Em tempos de tempestades e depressões atmosféricas, eis que a Nintendo lança a receita perfeita para combinar com estes dias de temporal: Another Code: Recollection. Põe a chaleira a aquecer, estende uma mantinha e senta-te confortavelmente no sofá com o teu gato, pois esta análise não podia ter chegado em melhor altura!

Antes de qualquer coisa, vale a pena mencionar que nunca tinha jogado nenhum dos 2 jogos contemplados nesta Recollection: Two Memories e Journey into Lost Memories, re-edições de jogos da era da Nintendo DS e que são agora transportados para a biblioteca da Nintendo Switch. No entanto, a minha cara metade (com quem troquei impressões ao longo desta jornada), jogou o original na Nintendo DS e pôs-me ocorrente das alterações significativas em termos de gameplay. Disto, podes ler agora o meu ponto de vista que jogou essencialmente esta nova versão, muito melhorada na minha opinião em termos de jogabilidade, a par do que me é relatado da experiência original.

Essencialmente, a maior diferença que um jogador veterano na saga sentirá, é a remoção completa de uma mecânica de jogo, que a meu ver muito contribuiu para uma fluidez muito mais relaxante desta experiência. Atuando como uma espécie de travão nas versões originais, a tua progressão era quebrada com um momento em que a nossa protagonista questionava-se sobre tudo o que tinha descoberto no desfecho de cada capítulo, forçando o jogador a ligar as respostas corretas com os acontecimentos que se recordava desse mesmo capítulo. Não sentindo de todo esse entrave à progressão, sinto que nem se justificava tal mecânica ter sequer existido no passado. 

O resultado agora, é uma jogabilidade corrida, relaxante, que te deixa respirar e explorar cada recanto, tanto da mansão que vais desbloqueando em Blood Edward Island como no campo paradisíaco em Lake Juliet. Apaixonada pelo doce incenso dos enigmas que se escondem nestes cenários, este foi sem dúvida alguma o jogo mais reconfortante que já joguei neste género. Com uma dosagem q.b de intriga a cada passo, os mistérios adensam-se a par das teorias que começas a formar através da tua familiaridade com as personagens. 

Importante de notar é que no primeiro título desta recollection, sentimo-nos muito sós. Apesar de termos um companheiro de viagem sempre ao nosso lado, são pouquíssimas as personagens, mas tal jornada não poderia ter sido traçada de outra forma. Já no título seguinte, temos todo um leque afável de residentes que nos deixam saudades. A par, temos também uma paisagem incrível e verdejante, que é delimitada por um lago onde ocorrem muitos desaparecimentos misteriosos e centrado numa torre onde os ponteiros do relógio pararam de se mexer.

Sendo um jogo de puzzles, temos alguns quebra-cabeças para desbloquear informações escondidas em objetos, mas nada que represente uma dificuldade que importe mencionar. Cada momento destes é no entanto tão original como o último, sendo que podes ter de reparar uma caixinha de música, ou descobrir pistas em combinações de vários objetos ou fotografias que tenhas guardados na tua mochila. 

Falando dos itens que trazes contigo, o mais importante de todos é de referir a DAS, um dispositivo parecido a uma Nintendo Switch, que aparentemente um neurocientista têm conhecimentos suficientes para construir de raiz. Esta só responde à nossa personagem e permite-nos captar fotografias, registar informações, entre outras funções que são expandidas no segundo título com o emparelhamento de uma pulseira.  Apesar do modo de fotografia ser bastante overlooked na atualidade dos videojogos, na saga de Another Code, proporciona uma ajuda essencial para guardar pistas que mais tarde podem ser úteis nos puzzles já referidos. 

Os maiores mistérios em que nos inserimos nesta saga, são sobretudo sobre o passado familiar de Ashley. A nossa personagem cresceu sem pais devido a um acontecimento trágico que continua a ter repercussões indiretas na sua vida. Sem quaisquer grandes conhecimentos, devido ao secretismo em que tudo é envolto, é agora aos 14 e 16 anos de idade que irá descobrir a sua identidade, e o passado da sua história, a par de um jogador muito emocionado ao seu lado. 

A acompanhar a história, temos também umas animações cinemáticas que não desapontam tanto em estética como cinética, com cores vibrantes e texturas pinceladas, deixando-nos avidamente ansiosos por explorar mais interações. De notar é que temos para opções de voice acting as versões de dobragem em inglês e japonês, e que apesar de geralmente optar pelo idioma internacional para não ter de me concentrar tanto em ler o texto (não sou grande adepta de RPGs antigos precisamente por requererem mais leitura que jogabilidade), a versão japonesa puxou-me mais com a sua vitalidade. Sendo que os diálogos não são tão longos assim, e a dobragem japonesa bastante sugestiva e expressiva do sentido das falas, foi uma opção bastante satisfatória. Já em jogos por exemplo como Xenoblade Chronicles, ou Ghost of Tsushima apesar de serem jogos em que seja mais apelativa a escolha de dobragem em japonês, geralmente dou por mim a jogá-los em inglês precisamente por ser de compreensão mais fácil e fluída para mim.

Sou uma pessoa de critérios simples: quero jogar e compreender facilmente o que estou a jogar. Nisto Another Code é exemplar, pelo que tanto os mais pequenitos como os mais graúdos, conseguirão usufruir ao máximo desta experiência.

Assim, convido-vos a adicionarem à vossa biblioteca mais uma saga memorável, recém desenterrada e revivida na Nintendo Switch!

CONCLUSÃO
Relaxante
8
Joana Sousa
Apaixonada pelo mundo do cinema e dos videojogos. A ficção agarrou-me e não me largou mais! A vida levou-me pelo caminho da Pós-Produção, do Marketing e da organização de Eventos de cultura pop, mas o meu tempo livre, dedico-o a ti e à Squared Potato.
another-code-recollection-analiseAnother Code: Recollections transporta-nos para cenários que nos inspiram a vivenciar uma história cheia de emoções e personagens afáveis que ficarão na memória do jogador! Perfeito para esta altura do ano, é daqueles jogos que se apuram com a estação.