading Studio por ter dado gentilmente a oportunidade de poder analisar o jogo.

Alentejo: The Tinto & The Ugly disponível dia 25 de Outubro de 2025 com pré-encomendas disponíveis em versão física e digital para as consolas GameBoy (Gameboy, GameBoy Color e GameBoy Advance) e PC em versão digital.

CONCLUSÃO
iArriba comprade!
7
Hugo Campos
Tendo o Mortal Kombat II como o 1º jogo que jogou desde os 5 anos, teve todos os PCs até ao Pentium 3 e mudou para as consolas quando consegiu ter dinheiro. Grande viciado de jogos de corridas, luta, RPGs e musicais, tem uma grande de coleção de jogos de ps2 até ao 5. É fundador do canal da Twitch Squil TV.
alentejo-the-tinto-the-ugly-analiseAlentejo: The Tinto & The Ugly trouxe grandes e boas novidades. Os problemas apontados no Tinto's Law foram corrigidos, e até certo ponto, melhorados, e a história trouxe algumas surpresas e imprevistos e o humor mordaz e a sátira continuam no ponto. A sequela só somou pontos positivos no geral e está um grande trabalho feito para uma consola tão limitada como o GameBoy. Que venha a continuação da história do Gildo e companhia!