Sabem aqueles jogos que nunca vos passaria pela cabeça jogar, ou muito menos comprar? Não por algum motivo em particular, mas simplesmente por ser um género distante daquele que estão habituados a jogar. Aliado a um universo ligado à cultura asiática, mas díspar do que costumo jogar. Mas a melhor parte em jogar algo fora da nossa zona de conforto – e com isto refiro-me a uma metáfora, porque ninguém gosta de jogar em cadeiras desconfortáveis – são as boas surpresas que isso acaba por trazer, como foi este o caso.

Ligado ao universo cyberpunk, este tipo de jogos ficou algo assombrado pelo fiasco no lançamento do jogo Cyberpunk 2077, contudo posso-vos assegurar que este jogo, nada tem que ver com os problemas do famoso e assombrado jogo Cyberpunk 2077. ANNO: Mutationem foi lançado em março para o PC e Playsation 5 e 4 e só recentemente chegou à Switch. E se há prova de fogo para um produtora, é conseguir um port decente numa consola tão pequena e lançada ainda em 2017. Mas parece que os estúdios Lightning Game deram conta do recado, e tirando uns loading times maiores daquilo a que se está habituado na PS5, e por vezes alguns frame drops, o jogo corre de uma forma muito fluida. Diria mesmo que o estúdio cumpriu o seu papel e adaptou da melhor forma possível para a Switch.

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Com um visual algo diferente do habitual, o jogo conta com traços de pixel art, mas também combates 2D e cidades em 3D. A maioria dos cenários é explorável, o que não deixa de ser algo reconfortante, sentar no sofá e explorar cidades, com uma arquitetura nipónica e cheias de luzes. Aliás, assim que abri o jogo lembrei-me logo dos vários vídeos do TikTok na categoria de cozy game, nos quais ter um chá ao lado é obrigatório, bem como uma manta enquanto se ouve a chuva lá fora (acho que percebem a ideia). As cidades estão deslumbrantes e a arte aplicada na construção das mesmas foi bem conseguida. Tanto tem pixel art, como simultaneamente, tem construções e veículos futuristas. Por falar em veículos, pontos para a forma como conseguiram que as viagens no nosso veiculo autónomo se transformassem em loading screens, algo que acaba por fazer esquecer o tempo de carregamento.

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História e enredo

Em ANNO: Muationem jogamos na pele de Ann, uma jovem lutadora, que padece de uma doença chamada Entanglelite, devido à doença em certas situações Ann acaba por perder o controlo do corpo, atacando tudo e todos os que a rodeiam. Durante o jogo Ann tenta encontrar a cura para esta doença. Se num primeiro momento Anna é ajudada por um cientista, Alan Doyle, cedo Ann percebe que o seu irmão Ryan encontrou a cura para a doença. Contudo, Ryan encontra-se desaparecido e para descobrir a cura da doença, temos de encontrar o irmão da protagonista.

A história em si não é propriamente inovadora, ainda para mais quando após experiênciarmos uma pandemia, todas as doenças tratadas em videojogos passaram a ser mais mundanas, mas ainda assim não deixa de ser envolvente. Oferecendo umas boas 15 horas de jogo, se incluirmos missões secundárias e main quests. Nota também para a quantidade de diálogos possíveis com NPCs, tornando as cidades ainda mais interativas e podendo conhecer melhor o mundo de ANNO: Mutationem.

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E porque desta vez o pior fica para o fim, terei de destacar que a tradução para português do Brasil, não se encontra propriamente perfeita, sendo vários os erros que acabam por prejudicar a experiência de jogo. Por outro lado, este tipo de jogos de aventura e combate têm uma dificuldade por vezes em traçar a fronteira entre clicar em botões rapidamente e jogar com alguma habilidade, e parece que na parte final do jogão, assumimos a pele de Hulk e esmagamos os pequenos joy-con o mais rapidamente possível, como forma de derrotar os últimos inimigos.

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ANNO: Mutationem está disponível para Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5 e na Steam para PC.

CONCLUSÃO
Um bom indie
7
anno-mutationem-l-analiseUm jogo com um visual e trilha sonora interessante e que dá vontade de jogar, a experiência na switch merece nota positiva e podemos contar com um grande jogo indie, diferente do que estamos habituados. A nota é menos boa pelos erros de tradução e alguns frame drops, na Nintendo Switch.