Muito antes de conquistar o planeta com a saga Souls, a FromSoftware já tinha no seu extenso cardápio degustativo gaming um conceito bem diferente que começou no primeiro hardware da Sony, a Playstation. Armored Core encaixava nas consolas pela primeira vez em 1997, com muito sucesso no Japão, e com altos e baixos pelo árduo caminho do tempo, nunca mais nos largou. Armored Core VI chega-nos este ano (2023), 10 anos depois do último lançamento, e provou que a franquia se encontra de boa saúde.

Esta é a 16º entrada na história de Armored Core, mas não precisas de ter jogado nenhum dos títulos anteriores para te contextualizares na narrativa. A história é independente e muito única, com novas localizações e personagens inéditos na série.

Assumirás a jornada do soldado 612, um mercenário sem voz que ocupa um poderoso mecha de combate e tenta fazer a sua riqueza com missões aqui e acolá, mas tudo muda quando é convocado pelo seu coach para uma missão no planeta Rubicon, e se vê envolvido num esquema de dimensão colossal, num estado em que a humanidade se encontra bem avançada tecnologicamente, graças a uma enorme descoberta de uma fonte de energia capaz de aumentar drasticamente as capacidades tecnológicas, e também capaz de causar destruição em massa num pouco espaço de tempo.

A narrativa é contada com voz e texto (Japonês e Inglês) quase sempre através de um briefing antes de cada missão, bem ao estilo de outro título de nicho mas muito adorado pelos fãs, a saga Ace Combat. Será nesses briefings que perceberás mais detalhes de uma história que ao início parece ser apenas mais uma de substância superficial, mas que gradualmente te envolve com reviravoltas dramáticas que te fazem querer continuar a aprofundar os conhecimentos neste universo criado pela FromSoftware.

Mas é na jogabilidade que Armored Core se destaca. Se não conheces esta saga, consigo resumir a descrição mais simples que encaixe aqui: imagina um cenário em que te dá a possibilidade de personalizares o teu mecha da cabeça aos pés, e tudo o que é modificado é sentido na jogabilidade ao mais minucioso pormenor.

Os combates são extremamente dinâmicos e com a necessidade adaptada de mobilidade ao teu estilo de jogo. Podes optar por fazer um verdadeiro tanque, lento, mas capaz de poupar-te de danos mais letais. Podes também optar pelo que foi a minha abordagem na maior parte do tempo, apostar na leveza da movimentação para ataques mais próximos e mortíferos.

Existem imensas armas complexas para adaptares ao tipo de missão que encontrarás pela frente. Claro que ao modificar alguma destas, terás primeiro de analisar a energia necessária, o peso, estabilidade e velocidade do propulsor, entre outras variáveis. O leque de armas vai do ataque corpo-a-corpo até à munição de plasma; cada uma com as suas características e vantagens sobre certo tipo de armamento defensivo.

O segredo é testar, e a FromSoftware faz questão que assim o seja, quando te entrega de bandeja a possibilidade de personalizares o teu mecha antes das missões ou até durante os checkpoints, assim como trocar alguma peça que seja fundamental para vencer algum boss naquele segmento em específico. Outra das grandes vantagens e que te vai poupar imenso tempo para achares o setup ideal para a tua máquina de guerra, é a possibilidade de venderes as armas ao preço que as compras.

Este é um título extremamente desafiante, e a curva de aprendizagem pode ser um pouco chata, mas assim que te familiarizas com os comandos e mecânicas, não vais querer largar mais o comando até testares todo o arsenal de guerra à tua disposição. Tal como todas as experiências dos últimos anos da FromSoftware, prepara-te para as descargas de adrenalina no final das batalhas mais intensas.

O jogo também tem uma vertente multiplayer online que infelizmente não consegui testar por falta de jogadores. A versão jogada foi a Xbox Series S e apenas me consegui conectar uma vez, mas como estava com imensas falhas na ligação, nem sequer consegui conectar na partida após a apresentação, portanto, nada aqui será pontuado com base nesta vertente multijogador.

Armored Core VI Fires of Rubicon

Na qualidade gráfica, Armored Core VI não surpreende, mas apresenta alguns detalhes muito caprichados, quer seja na nave que podes personalizar ao teu gosto, como nos vastos cenários carregados de texturas destrutíveis. O foco da FromSoftware foi entregar uma jogabilidade estável, e mesmo na minha Xbox Series S não me posso queixar. A consola não aguenta os 60fps a todo o momento, mas no geral é um jogo bem optimizado tendo em conta a quantidade de partículas que na maior parte do tempo nos invade o ecrã.

Deixo também um elogio à equipa responsável por tudo o que envolve o trabalho sonoro deste título. As faixas que acompanham as missões são tensas e muito adequadas aos momentos, e os encontros com mechas gigantes fazem-se adivinhar pelos tons de orquestra sublimes que apresentam esses acontecimentos. Se consegui não fazer comparações com a saga Souls durante esta análise, faço-o agora, porque é no desafio e nas faixas sonoras que acompanham as épicas lutas contra os inimigos mais temíveis em que estes dois géneros são comparáveis.

Armored Core VI: Fires of Rubicon está disponível para Playstation 5Xbox Series e PC.

A equipa Squared Potato agradece à editora e distribuidora pela chave digital gentilmente cedida para Xbox Series.

CONCLUSÃO
Mecharnage
8.5
Igor Gonçalves
Curioso, explorador, e fã de videojogos desde que me lembro, e em especial pela saga Metal Gear. Não jogo plataformas, jogo jogos.
armored-core-vi-fires-of-rubicon-analiseArmored Core VI destaca-se com um dos melhores jogos de acção de 2023. Se procuras uma jogabilidade cheia de intensidade e desafio mesmo que como eu, não sejas um grande fã deste género; tens aqui um dos jogos mais espantosos do ano.