Battletoads esteve ausente por mais de duas décadas e o seu regresso já era mais do que esperado, não só pelos seus maiores fãs, como também por uma comunidade crescente de adeptos de beat’em up que se tem instalado na indústria.

Devido ao criticamente aclamado Streets of Rage 4, tal como nas Ruas da Fúria de Oakcity, Battletoads é um autêntico reflexo da sua era.

O jogo de 1991 foi moldado e estruturado através do sucesso vivido pelas quatro Tartarugas Ninja que impulsionaram também a criação de outras franquias de sucesso, esperando capitalizar também em histórias de acção protagonizadas por animais humanóides.

Os casos mais notáveis encontram-se nos Street Sharks e nos Moto Ratos de Marte. Ambas as séries foram transmitidas nos nossos canais de televisão nacionais, nomeadamente na RTP1 e na SIC.

Com o tamanho sucesso dos heróis mutantes também nos videojogos, era uma questão de tempo até o panorama de clones também se instalar. E assim surgiram os Battletoads, uma tripla de sapos de combate que defendem a galáxia de todos os seus invasores.

É precisamente neste ponto que este rebit da franquia começa. Depois de livrarem a galáxia das ambições da Dark Queen, os nossos batráquios de combate gozam do seu elevado estatuto na sociedade. Rash, Pimple e Zits são conhecidos por todos, e todos querem ser como eles.

Contudo, tudo tem um fim, e os sapos tão depressa perdem o seu estatuto como o receberam, quando são misteriosamente enviados para outra dimensão. Após uma hilariante e interactiva integração dos sapos nesta nova realidade, o trio decide voltar a ser famoso, para isso antes terá de descobrir o paradeiro da sua arqui-inimiga: a infame Dark Queen.

Battletoads

O jogo volta a invocar todos os seus valores, quer estes sejam positivos como “negativos”. Estamos na presença de um beat’em up frenético, um jogo único a vários níveis, com uma dificuldade bastante elevada, mesmo dentro do seu género. Tal como o seu título clássico, esta continuação é dotada de uma dificuldade bem fora dos padrões dos beat’em up.

Felizmente, desta vez, a aventura pode ser desfrutada por intermédio de vários níveis de dificuldade. Mesmo assim, o nível mais baixo do jogo pode induzir a frustração, especialmente nos níveis onde conduzimos uma mota anti-gravitacional através de túneis estreitos. Este acontecimento pode estar a gerar dúvidas nas mentes de muitos leitores porque estava a falar de um beat’em up, e, de repente, estamos na presença de um jogo de condução.

Pois bem, passo a explicar: esta autêntica mudança de genes é outro factor que Battletoads bebe do seu antecessor clássico. O jogo de 1991 ficou conhecido (e célebre) por misturar vários conceitos e mecânicas pouco comuns no seu género. Este reboot segue na perfeição estes moldes já que também modifica o seu género através da integração de mini-jogos exemplarmente implementados nas suas fases.

Estes assumem-se nas mais diversas e variadas formas, desde um simples haking a sistemas de segurança, ao energético Toadsham Bo! (não vou adiantar mais para não estragar surpresas). Curiosamente, alguns destes mini-jogos também apresentam bons níveis de desafio.

Battletoads

No final do dia, Battletoads é, na sua maior essência, um beat’em up.

O jogo convida-nos a explorar os mais variados cenários, distribuídos por quatro actos, os quais contam com várias fases em cada, e são concluídos com um confronto contra um Boss.

Battletoads pode ser desfrutado por três pessoas, no máximo, e em simultâneo, ou então por um jogador, através de uma interessante mecânica de tag team, onde trocamos em tempo real o nosso sapo guerreiro. Desta forma, também nos permite manter o nosso combo enquanto limpamos o cenário de todas as ameaças.

O jogo dispõe de um sistema de pontuação por ranking bastante exigente, onde uma simples falha ou dano condena por completo o nosso combo e consequentemente a nossa nota. Este acontecimento pode alguma causar frustração, devido não só ao jogo ser bastante caótico como também por introduzir uma série de mecânicas intimidantes.

Os anfíbios não dispõem apenas de socos, pontapés, ou ataques mágicos onde assumem diversas formas como locomotivas, tubarões, ou vaqueiros no rodeo; a sua língua também é usada para apanhar moscas, viajar entre cenários, puxar adversários e até mascar pastilha elástica.

Este último desenvolvimento adiciona também uma camada de estratégia ao jogo, já que permite aprisionar adversários temporariamente.

Battletoads

O grande problema de todas estas mecânicas é estarem designadas a um único botão do nosso comando e cada acção corresponder a um facebutton – o que inicialmente se pode traduzir no nosso sapo realizar tarefas bem diferentes das que tinha em mente, devido à sua dificuldade e já referenciado caos nos cenários. Todavia, acredita que estes efeitos decorrem apenas no início da aventura.

Não obstante, Battletoads é uma louca e divertida aventura, que foi criada através de um humor muito consciente e único para não ser levado a sério – esta afirmação exemplifica na perfeição a componente visual do jogo.

Estamos na presença de um autêntico desenho animado interactivo, que trocou os ambientes negros e apocalípticos do jogo clássico, por cenários bem coloridos e característicos desta era, aliás, até vou mais longe: não me surpreenderia que de futuro este jogo receba uma adaptação animada, tal como aconteceu anteriormente.

Devido ao próprio carisma dos sapos que se assentam na perfeição nas personalidades das Tartarugas Ninja – Rafael, Donatello, e Leonardo – a Nickelodeon poderá bem capitalizar de um sucesso inesperado.

Battletoads

As próprias animações das personagens são outro reflexo de como o jogo encobre totalmente a linha entre animação e videojogos. As personagens desenhadas à mão são dotadas de uma fluidez ininterrupta que lhes atribui centenas de doses de carisma e de atitude. E mesmo os seus cenários não foram esquecidos, apresentando várias camadas de efeitos paralax que lhes atribuem uma maior sensação de profundidade e destaque.

Outro efeito que nos transporta para esta era de atitude encontra-se na sua banda sonora. Embora as suas melodias sejam simples, integram-se simbióticamente no jogo por se tratarem de faixas de rock do mais “cowabunga” possível!

Battletoads já se encontra disponível para as plataformas Xbox One e Steam PC.

Conclusão da Análise
Bom!
7.8
Um fanático por Nintendo, de nome "Nintendista", que procura mostrar ao mundo o lado mágico da empresa que o acompanhou durante toda a vida.

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