Ah! O orgulho de todas as mães dos anos 70s/80s que sonharam com esta frase quando saíamos para uma sessão de D&D encapuzados. Bons tempos, bons tempos... Sosseguem as vossas mães, até porque agora vão ter mais uma razão para questionar as vossas escolhas – só que desta vez não vão estar enganadas!

Cult of the Lamb, publicado em 2022 para Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Séries X|S e PC acaba de chegar à Squared Potato através da Devolver Digital, e claro, aproveitámos para vestir a pele de cordeiro e pôr à prova a experiência de topo que nos foi prometida. Tratando-se de um roguelike desenvolvido pelo estúdio Massive Monster – estúdio indie como já manda a tradição dentro deste género de videojogos – a verdade é que ter por trás o selo Devolver Digital já é garantia de qualidade. Resta saber é quanta…

Continua a ler esta análise sem spoilers para descobrires também!

Ora, ocasionalmente sabe mesmo a mel puxar de um roguelike para passar o tempo na descontração de um bom sofá. Recordo-me do deleite de Moonlighter com o maior carinho que tenho pelo género, e agora posso dizer que Cult of the Lamb veio para desenjoar um pouco as minhas sessões. Deixa-me explicar-te que a comparação entre ambos os videojogos é inevitável.  Como acontece com outros do género, partes da premissa de ter de desenvolver algo – seja uma aldeia, uma loja, um culto -, és levado a explorar dungeons aleatoriamente geradas em diversos biomas para derrotares o mal. Contudo, tudo isto é Cult of the Lamb, e muito mais ainda!

Com um humor que se sabe aproveitar de si mesmo, estamos perante uma obra que sabe perfeitamente a etimologia do entretenimento, e desempenha esse papel de forma exemplar. Como exemplo, Cult of the Lamb maravilhar-nos com a entrega dos mais divertidos e criativos conjuntos de criaturas inimigas, não dando espaço para o desleixo. 

Constantemente estarás a encontrar coisas novas:  novas lojas, novo desenvolvimento de mecânicas, e novos monstros diferentes em duas mãos cheias de uma boa variedade a cada bioma! É isso mesmo, onde os outros jogos roguelike se desleixam, Cult of the Lamb brilha! É verdade que tenho muito apreço por Moolighter, mas achava já repetitivo demais estar a encontrar os mesmos monstros em biomas diferentes sendo que apenas a cor primária dos mesmos é que mudava, no entanto, o trabalho artístico do jogo hoje em análise foi mesmo há exaustão, com um poço de criatividade que parece que ainda retém muito sumo para trazer-nos mais maravilhas no futuro. Vale mesmo a pena ficarmos de olho nos futuros projectos da Massive Monster neste campo!

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Falando agora do sistema de batalha, podes contar com uma animação fluidíssima de combate de lamber os dedos a cada frame! Adoptando a típica esquiva para momentaneamente ficares invencível, aqui podes contar com diversos tipos de armas, onde prima a tua estratégia de optar por mais velocidade ou dano. Cada arma tem apenas esses stats, sendo que algumas têm inclusive habilidades especiais, como envenenamento dos inimigos atingidos, ou recuperação de saúde, etc… mas não é tudo! A tua estratégia é um bocado aleatória e feita em cima do joelho de facto, porque nunca sabes o que te vai calhar na rifa. Quando inicias uma dungeon, recebes sempre as tuas armas na primeira sala, e a partir daí tens de desenrascar-te como melhor podes, pelo que como podes ver, planeamento estratégico de antemão, é complicado…

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Mas para além da tua arma que pode ter um ataque rápido e outro carregado, terás também mais outros truques na manga! A par da tua arma, recebes sempre uma maldição, que funciona como um especial que carregas conforme matas mais inimigos. Um exemplo de maldição que eu gostei foi lançar 4 tentáculos em todas as direções do meu personagem para atacar os inimigos, outra foi também uma série de mísseis teleguiados. No entanto, Cult of the Lamb não se fica por aqui, de facto o sistema de combate tem tanto de estratégia e variedade que a Massive Monster conseguiu criar algo viciante e sempre refrescante a cada sessão, que eu não sinto com outros roguelikes. 

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Para além das armas e das maldições, também irás desbloquear várias relíquias ao longo do jogo que te darão uma ajuda extra. Seja para aumentar ou diminuir a tua personagem de tamanho, rebentar com inimigos, ou ainda procurar corações para te curar, estas são um pouco semelhantes ao sistema de summoning de um demónio companheiro, que é a única coisa que podes preparar de antemão antes de iniciar uma nova run. No caso destes demónios, eles surgem do sacrifício de um dos teus seguidores, e consoante a lealdade do mesmo, mais forte e poderoso será o demónio que eles conseguem conjurar.

Se achas que é muito coisa que tens em mãos para construir a tua estratégia ao passo que exploras as salas e cada fase de uma run, fica a sabes que podes contar com muitas, mas muitas surpresas mesmo, entre as salas das runs. Falo, por exemplo; de lojas para trocar de armas ou maldições, que também vão aparecendo – mas já é algo raro – quando limpas uma sala cheia de inimigos, ou para trocares de relíquia. Outra é uma sala de tarô onde podes escolher e comprar cartas que mexem com a tua estratégia. Podes conseguir cartas que te tornam imune a veneno, dão mais corações adicionais, aumentam a taxa de dano crítico do teu ataque normal, etc… Fora salas onde vais ter random encounters com personagens que expandem um pouco mais o teu mundo ou contam um pouco da lore antiga.

Mas nem toda a run é composta por estes segmentos de salas de random encounters e inimigos. De facto, cada é composta por algumas fases que vão incrementando até desbloqueares o boss final de cada bioma. Cada fase dá-te a opção de escolheres o caminho seguinte, podendo optar por não lutar contra inimigos na próxima fase e ao invés, salvar um novo recruta para o nosso culto, recuperar a vida, ir para uma loja ou para uma sala repleta de um determinado recurso que posso muito estar em falta. Claro está que no mínimo por run vais ter de optar 2 vezes por inimigos, obrigatoriamente, e cada mapa de escolhas é aleatoriamente gerado no início de cada partida.

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Deixando o mundo da violência para trás, tens de dividir o foco com o crescimento e bem-estar do teu culto e fiéis seguidores. Como tal, precisas de encontrar recrutas, pregar sermões – muito importantes para desbloquear uma árvore de progressão que irá influenciar no nível de armas, maldições e tudo o mais nas runs – ensinar doutrinas, fazer rituais de sacrifício, casamento, festim, etc. Mas atenção, tens de manter as barrigas dos teus fieis bem cheinhas com boas comidas, descansados e energizados, ou ficarão doentes, ou ainda pior, revoltados. A fé que depositam em ti também é um stat a vigiar, e pode ser melhorada conforme fores completando tarefas propostas por eles ou erguendo construções.

Ergue o teu culto com as mais variadas construções, mas como tudo na vida, tudo tem um custo! Mais um aspecto que achei muito chill e descontraído em Cult of the Lamb, foi o facto de não nos dificultarem ridiculamente a vida, e com algum foco conseguirmos gerar os recursos que necessitamos para erguer as construções que necessitarmos. Desde matérias como madeira, pedra, ouro, ossos, e tudo mais, é algo fácil de minerar se te empenhares um pouco, pelo que dei por mim constantemente a ter em abundância tudo o que procurei.

Chegando mesmo a metade do jogo, já me perguntava o que poderia ser difícil de conseguir, tendo recursos em abundância e dinheiro para construir conforme me apetece-se. No entanto é importante referir que só podes erguer construções que tenhas desbloqueado na árvore de construções só vai sendo desbloqueada com a coleta das orações dos teus fiéis subditos. Portanto, toca a expandir o nosso credo para podermos desenvolver ainda mais a nossa sede.

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Se gostas de Stardew Valley e afins, também vais gostar de sabes que aqui podes plantar os teus próprios vegetais para depois utilizares nas receitas de culinária com que alimentarás os teus fieis. Poderás também desfrutar de uma pescaria relaxante junto a um lago para juntar à panela uma dieta mais mediterrânica, ou se estiveres mesmo para te desligar de tudo, podes ainda passar por umas sessões de uma jogo de dados muito viciante: Knucklebones.

Tudo posto em cima da mesa e pesado, Cult of the Lamb parece um cruzamento entre Animal CrossingHades que por mais estranho que possa parecer, resulta no melhor e mais relaxante roguelike que joguei até à data. Ainda para mais, e já saltando os visuais e animações incríveis que já vim a descrever, a banda sonora é a pista de aterragem perfeita para abarcar toda esta experiência. Contudo, devo dizer que os típicos diálogos de sons inarticulados são um pouco off e dei por mim a estranhá-los imenso por não combinarem muito com as personagens.

Cult of the Lamb está disponível para Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Séries X|S e PC.

A equipa Squared Potato agradece o código digital cedido gentilmente pela Devolver Digital.

CONCLUSÃO
Lindo!
9
Joana Sousa
Apaixonada pelo mundo do cinema e dos videojogos. A ficção agarrou-me e não me largou mais! A vida levou-me pelo caminho da Pós-Produção, do Marketing e da organização de Eventos de cultura pop, mas o meu tempo livre, dedico-o a ti e à Squared Potato.
cult-of-the-lamb-analiseCult of the Lamb é um delicioso indie roguelike que sabe perfeitamente a etimologia do entretenimento. Prima em dar-nos um cruzamento perfeito entre Animal Crossing e Hades, com um sistema de combate rico e variado, uma animação fluída de lamber os dedos, e uma inesgotável criatividade tanto em matéria de inimigos como em encontros com NPCs!