Recém-chegada aos Oculus Quest, Baba Yaga trata-se da mais recente aposta do estúdio Baobab, já conhecido por trabalhar neste universo dos contos interactivos com nomes de peso da indústria do entretenimento. Falo de Bonfire, Asteroids! e Invasion!, para citar algumas das obras mais conceituadas deste estúdio.

Baba Yaga é, no entanto, uma obra que, como as mencionadas anteriormente, pode ser algo difícil de categorizar em termos de experiência. Se se trata de um filme? Bem, não de todo, porque nós tomamos papel na estória, não somos apenas um mero espectador. Então é um jogo? Bem, também não, uma vez que o que fazes é testemunhar um conto em ambiente virtual, com pouca, mas alguma, interactividade. Embora não hajam mecanismos, nem hajam puzzles, esta obra encontra-se algo pelo meio dessas categorias.

Para explicar melhor, Baba Yaga funciona quase como uma peça de teatro, onde entre o público, tu foste o escolhido para subir ao palco e entrar em cena para interagires minimamente na acção, como uma personagem secundária, ou até terciária, dado que não fazemos grande coisa aqui. Aliás, existem árvores que têm maior participação que nós. De facto, e apesar da Baobab afirmar que desempenhamos o papel principal nesta estória, a verdade é que senti que somos praticamente meros observadores, a quem lá de vez em quando nos passam um objecto para as mãos e nos dizem o que fazer.

A nossa personagem, Sasha, é uma das filhas de uma grande líder que atracou em tempos nesta ilha selvagem. A nossa mãe fundou aqui uma pequena comunidade, que foi, aos poucos, domando a floresta e esgotando os seus recursos. Com a devastação do arvoredo, a vida animal está posta em causa, tanto a fauna como a flora, pelo que é hora de entrar em cena a grande guardiã deste local mágico: a bruxa Baba Yaga. Esta, é uma entidade cuja voz é talhada por Kate Winslet, e que, ao mesmo tempo, serve de narradora para este conto. Baba Yaga fala-nos num tom de mistério, mas decididamente detém na sua voz uma personalidade belissimamente trabalhada para este papel. A personagem, contudo, amaldiçoa a nossa mãe com uma doença cuja cura só a própria Baba Yaga detém. 

Perante este cenário, a nossa irmãzinha, Magda, não consegue ficar indiferente, e logo propõe-se a partir em busca da cura que a nossa mãe tanto precisa. Daisy Ridley empresta a voz a esta criança aventureira e irrequieta, que acabamos por seguir na sua demanda. Para mim, Magda é, na realidade, a protagonista desta estória. É a personagem que toma sempre as rédeas e traça em grande parte o rumo desta obra. 

E quanto a nós? Bem, somos dados a fazer uma escolha, que nos guiará para um dos três possíveis finais, desta curtíssima experiência. De facto, se calhar, nem levei meia hora a explorar esta obra e todos os seus finais alternativos, mas, no entanto, é de lembrar que por 5€, esta é uma obra bastante acessível que poderá deslumbrar os pequenitos aí em casa.

A arte desta animação é qualquer coisa de se apreciar, com a dicotomia da tonalidade e tratamento dos assets a respeitar a grande escolha que nos caberá por fim decidir. Será que queremos uma floresta aterradora, para afugentar os seus habitantes? Ou querêmo-la bela e prosperante, mas indefesa nas mãos da população? 

Baba Yaga segue com uma banda sonora de orquestra que tem toda a qualidade de uma grande produção de Hollywood. O que não é todo de estranhar, dado os nomes de peso envolvidos e o facto de que a própria ONU apoiou o desenvolvimento desta obra. Já a nível da própria animação, esta procura simular o estilo stop motion, no entanto, tem certos momentos que me deixam a duvidar se não terá ali uns frase drops, dada a confusão dos keyframes e dos frames por segundo a que dispomos.

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Esta experiência tem ainda suporte para hand tracking, o que à partida deveria significar que não precisamos dos comandos Oculus Touch. No entanto, das poucas oportunidades que temos de interagir, notei que o tracking era bastante fraco e mal conseguido. As mãos desapareciam, e quando lá agarravam os objectos, voltavam a desaparecer. Coisas tão simples como aproximar um objecto de outro eram experiências dignas de chamar um exorcista.. Pode ser que com os updates melhorem esta função, mas para já, vamos ficar-nos pelo par de Oculus Touch.

Baba Yaga está disponível para Oculus Quest.

Conclusão da Análise
Dá fichas para o futuro
7.8
Apaixonada pelo mundo do cinema e dos videojogos. A ficção agarrou-me e não me largou mais! A vida levou-me pelo caminho da Pós-Produção, do Marketing e da organização de Eventos de cultura pop, mas o meu tempo livre, dedico-o a ti e à Squared Potato.