A Sendai Editora voltou novamente em grande, desta vez com mais uma excelente obra do mangaka Hideshi Hino, famoso por obras como Hell Baby, Hino Horrors, e uma já antes publicada pela mesma editora, Panorama do Inferno. Este autor não só foi importante no que toca ao desenvolvimento da própria arte de criação de mangas, como também no que toca à definição do próprio género de terror no Japão, influenciando diversas obras ocidentais.

Apesar de a Sendai Editora ter publicado tanto o Panorama do Inferno como o Clube de Ocultismo e as Bonecas da Morte, este último é, na minha opinião, muito diferente do que já havia sido lançado anteriormente. Apesar de ambos serem volumes únicos, enquanto que o Panorama é praticamente baseado em situações reais horripilantes, de forma a criar um clima de loucura à volta do protagonista e das suas criações (os panoramas), o Clube de Ocultismo foca-se no sentimento de medo da protagonista, Tico.

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Ai que susto!

Há uma frase que, no decorrer da minha vida, ficou gravada, quase permanentemente, na minha mente, e que surgiu novamente aquando a leitura desta obra: “O medo é o que nos mantém vivos.”. Após acabar de ler este conto de Hideshi Hino, entrei numa fase de reflexão sobre o que esta citação significava nesta obra. A minha conclusão foi de que, sem esse sentimento que acompanhou a protagonista ao longo do manga, ela não teria sobrevivido, e certamente também não teria escapado às aterrorizantes Bonecas da Morte. Tudo isto devido à experiência e à coragem, ganhas após uma experiência tão “dantesca” como esta que experienciamos ao longo da obra.

De forma a entrar na história do próprio manga, apresento-vos a sinopse oficial da obra, que transcrevo aqui, já que eu próprio não a conseguiria melhorar, mesmo que muito tentasse:

“Tico é a nova integrante do Clube de Ocultismo do colégio Meiritsu. Desde que viu no Museu Sobrenatural uma boneca cujos cabelos não param de crescer, todas as bonecas descartadas da cidade começaram a persegui-la como num filme de terror. Com a ajuda de Fuyumi, uma rapariga com poderes paranormais, elas deverão ir ao mundo das Bonecas da Morte para resolver este estranho caso.”.

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Apesar de Tico ser então a protagonista do Clube de Ocultismo e as Bonecas da Morte, vamos encontrando ao longo do conto diversas personagens que apresentam a mesma conotação que esta tem, sendo tão ou até mais importantes para o desenrolar da ação do que a nossa personagem principal. Tanto o amigo e vizinho de Tico, chamado Dai, ou a presidente do clube Fuyumi Shiratori, são altamente cruciais para o desenvolvimento da própria Tico enquanto protagonista, tendo eles, de qualquer forma, imenso valor no conto inteiro, o que aprecio imenso.

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Por outro lado, algo que, apesar de não me ter inquietado muito, pode não agradar alguns leitores, é a forma e o tom com que a história é contada. Se estão à espera de algo parecido ao Panorama do Inferno, talvez este possa não ser o manga perfeito para vocês, já que enquanto que o anterior se foca principalmente no horror psicológico e em situações reais (como a queda das bombas no Japão), o Clube de Ocultismo é mais uma “short story” de terror, que apresenta um início, desenvolvimento e conclusão bastante simples, sem qualquer grande “plot twist” ou complicações na história: é apenas um simples conto, feito para entreter quem gosta do que eu chamo de “terror rápido”, como as pequenas histórias de Edgar Allan Poe, por exemplo.

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Algo que eu particularmente gostei foi a arte “clássica” do Hideshi Hino, que é por muitos reconhecida como a sua “imagem de marca”. Os olhos enormes das personagens, os cenários altamente envoltos em sombra e, obviamente, os desenhos aterradores das bonecas da morte, são alguns dos fatores que ajudam a trazer uma experiência de qualidade para os leitores que apreciam esta forma de terror mais “visual”. Sendo que os painéis são a preto e branco (e ao contrário do Panorama do Inferno, não há páginas coloridas na parte de trás da capa), Hideshi Hino brinca imenso com as sombras, o que torna cada uma das páginas mais escura do que as outras, o que também adiciona à experiência de terror inteira.

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Relativamente a esta edição da Sendai Editora, devo dizer que fiquei, novamente, surpreendidíssimo com a qualidade dos volumes publicados. Desde a arte da capa, até a coisas tão simples como a fonte usada nas letras, ou o posfácio escrito pelo autor (que recomendo imenso que seja lido), a editora sempre quis trazer versões únicas dos mangas para Portugal, e mais uma vez, sucedeu no seu trabalho, já que 15 pessoas sortudas podem ter tido a oportunidade de ter o seu volume acompanhado com um postal, exclusivo desta edição, assinado por Hideshi Hino. Sem dúvida, mais um trabalho excelente da Sendai Editora, e do Cassiano Soares, na edição e tradução para português desta obra.

Nota de agradecimento

Não gostava de acabar esta análise sem agradecer à Squared Potato e à Sendai Editora pela oportunidade de analisar este manga, e pela cópia facultada, que proporcionou uma maior facilidade em gerir o tempo, de forma a trazer-vos a melhor análise possível e o mais rápido possível. Também não posso deixar de mostrar o meu agrado com o facto de que as obras de Hideshi Hino estão finalmente a ter algum reconhecimento em Portugal, tudo graças a estes últimos dois volumes que a Sendai tem dado a conhecer ao público. Finalmente, congratulo pessoalmente a Sendai Editora e o criador deste grande projeto nacional, Cassiano Soares, pelo excelente trabalho que têm desenvolvido, de forma a trazer mangas mais “desconhecidos” para este país. Sendo assim, espero que tenha a oportunidade de analisar mais volumes destes, já que foi uma enorme honra pessoal trazer-vos, hoje, esta análise.

CONCLUSÃO
Altamente recomendado.
9
clube-de-ocultismo-e-as-bonecas-da-morte-analiseClube de Ocultismo e as Bonecas da Morte, de Hideshi Hino, é uma experiência absolutamente necessária para os fãs de manga de terror, que procuram mais dessas obras traduzidas para português de Portugal. Com uma arte horripilante e uma história que, apesar de simples, é bastante interessante de ler, devido às referências ao folclore japonês, este manga é, indubitavelmente, um dos melhores volumes que a Sendai Editora já lançou, e que fica bem em qualquer prateleira.