Deixem-me dizer-vos, previamente: Bravely Default 2 foi a minha primeira experiência e contacto com a franquia, que já conta com 4 jogos no seu currículo. Portanto, apesar de ter pesquisado bastante sobre o estilo da jogabilidade e até o contexto enquanto universo na ambientação dos seus antecessores, esta review será focada exclusivamente neste título lançado recentemente, sem qualquer comparação aos jogos anteriores. Se tal como eu, despertaram interesse por este JRPG, podem começar a jogar a partir deste título, já que não existe ligação relacionada à história dos anteriores (algumas referências aqui e acolá), e os personagens são completamente novos. Assim, após esta explicação enfadonha, mas enquadrada, espero que gostem desta análise.

Bravely Default 2 começa quando Seth, um marinheiro que explorava os mares ao redor de Halcyonia, é derrubado por uma terrível tempestade que originou ondas monstruosas, acabando por dar à costa num saibro à beira-mar. Pouco tempo após esses acontecimentos, Seth acaba por ser resgatado por Gloria, a princesa do território de Musa, e pelo seu fiel companheiro e protector do reino, Sir Sloan. Mais tarde, Seth conhece Elvis, um scholar de Wisland com objectivo de encontrar e desvendar os segredos dos asterisks – gemas carregadas de poder -, e Adelle, uma mercenária muito habilidosa em combate, contratada por Elvis para o ajudar na longa jornada.

Não esperem uma história profunda, ou explicações extensas que tragam profundidade à razão dos actos dos vilões… Pelo contrário, tudo é muito simples de entender, tal é a simplicidade da construção de todos os personagens do reino. No entanto, a história principal é apenas a base. Durante a tua jornada com os nossos 4 heróis, irás explorar diversos reinos, cada um com os seus problemas e devaneios, e com bastantes missões secundárias com muito sumo a extrair; para que possas ter mais contexto e aprender mais sobre o universo onde se enquadra Bravely Default 2. São missões que poderás (e deverás) explorar, e acredita que serás bem recompensado.

Também existem momentos mais cómicos e descontraídos quando surge a oportunidade, com um sistema de party chat, que basicamente é quando os nossos heróis decidem conversar entre eles com temas triviais do dia-a-dia. Isto é algo muito bem-vindo, e que ajuda a aliviar a main lore dos seus momentos mais trágicos e penosos. Este conjunto como um todo, é uma experiência longa, que irá facilmente levar-te a mais de 45 horas de jogo.

Mas é na jogabilidade de Bravely Default 2 que está o “sumo” da experiência. As oportunidades e combinações são tão vastas, que deixa qualquer fã de RPG literalmente a babar-se de entusiasmo. Todas as bases já conhecidas de jogos do género estão lá: Temos bastantes atributos para explorar, um vasto leque de armas, armaduras e acessórios, imensos itens característicos de RPGs, como as tão usadas e banais poções, ether, antídotos, entre muitos outros. E como se destaca Bravely Default 2 dentro do género que se enquadra? Em duas situações: no seu estilo de combate, e no seu sistema de Jobs.

Este JRPG é jogado por turnos assim que se entra batalha, e o sistema peculiar que caracteriza este combate, são os comandos Brave e Default, que podes utilizar em cada personagem. Pode parecer duro assim que experienciamos estes comandos pela primeira vez, mas com o tempo, é uma peça crucial para a progressão e para finalizares os combates, isto porque, precisarás de sumariar previamente todos os teus movimentos, caso contrário, poderá ser derrota na certa.

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De forma simplificada, o comando Default permite entrares em modo de defesa, e acumular até 3BP (Brave Points) para usares nos próximos turnos. Já o modo Brave, faz com que gastes os Brave Points, e caso não tenhas movimentos, podes até pedir emprestado BP, que naturalmente irá ser descontado nos turnos que terias direito a jogar. É daquelas experiências complexas ao ser apresentado, que passa a ser fácil de aprender, e difícil de dominar, mas que faz toda a diferença se queres controlar os combates de Bravely Default 2 com as melhores e complexas estratégias.

Já o sistema de jobs, trata-se de uma progressão ganha com JP (Job Points) e que é nivelada através do teu avanço no jogo, quer seja através de itens, ou em combates. Em cada personagem, poderás usar dois jobs, um principal, e um secundário, mas apenas o principal será evoluído com os teus combates.

Fundamentalmente, são os jobs que definem a classe do teu personagem e a estratégia a tomar para cada combate e zona de exploração. Não te faz muito sentido investir numa build de mage numa zona em que 90% dos inimigos são imunes a ataques mágicos, por exemplo, daí a importância de levelar estas classes, para desbloquear novos ataques directos, e passivos que te trarão bónus mesmo fora de combate.

Ao longo da progressão, e adquirindo os tão desejados asterisks, irás obter novos jobs, cujas habilidades te darão uma vasta liberdade de escolha, e combinações de builds quase infindáveis. Além de todas as vantagens únicas de cada classe, desbloquearás também um novo outfit que será equipado nas personagens; um pequeno extra, mas que recebi com muito carinho e sentido de recompensa.

Algumas classes parecem estar um pouco desequilibradas. Um exemplo disso, é o job de Beastmaster, que te permite capturar criaturas e usá-las contra os próximos inimigos. Mas, caso não o faças e continues a guardar as criaturas, ao dominares completamente a classe; irás receber uma habilidade que te permitirá ganhar stats de acordo com a quantidade de inimigos que capturas. Como deves imaginar, o desequilíbrio fica enorme, e torna o jogo over 9000 mais fácil. Algo que espero ver resolvido num próximo update, que com certeza acontecerá para breve.

As regiões são vastas, e cheias de segredos para explorares, e a quantidade massiva de grinding é definitivamente inevitável. Isto pode ser eventualmente, um impedimento para alguns jogadores. No entanto, quem se identifica com o género; sabe a importância do grind neste tipo de jogos. Existem monstros extremamente fortes, especialmente os bosses, e terás que dedicar algumas boas horas da tua jornada literalmente a upar as tuas personagens e os seus jobs, caso contrário, a derrota será eminente. Mesmo conhecendo a falta de ritmo que por muitas vezes o grinding causa, neste jogo não senti aquela fadiga característica do acto, talvez pela sua diversidade extensa de combate, ou pela imensa combinação de classes, habilidades e armas, o que é certo de facto; é que este é até um grind bastante recompensador.

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Menciono também, um jogo de cartas que ainda me tirou cerca de duas, a três horas da experiência. Se estão familiarizados com Gwent, presente em The Witcher 3, certamente que vão adorar este extra muito bem-vindo. Falo de um mini-jogo muito interessante intitulado de Bind & Divide, ou B&D para os mais familiarizados. Este extra pode ser encontrado numa das primeiras áreas do jogo, em Savalon, e baseia-se em conquistar territórios do inimigo no tabuleiro, usando as cartas mais apropriadas de forma estratégica, e desbloqueando novas após vencer combates. Pode parecer simples no papel, mas garanto-vos que após aprenderem a “manha”, com certeza irão dedicar algumas boas horas ao jogo.

Para amenizar um pouco o grinding e o constante farming de experiência de job points, existe um sistema muito interessante que faz a ligação do ecossistema da Nintendo Switch, com o próprio Bravely Default 2. Isto é, podes enviar o teu herói em longas embarcações, que iniciarão assim que a tua consola entrar em modo descanso, e mais tarde, quando voltares, poderás recolher todos os ganhos que passam por itens de experiência para job points, assim como boosts nos nossos atributos. Lembro-te apenas que o máximo de tempo de uma embarcação é de 12 horas, portanto não vale a pena deixares a tua consola 1 semana seguida em modo descanso. Desculpa, mas não vai dar.

Visualmente, Bravely Default 2 conta com um estilo muito belo, próprio e inconfundível. As cidades e regiões presentes no jogo são desenhadas à mão, com um estilo 2D muito vivo, colorido e cheio de detalhes. Já nos personagens, a proposta é completamente diferente, já que a estética passa por modelos completamente 3D, ainda assim glamorosos e com modelos bastante diversos. Toda esta experiência visual tem um maior encanto quando jogado através do modo portátil, já que a performance no modo TV conta com algumas quebras de quadros, e os serrilhados são muito mais presentes, principalmente num monitor 1080p e acima.

A banda sonora é encantadora, e combina muito bem com toda a atmosfera passada pelo jogo, tanto nos momentos hilariantes de side quests sem qualquer sentido, como nos momentos mais marcantes e tristes do jogo. A música lembra-te sempre do seu acompanhamento para qualquer clima e momento.

Bravely Default 2 já está disponível, exclusivamente, para a Nintendo Switch.


E tu, já experimentaste Brave Default 2?

Conclusão da Análise
Deslumbrante
9
Curioso, explorador, e fã de videojogos desde que me lembro, e em especial pela saga Metal Gear. Não jogo plataformas, jogo jogos.