E se, um dia, um necromante todo poderoso achasse que a única solução para finalmente obter uma vida pacata fosse reencarnar num mundo semelhante ao nosso? Essa é a premissa de Dead Mount Death Play, e, embora saibamos que o género de Isekai está replicado infinitamente em vários animes diferentes, prometo que a execução deste é um pouco diferente.
O necromante supremo, conhecido por muitos como o “Corpse God” (Deus Cadáver ou Deus dos Cadáveres) é finalmente derrotado pelo herói ao serviço da igreja. Neste ponto de Fim, é aqui que a nossa história começa. Farto do mundo que habitava e da sua destruição, ansiando uma vida pacata, o necromante finaliza o seu feitiço de transmigração de mundos, forjando assim a própria morte. Já no Japão atual, o jovem Polka Shinoyama é friamente morto por uma assasina de contrato que o enganou, deixando assim um receptáculo vazio para a consciência do Corpse God. Felizmente, todo o seu conhecimento de magia e o seu poder mágico migraram também, porque a primeira coisa que tem de fazer é defender-se de uma assassina que está mesmo muito confusa. Põem-se então duas perguntas: será que é possível ter uma vida pacata em Shinjuku com este submundo de crime tão promeniente? E quem mandou matar Polka Shinoyma?
O principal fator que me trouxe a este anime é ele ser uma adaptação de uma “light novel” de Ryogo Narita: o escritor de Durarara, Baccano, Bleach: Can’t Fear Your Own World e Fate/Strange Fake. As obras deste autor são sempre caracterizadas pelos seus vários personagens vivos, desenvolvidos e carismáticos que dão cor ao local onde se passa a acção, tanto que podemos acompanhar o dia a dia deles que vai sempre nos entreter devido ao seu carisma e ao quão fácil é cativar-nos. Eu, pessoalmente, poderia ter episódios sem fim de Durarara porque o que mais gosto é ver aquela gente a interagir nas ruas sempre movimentadas de Ikebukuro, e como se fosse fácil, todas as pontas soltas e diferentes pontos de vista se unem numa trama principal e com um fio condutor, por vezes contado mais dispersamente.

Aqui não é exceção, o Corpse God é simplesmente um doce, tornando até díficil para outros “good boys” dos animes mais populares serem tão amáveis, embora ele tenha também um sentido de justiça forte e capacidade mais que suficiente para se defender. É interessante ver como este anjinho que só quer estar em paz é constantemente forçado a agir quer por motivos de responsabilidade, quer por precisar de dinheiro para ter uma vida pacata, quer por motivos mais pessoais. No meio de criminosos com e sem coração, o nosso protagonista tem de achar o seu lugar numa sociedade que, por um lado já funciona bem sem a sua presença, mas por outro vai ser abalada pela existência de alguém tão poderoso neste submundo de Shinjuku. Mesmo estando num corpo que não é seu ele age responsavelmente dentro dos possíveis e prova que mesmo poderes relacionados com os mortos podem ser usados para o bem comum.
Para terminar o trio principal temos Misaki Sakimiya, a assassina responsável pela morte do verdadeiro Polka Shinoyama, e Takumi Kuruya, o hacker de serviço. Misaki é apresentada como a louca assassina em série, mas gradualmente vemos mais camadas sobre a sua personalidade e porque é que decidiu enverdar pelo mundo de assassinios contratados e o que significou para ela o trabalho de matar Polka. Por outro lado Takuya tem de lidar com a sua cobardia e com o facto do seu sentido de lealdade ser posto em causa por se esconder atrás dum ecrã, além disso, na qualidade de hacker, é sempre responsável por expôr a informação necessária sobre o muno e segredos que os protagonistas precisem de saber. Fora os três protagonistas, temos os de facto criminosos complicados, chamados de “troublemakers”, a polícia que os persegue e a misteriosa família de Polka. Todo este cast secundário transpira carisma, quer para quem goste de personagens mais brincalhões e espalhafatosos, quer para quem goste de personagens mais calados com poder e mistério, não vou adensar sobre cada um deles porque, das coisas melhores da série é conhecer o seu cast ao longo dos 12 episódios da primeira temporada.

A história em si, no entanto, ainda está na fase inicial: ainda estamos a entender quem são e o que move os personagens e pouco sabemos do mundo em que o Corpse God vivia antes do feitiço de transmigrassão. As coisas começam a alavancar quando conhecemos a família Shinoyama e depois com um arco que parece ligar o mundo original do Corpse God àquele onde este se encontra. Digo “parece” porque a temporada termina a meio desse arco, sabemos algumas coisas mas não sabemos onde a história nos quer levar. No entanto existe uma segunda temporada que já terminou que eu vou cuscar em breve.
Honestamente, prefiro assim: uma história que continue focada onde os personagens a levam, que se sinta dinâmica mas sem pressa para me contar o que tem para contar, enquanto eu conheço melhor os personagens e as coisas fluem naturalmente de ações justificáveis pela personalidade que já conhecemos dos personagens com quem já estamos familiarizados. Para os primeiros 12 episódios, claro que me deu a ânsia de querer saber as respostas todas, mas isso também atesta ao interesse que o anime me causou. Estou ciente de que as respostas e a história virão se o anime for popular o suficiente.
Para quem gosta de J-pop/rock, a abertura deste anime é simplesmente um banger. A música Nero do cantor Sou foi a segunda coisa que me fez querer ver este anime e está mesmo bem produzida e fica no ouvido, dando por mim repetidas fezes a cantar “anata gata anata gata” repetidamente ao longo do dia. O artstyle e a animação não são nada de se destacar, sendo o padrão para algo competente de hoje em dia mas sem nada de muit incrível que se deva realçar.
No entanto, se não gostarmos muito dos personagens, o anime pode parecer um bocado aimless. Sendo que nada é de facto respondido, podendo ser atribuida a crítica de que, pelo menos para já, não foi a lado nenhum. Os personagens mesmo seno carismáticos, podem nem agradar a toda a gente, principalmente eles sendo construidos em cima de um tropo e mais tarde desenvolvidos ou simplesmente é mostrado como o personagem lida com a vida. O Corpse God é bonzinho, a Misaki é louca, o Takuya é cobarde. Na minha opinião há um pouco mais que isso, mas sinto que existe muita gente que pode ficar por aí e está tudo bem. Se assim for, é possível não se ficar tão cativado quanto fiquei. O humor por vezes é muito aleatório, para mim é engraçado o suficiente ter personagens quirky como o Phantom Solitaire ou a irmã do Polka que ama tubarões. Aquele peluche acima é importante na história e é super fofo.

























