A Frictional Games é, sem dúvida, uma das equipas que mais inovou e revolucionou o género de jogos de terror, com o grande foco numa jogabilidade focada em evitar os inimigos, sem o uso de armas ou qualquer meio de defesa. Apesar de Penumbra ter sido a série que iniciou a famosa fórmula dos jogos da equipa, a popularidade da mesma foi apenas atingida com Amnesia: The Dark Descent, que apresentou uma evolução da fórmula, e também teve uma forte presença no Youtube, sendo um dos jogos mais populares nos “let’s plays”.

 

Depois de Amnesia: The Dark Descent, a equipa decidiu arriscar e mudar o foco da fórmula para a narrrativa e a atmosfera com SOMA, sendo um jogo que se destaca como uma experiência única, que explora imensos assuntos filosóficos.

Amnesia: Rebirth é uma continuação do que foi feito em SOMA, sendo uma experiência mais focada na narrativa, com uma atmosfera incrivelmente forte. Sem dúvida, um risco enorme para a equipa, pois o afastamento do foco principal do primeiro jogo faz com que esta sequela não seja para todos.

Em Amnesia: Rebirth, controlas Tasi, uma projectista que se encontra numa expedição para o Sudão Françês, com o seu marido Salim.

Infelizmente, o avião sofre uma falha num dos motores, despenhando-se no deserto. Aqui começa a aventura, onde irás à procura de Salim, e dos restantes membros da expedição.

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Algo imediatamente óbvio é que a Frictional Games não perdeu o toque especial. Mesmo em pleno deserto, com o sol a bater, não deixei de sentir aquele pequeno desconforto, como se algo não estivesse bem. O cenário aparenta ser normal, mas a atmosfera, especialmente o ambiente, com vários sons pequenos e algum peso, dão uma sensação única.

A qualidade da atmosfera continua nos vários interiores e cenários do resto de Amnesia: Rebirth, e acreditem quando vos digo que este jogo tem cenários simplesmente incríveis. Fui surpreendido várias vezes pelo que a Frictional conseguiu fazer artisticamente no jogo.

Juntamente à atmosfera temos também uma história bastante sólida, com assuntos pesados. É uma história única, focada e bem executada.

Apesar do foco mais óbvio na narrativa e no ambiente, as mecânicas clássicas do primeiro jogo ainda se encontram na sequela: continuas a ter acesso a uma lanterna, onde terás de ter em atenção o nível de óleo da mesma, procurando por mais frascos para poderes enchê-la; e também tens os fósforos, que são limitados, e podes usar para teres iluminação mais fraca durante um tempo, ou para acender velas e tochas que estejam no cenário.

É incrivelmente importante o manuseamento tanto da lanterna como dos fósforos. Parecido com a primeira iteração, o escuro não é o teu melhor amigo. Desta vez, os efeitos do mesmo são um pouco diferentes, acrescentando à experiência e atmosfera de Amnesia: Rebirth.

Algo que se mantém do primeiro jogo são os variados puzzles e pequenos desafios com os objectos do cenário. Aqui temos um aspecto que foi extremamente bem executado, com cada puzzle sendo único e bastante criativo, havendo um foco em usar objectos específicos, mover e utilizar algumas ferramentas, entre outros.

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Quando não estás a fazer puzzles, ou até mesmo durante os mesmos, irás obviamente encontrar-te com um dos variados momentos aterrorizantes de Amnesia: Rebirth. Estes momentos variam entre fugires, esconderes-te, ou evitares algo ou alguém.

Estes momentos são excelentes quando acontecem, a atmosfera, junto com o som do que te procura ou segue, sempre presente, dá uma sensação de urgência e constante perigo. Amnesia: Rebirth desafia-te a tentar avançar, mesmo ouvindo os passos e gritos dos monstros. Infelizmente, estes momentos são poucos, fazendo com que não haja um foco tão grande no terror, mas quando acontecem, nunca deixam de surpreender e aterrorizar o jogador.

Amnesia: Rebirth já se encontra disponível para PS4 e PC na Steam, Epic Games Store e GOG.