O jogo que vos trago hoje prova que por vezes uma história focada e pequena é melhor do que algo cheio de “palha” só para ter conteúdo e relevância. Estou a falar de uma pequena história que está executada de uma forma bastante surpreendente e única, e não gasta nem um segundo do teu tempo com conteúdo irrelevante nem qualquer distração associada.

Estou a falar de Arise: A Simple Story, que, como diz o título, é uma história simples, mas emocional, e com uma execução interessante.

Uma viagem pelas memórias do protagonista

No jogo, irás controlar um protagonista sem nome, apenas um homem que se encontra numa costa, com um mar gelado, e com vastas dunas de neve a estender-se até ao horizonte.

Nesta zona, irás encontrar uns quantos pontos com uma luz focada, e aqui podes começar o nível que tens de fazer para progredir na história, sendo que terás de fazer isto cada vez que acabas um nível e vais para o seguinte. Cada nível é uma memória do nosso protagonista, que conta uma parte do seu passado. Não irei mencionar nada desta história, pois penso que é melhor experienciada quando não se tem qualquer ideia do que se trata, mas digo apenas que é uma viagem emocional, e mesmo sem diálogo ou qualquer narração, temos aqui uma história que consegue proporcionar emoção e reação do jogador apenas pela sua narrativa visual e musical.

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Uma apresentação simples, variada, e bela

Arise: A Simple Story rege-se pelo ideal de “variedade na simplicidade”, com texturas bastante planas e cores simples, sem muito detalhe, mesmo no que toca ao modelo do protagonista. Isto dá uma aparência bastante única ao jogo, e também uniformiza toda a sua arte, pois todo o cenário é mais coeso, sem uma abundância de detalhes, apenas com o que interessa a ser apresentado no ecrã.

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A variedade apresenta-se no conceito dos níveis, com florestas, neve, até um nível onde parece que encolhemos e temos girassóis gigantes para usarmos como plataformas. Há aqui um verdadeiro carinho pela parte artística do jogo, e penso que a apresentação ajuda a dar uma coesão às várias atmosferas e ambientes que o jogo nos proporciona.

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Uma viagem no tempo, para trás e para à frente

Algo que irás fazer bastante no jogo é saltar, pois temos aqui um platformer em 3D, onde a nossa personagem pode saltar, trepar paredes onde existem pequenos relevos óbvios, e até usar um hook para poder balouçar ou até puxar e suspender-se em alguns objetos.

Onde o jogo se destaca é na sua forma criativa de usar o tempo como mecânica, podendo tanto avançar, recuar e até parar o tempo. Isto dá origem a formas bastante criativas de passar os níveis, havendo até um pouco de puzzles durante o jogo, como por exemplo avançares e recuares no tempo, mudando a direção do sol, fazendo com que vários girassóis se mexam para poderem criar forma de poderes saltar entre eles.

Não irei revelar muito mais dos pequenos puzzles que o jogo apresenta, mas cada nível tem alguma coisa nova para mostrar, uma forma original de usar esta mecânica do tempo para poderes superar e avançar nas memórias do protagonista, fazendo com que a viagem mantenha-se sempre fresca.

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Infelizmente, senti que por vezes os saltos não eram precisos, com a personagem a ignorar os meus inputs e simplesmente cair. Não é algo muito comum, e felizmente o jogo tem um bom sistema de checkpoints, sendo que irás sempre ser posto na última plataforma onde estiveste.

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Música que conta uma história

Devido à inexistência de qualquer narração ou voice acting, o estúdio confiou na sua capacidade de narrativa visual e na música para poder contar toda a história do jogo. Temos aqui uns arranjos com uma orquestra pequena, sendo apenas um piano e umas poucas cordas, que se foca bastante no uso de melodias que proporcionam a emoção necessária para a mesma. Apesar da simplicidade, penso que as melodias presentes estão muito bem executadas, havendo aquela sensação de se estar numa memória, sendo por vezes etéreo.

Notas técnicas e os extras da Nintendo Switch

Em termos da conversão para a Nintendo Switch, temos aqui uma apresentação um bocado mais “desfocada”, mas que felizmente mantém nitidez suficiente para não “estragar” a arte e a apresentação do jogo, mesmo sendo uma resolução dinâmica, não notei muitas mudanças drásticas na mesma.

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Em termos de desempenho, temos aqui 30 fps, que por vezes pode cair ligeiramente, mas, devido à natureza mais casual e lenta do jogo, afeta muito pouco a experiência do jogador.

Algo único da versão da consola da Nintendo é o fato de poderes usar o sensor giroscópico dos joy-con ou de um comando pro para controlares o tempo no jogo, em vez de utilizares os controlos tradicionais.

Presente nesta edição, tens também acesso a um artbook com mais de 50 páginas, um OST com 18 faixas e também um photo mode para poderes criar uns wallpapers bastante artísticos no jogo.

Arise: A Simple Story já se encontra disponível para a Nintendo Switch, Playstation 4, Xbox One, PC na Steam, GOG, e Epic Games Store, e também na Playstation 5 e Xbox Series S|X em modo de retrocompatibilidade.

CONCLUSÃO
Memorável
8
arise-a-simple-story-analiseArise: A Simple Story leva-te numa viagem de emoções pelas memórias de um protagonista. Uma história simples e focada, bastante única no meio das narrativas épicas comuns da indústria. Sendo um jogo onde controlas o tempo, surpreende também pelo fato de respeitar bastante o tempo do jogador, sendo uma experiência mais curta (cerca de 4 horas), mas livre de qualquer momento desnecessário ou conteúdo irrelevante.