O centro das atenções.

O motivo pelo qual a indústria dos videojogos se encontra num dos (senão o) maiores pontos de viragem da sua história. A saga Call of Duty, juntamente com o restante catálogo da Activision Blizzard irá passar para a alçada da Microsoft, passando a fazer parte dos Xbox Studios.

Ora, como toda e qualquer pessoa sabe, principalmente a Sony, Call of Duty move números, e não são poucos, pelo que estão a fazer de tudo para que o titã dos FPS se mantenha na sua plataforma para sempre, ou pelo menos anos suficientes para conseguirem desenvolver uma alternativa. No outro lado da corda está a Microsoft, a escrutinar todas as decisões financeiras que possam ser feitas para que a saga tenha a maior receita possível. E nós? Vamos falar como se saiu este ano.

Narrativa

Modern Warfare II dá seguimento aos conflitos geopolíticos que a prequela retratou. Começamos o jogo ao controlar um míssil direcionado a um grupo Curdo, à semelhança do ataque perpetuado pelo exército norte-americano ao comandante curdo Soleimani. A partir daqui conseguimos logo perceber o caminho que a Infinity Ward decidiu seguir, e claro, isto é wishful thinking, mas não falta potencial e criatividade para inventarmos uns vilões novos…

A história de MWII prende-se nos mesmo detalhes que todas as outras se prenderam: os maus são novamente os “estrangeiros” de leste, e cabe aos países ocidentais salvar o mundo. Por várias nuances que a história possa ter (e por acaso tem), sinto que a nota tocada é sempre a mesma. Anteriormente comparei Call of Duty à saga Velocidade Furiosa, pois considero-as ambas sagas em que devemos desligar o cérebro e simplesmente desfrutar do espectáculo, mas independentemente da qualidade da jogabilidade, o acompanhamento é sempre arroz.

Heroísmo à parte, somos reunidos com caras conhecidas. Soap, Price, Ghost, Gaz, o grupo está cá todo, e no seu auge. Seguimos os elementos da Task Force 141 ao longo de diversas (17) e variadas missões, alternando a perspetiva em cada missão consoante a progressão da narrativa. Para além dos famosos, temos adições carismáticas que avivam as sequências e o dramatismo, e algo me diz que estão cá para ficar.

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Em suma, Modern Warfare 2 transmite uma narrativa repetitiva mas fortalece a fundação para a construção de mais iterações. O maior defeito da história resume-se a jogar pelo seguro.

Jogabilidade

Modern Warfare (2019) já tinha centrado as atenções no que os jogadores realmente querem: combate táctico em áreas com poucas dimensões, fosse na história ou multijogador. Ora, a sua sequela capitaliza nisso e reforça a qualidade.

Cada arma é uma descoberta, no entanto a precisão, tanto no manuseamento como nas animações são do mais alto calibre. Estas claro, fazem-se acompanhar por um excecional trabalho sonoro. Se procuravam a experiência Modern Warfare, este jogo é o que procuram no que toca à jogabilidade. Claro que a campanha não nos deixa avaliar como é que o manuseamento se traduz para o multijogador (terá a devida atualização nesta análise quando estabilizar), até porque em nenhum modo, tirando Search & Destroy ou Prisoner Rescue, andamos agachados com uma arma silenciada a tentar fazer o menor barulho possível durante a ronda inteira.

A dificuldade tem os seus altos e baixos.

Tanto demoramos pouco a matar inimigos, como alguns parecem ter sido feitos de esponja, e não, não falo dos heavy. Isto claro, também acontece em reverso, pois existem uns com mira de stormtroopers e outros com snipers disfarçadas de carabinas pois em 1 tiro mandam-nos ao chão ou na melhor das hipóteses deixam-nos em estado crítico.

Estes picos também se traduzem para as decisões da inteligência artificial. Em várias missões podemos fazer uso da ação furtiva, tendo pela frente inimigos que são completamente aleatórios à mesma ação. Um exemplo concreto é o de atirar gás lacrimogéneo. Numa das missões temos de usar estas granadas para atordoar inimigos e podermos esfaqueá-los, ora percebam a minha surpresa quando em algumas vezes os consegui esfaquear mas nas outras não aparecia interação e eles levantavam-se imediatamente e disparavam contra mim.

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No geral, a sensação do jogo está na mouche, resta apenas saber se esta se traduz de forma competitiva para os modos multijogador.

Audiovisual

Há 1 semana atrás não me via a escrever isto, mas Call of Duty: Modern Warfare II traz consigo uma justificação para comprarem uma consola da atual geração.

Muitas foram as críticas à constante famosa lavagem de palettes dos antigos Call of Duty, mas a verdade é que tanto a Treyarch como a Infinity Ward (em conjunto com muitos mais estúdios) têm trazido visuais, e sequências de ação de deliciar qualquer jogador. MW2 detalha em variedade, seja no México, Amesterdão ou numa zona rural de Leste, os cenários estão muito bem trabalhados, tanto em termos visuais como técnicos. Forcei e forcei mas não encontrei praticamente bugs nenhuns, tanto com as armas como com os NPCs, numa era em que os jogos vêm inacabados, a frescura de Modern Warfare 2 é inesperada, mas mais que bem-vinda.

Vanguard teve Bear Mcreary a compôr a sua banda sonora e a Infinity Ward não inventou nem ficou atrás, regressa Sarah Schachner para dar vida e carisma aos tons e melodias que nos percorrem os ouvidos à medida que estamos perante um exército ou um barão da droga, avivando as experiências e mantendo o padrão na saga.

Breviário

A Infinity Ward sabia o peso que o título deste jogo trazia aos ombros. Talvez o shooter mais marcante da geração PS3/Xbox 360, Modern Warfare 2 na altura elevou o padrão dos FPS, no entanto, ainda é cedo para afirmar que o seu homónimo também o fez. Com uma narrativa forte, mas demasiado familiar, traz consigo o pico da jogabilidade da saga. Resta-nos saber como lidarão com os modos multijogador, e para isso, cá estaremos nós para o discutir (sempre de forma saudável).

Agradecemos à Activision pela chave cedida para análise.

CONCLUSÃO
Intenso
7.4
call-of-duty-modern-warfare-ii-campanha-analiseModern Warfare II capitaliza na campanha do antecessor mas falha em dar-lhe irreverência. Apoia-se na sua fortíssima jogabilidade para construir sequências de ação visualmente incríveis, mas peca em dar momentos e narrativas arriscados. A verdade é que se costuma dizer que em equipa que ganha não se mexe, e aqui encontram um shooter de qualidade.