Recentemente, fomos apresentados na Summer Games Fest e na Xbox Games Showcase a uma panóplia de novos videojogos a tomarem lugar no espaço, em planetas longínquos, tudo com uns toques de ficção científica e futurismo à mistura. Seguindo a mesma trend dos jogos passados no espaço, a KeokeN Interactive resolve atualizar a já ultrapassada versão last-gen do Deliver Us The Moon, e trazer o jogo para as novas consolas, com melhorias gráficas e na performance. Apesar da falta de atualização de conteúdo para o jogo, que apresenta apenas o mesmo conteúdo que a versão base na PS4 e na Xbox One, ou seja, a campanha single-player, são percetíveis as melhorias que esta nova versão trouxe, principalmente em termos de performance, com o upgrade para 60 fps. Ainda não tendo jogado o Deliver Us The Moon na PS4, resolvi aproveitar os benefícios dos novos tiers da PlayStation Plus, e instalei este jogo agora na PS5, com a recém lançada versão next-gen, presente no extenso catálogo de jogos deste serviço da PlayStation.

Mal iniciei o jogo, fui imediatamente apresentado à história do jogo, que inicialmente remonta às missões tripuladas Apollo, que levaram o homem à Lua pela primeira vez. No entanto, apesar do jogo demonstrar o heroísmo, a coragem e a dedicação das pessoas que levaram um homem a cometer este ato grandioso, a história deste remonta não tanto a estas qualidades, mas sim aos perigos e impossibilidades destas missões espaciais, e também à ganância humana, um dos temas principais de Deliver Us The Moon.

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A história do jogo passa-se em 2054, 22 anos depois da colonização completa da Lua. Esta ocupação aconteceu devido à falta de recursos no planeta Terra, que tinham sido apropriados exaustivamente, e então as potências mundiais recorreram a um recém-descoberto recurso na Lua, o Helium-3, que seria então usado como um combustível para os geradores terrestres funcionarem e, assim, darem eletricidade à população da Terra. Porém, em 2053, foi misteriosamente perdido contacto com a Lua, o que acabou por tornar o planeta Terra num deserto sem quaisquer recursos. Então, a personagem que controlamos é enviada numa missão especial para a Lua, para voltar a restaurar a conexão com a Terra, e descobrir o que tinha realmente acontecido. É importante notar que a história do jogo não está terminada, e que continuará na sequela ainda por sair Deliver Us Mars.

O jogo apresenta, no geral, uma história simples e extremamente linear, que é alimentada pelos variados audio-logs e hologramas espalhados pelas estações lunares. Estes funcionam como os “colecionáveis” que vamos encontrando ao longo da playthrough, apesar de não ser necessitado algum esforço ou procura pelos mesmos, pois aparecem em lugares estratégicos de forma a que o jogador não os perca, pois estes contribuem para a forma como a história é contada. Assim, para os trophy hunters, este jogo apresenta pouca dificuldade na recolha de todos os colecionáveis.

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Além disso, Deliver Us The Moon apresenta mecânicas como o scan, ou a simples habilidade de realizar pequenos puzzles, que também apresentam uma dificuldade reduzida. O scan serve para guardar conhecimento sobre diversos pontos de interesse nas estações lunares que o jogador encontra ao longo da história, enquanto que os puzzles servem pura e simplesmente para a progressão na história. Esta última mecânica é bastante aperfeiçoada quando somos introduzidos a um pequeno robô controlável, que se torna no nosso “companheiro” ao longo da missão na Lua, e nos ajuda a ultrapassar diversas secções no jogo usando o sistema de ventilação das estações espaciais.

No início desta análise, fiz a “conexão” deste jogo a diversos outros jogos de exploração espacial anunciados não há muito tempo atrás, porém Deliver Us The Moon não podia ser mais diferente destes outros. O que este jogo apresenta não é uma história em que temos que constantemente matar ou fugir de alienígenas, como Dead Space ou SOMA, nem mesmo explorar diversos planetas com diversificados biomas, como em No Man’s Sky ou no ainda não lançado Starfield, mas sim sobreviver aos perigos realistas que a nossa mesma Lua traz consigo, e mostrar o quão ousadas, porém perigosas missões espaciais são, tomando conta das perdas humanas que estas trazem.

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Deliver Us The Moon não é só uma lufada de ar fresco no género de ficção científica espacial, mas também um jogo que prova que muitas vezes não é preciso ter uma história enorme e extremamente desenvolvida para trazer uma experiência diferente, mas agradável.

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Apesar de não demonstrar a sua genialidade em departamentos como a banda sonora, por exemplo, que deixou um bocado a desejar, Deliver Us The Moon excede as expectativas no que toca a imersão. Também devido à sua premissa, o jogo foca-se em dar ao jogador uma experiência realista do que é ser um astronauta, com a adição de tarefas como ativar uma nave espacial ou conduzir um rover lunar, e até devido às mudanças da posição da câmara, entre a primeira e terceira pessoas. É nestes momentos que Deliver Us The Moon demonstra que, apesar de ser um jogo relativamente simples desenvolvido por uma pequena equipa, consegue trazer uma experiência extremamente imersiva para o jogador.

CONCLUSÃO
Odisseia no Espaço.
7
deliver-us-the-moon-analise Deliver Us The Moon é um jogo que, apesar da sua simplicidade e linearidade extrema que não dá muita liberdade de exploração ao jogador, traz uma experiência memorável e imersiva, cuja história capta a atenção do jogador como muitos outros não conseguem.