O Mês da História Negra (Black History Month) é uma comemoração anual criada em 1970 e reconhecida oficialmente pelo governo, que visa celebrar as conquistas e contributos da comunidade negra na construção e prosperação dos Estados Unidos da América, e agora celebrado também um pouco por todos os países do mundo.

E em jeito de homenagear, e acima de tudo celebrar a cultura e toda a sua influência presente na minha vida, apresento-te 5 (de muitos) dos que são para mim, belas representações da cultura negra nos videojogos:

Carl “CJ” Johnson (Grand Theft Auto: San Andreas)

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“All we had to do was follow the damn train, CJ”

O “gangsta” mais amado da história dos videojogos não podia passar despercebido. CJ é o protagonista de GTA: San Andreas, que retorna para a sua cidade natal (a cidade fictícia de Los Santos), com objectivo de vingar o assassinato da sua mãe.

O palco inspirado na criação do jogo é a cidade de Los Angeles no início dos anos 90, e lida com temas controversos ligados directamente à história negra americana, como a cultura de gangues, polícia corrupta, discriminatória e violenta, e o combate contra as drogas.

Carl Johnson é um personagem com uma personalidade muito vincada. É carismático, justo, engraçado, leal, e a sua “construção” conta com uma panóplia de influências de música e cinema dos anos 90. Uma verdadeira carta de amor à história mais recente da cultura.

Este protagonista é interpretado por Christopher Bellard, ou se quiserem, pelo seu nome como artista: Young Maylay.


Augustus “Train” Cole (Gears of War Series)

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Private Augustus Cole, Alpha Squad, sir!

Augustus Cole é uma das personagens mais importantes da franquia Gears of War. Começou como uma personagem coadjuvante no primeiro jogo, mas o seu impacto foi tão majestoso, que passou até a ser jogável, e com uma grande importância nos próximos títulos da saga.

Cole Train, assim conhecido, é um soldado das forças armadas COG; outrora ex-jogador de uma vertente de futebol americano denominada por Trashball. O seu estilo é muito explosivo e tão extravagante ao ponto de recusar ser promovido na carreira militar porque iria matar menos quantidades de Locust – e esta? -. Mais tarde e como parte da equipa Delta-One, Cole tornou-se um dos melhores soldados do COG, colocando um travão em grandes e decisivas batalhas na Guerra contra os Locust.

Este protagonista é interpretado por Lester Speight, um ex-jogador de futebol americano com passagem pelo wrestling, e pelo mundo do cinema e televisão.

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Lee Everett (The Walking Dead)

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Lee, é um dos casos de maior entrega e paixão por parte do jogador num videojogo. O protagonista de The Walking Dead da Telltale Games, carrega uma carga emocional muito forte, que torna quase impossível que não sintas empatia por ele.

Lee era um ex-professor acusado de homicídio de uma importante figura na política, mesmo que acidentalmente. Quando transportado para cumprir o seu primeiro dia na prisão, eis que o carro que o levava sofre um acidente, e Lee só acorda horas depois, já com o surto de mortos-vivos no seu pico. Em desespero, após imensas pedidas de ajuda aos moradores mais próximos, Lee Everett descobre Clementine, uma menina que quase como uma faísca, desenvolve no nosso protagonista um laço e postura paternal muito forte, e acima de tudo um grande suporte emocional que Clementine necessitava. É uma jornada muito emocionante que todos deverão experimentar.

A construção e desenvolvimento desta personagem são de um trabalho sublime, e que certamente deixará um enorme legado para os videojogos focados na narrativa.

A personagem de Lee é interpretada por Dave Fennoy, um voice actor muito carismático com um enorme currículo em filmes de animação e videojogos.


Dandara (Dandara)

Dandara

Descrita como uma nobre guerreira e heroína no período colonial Brasileiro, Dandara teve imensas influências socioeconómicas, políticas, e familiares em Palmares, tendo sido inclusive uma lutadora na frente do campo de batalha, ao lado dos homens mais ferozes.

Não se sabe se ao certo se Dandara nasceu no Brasil ou em algum outro continente Africano, mas o que se sabe é que além de ter moldado a cultura da sua comunidade, juntou-se muito nova ao grupo de escravos negros que desafiaram o sistema colonial escravista por quase um século.

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E é nesta personagem com status de Lenda que o estúdio Brasileiro Long Hat Studios se inspirou na criação deste título que faz jus ao seu nome.

O mundo repleto de criaturas místicas está perto do colapso. Os seus cidadãos, antes espíritos livres, estão agora oprimidos e isolados. Para isso, contarás com as habilidades de movimentação e combate únicas de Dandara, com objectivo de acabar com este sistema de escravatura e opressão.

“Acorda, Dandara, e traz liberdade a este mundo sem rumo”.


Grace Walker (Wolfenstein II: The New Colossus)

Grace-Walker
Just who the f*ck are you, white boy?

Grace Walker é uma das poucas pessoas que sobreviveu à ocupação nazi nos Estados Unidos da América, e, consequentemente à bomba atómica que lhe causou imensas lesões físicas e psicológicas.

Após a ocupação dos soldados nazistas sobre a aliança do grupo supremacista KKK, Grace consegue escapar e torna-se mais tarde uma referenciada líder da resistência Americana na cidade de Nova Iorque.

Grace Walker é uma personagem moldada pelas experiências que vivenciou sob o regime racista, e um grande exemplo de personagem que vive sob uma sociedade opressora. É uma personagem dura, desconfiada e objectiva pelas experiências vividas, com uma personalidade dominante; mas que se preocupa de forma genuína com os seus companheiros de armas.

A personagem de Grace é interpretada por Debra Wilson, conhecida por ter participado em grandes projectos como Avatar, Family Guy, e no mais recente jogo Star Wars Jedi: The Fallen Order.


Estes são apenas 5 exemplos que me marcaram, mas podia deixar aqui centenas ou milhares de personagens que contribuíram imenso com esta nossa pequena paixão que são os videojogos. Porque nesta indústria, quero acreditar cada vez mais que haverá espaço para todos, e que aos poucos, toda a resistência da cultura negra seja passado, e que em substituição, passemos todos a olhar com consciência do seu devido valor, história e lugar na sociedade.