Confesso que desde o seu anúncio durante o showcase da Nintendo, Empire of Sin foi um dos jogos que mais me entusiasmou para o que sobrava de 2020. Todas as possibilidades do mundo mafioso (como gerir um império, lidar com negócios, rivais e inimigos, recrutar os próprios gangsters, entre outras falcatruas características do obscuro ambiente cosa nostra), foram para mim uma fonte de entusiasmo enorme. Isto já que muitos dos filmes da minha vida como GoodfellasCasinoGodfather, American Gangster e até o mais recente Irishman de Martin Scorcese servem de alguma forma como inspiração deste título da Paradox Interactive, desenvolvido pelo estúdio Irlandês independente Romero Games, fundado pelo lendário criador de Doom, e a sua esposa Brenda.

E afinal, o que é Empire of Sin? Perguntam vocês. Pois bem, trata-se de um jogo de estratégia por turnos, gestão e diplomacia, que leva os jogadores para os tempos da Máfia, durante a Lei Seca Americana, na década de 1920. E como é que o jogo funciona?

Apesar de ser totalmente personalizável estilo sandbox à nossa maneira e feitio, Empire of Sin conta com um modo de campanha para cada um dos 14 personagens e chefes de império que podemos escolher, entre eles personagens reais como o Chinês Sai Wing Mock, o Italiano Angelo Genna, o famosissimo infame gangster de Chicago Al Capone, ou até o seu principal rival Dean O’Banion, entre muitas outras figuras reais e fictícias.

Empire-of-sin-1  
Al Capone e o seu luxuoso casaco de pele

Cada um destes chefes tem vantagens, habilidades de combate, e características únicas, que afectarão o teu estilo de jogo. Nas duas campanhas que fiz, utilizei Al Capone (como não podia deixar de ser), e a personagem fictícia Daniel Mckee Jackson, e claramente o estilo de jogo muda, já que um tem um perk de produção de cerveja desde o início do jogo, e começa com um aliado de família Italiana garantido, que pode facilitar as trocas comerciais, já o outro tem um perk passivo que aumenta os ganhos de casino em 20%, além de reduzir as raids de inimigos e policias, o que me levou a abordagens diferentes no estilo de cada personagem, focando-me praticamente no negócio do jogo e casino com Mckee Jackson durante praticamente toda a playthrough.

Empire-of-sin-4 (1)  

Infelizmente todas estas tácticas passam por essa abordagem inicial, porque daí para a frente o jogo não apresenta uma estratégia a longo prazo, ou uma diplomacia sólida para valorizar os ganhos. Pelo contrário, por muito que faças aliados na vizinhança, ao subires de rank e ficares mais notório pelos bairros, irás sempre perder pontuação, e muitos dos outros gangsters declaram guerra muitas vezes apenas por essa razão. A diplomacia que deveria ter sido a vertente mais forte do jogo, passa por algo excepcionalmente com pouca ou nenhuma utilidade, já que todos os contratos e pactos que faças podem ser rompidos a qualquer momento e sem qualquer consequência.

Muitos desses contractos, pactos de paz e negócios, são feitos através de um sitdown, normalmente requisitado por outro mafioso que habita pelas redondezas com os seus gangsters, e por muito que te possa parecer entusiasmante negociar com outros poderosos criminosos, a liberdade de escolhas é muito escassa durante essas cutscenes, e muitas das vezes passas mesmo por seguir o script obrigatoriamente, mesmo quando não é bem isso que pretendes.

Lê mais:  Crusader Kings 3 | Análise

O jogo é constituído por um calendário, e ciclos diários com eventos especiais, e cada 12 minutos na vida real representam um dia no jogo, e o tempo apenas pára quando colocas por qualquer razão em pausa, ou quando entras em combate. Será nesse espaço de tempo fora de combate em que estarás ocupado a gerir os teus negócios, constituídos por apenas 4 edifícios; Speakeasies que são basicamente locais de fachada que servem para vender bebidas alcoólicas sem dar muito nas vistas, e gerar uma das maiores receitas do teu império. Breweries, ou Cervejarias, que é o local de produção de todo o álcool. Brothels, ou Bordéis, local que mesmo não sendo a fonte primária de receita do teu império, consegue ser muito mais acentuado se permitires a comercialização de álcool aos clientes. E por fim, os Casinos, que muitas vezes pode ser um prejuizo ao invés de lucro. Todas estas construções mencionadas têm níveis de upgrade como a segurança, ambientação, produção…

Empire-of-sin-4  

E por fim mas não menos importante –aliás, até é o mais importante devido a uma falha do jogo-, a safehouse. O local onde tudo acontece, desde planeamentos, e até juramentos de cargos dos mafiosos, e basicamente é o edifício que dita se perdes ou ganhas o jogo.

Um dos maiores problemas do jogo consiste aqui. Não te interessa tomares de assalto qualquer outro edifício quando podes simplesmente invadir a safehouse do teu maior rival e acabar com o seu império em minutos.

Este é um factor game-breaking que espero ver resolvido muito em breve, já que não faz sentido algum estar a farmar rackets quando tudo é decidido apenas na safehouse.

Nos combates, se já jogaram XCOM irão ambientar-se muito rápido. A base está toda lá, desde a visão da câmara, os movimentos das personagens, os action points que ditam qual o movimento podes efectuar, e as probabilidades de acerto em cada bala… Supostamente os combates seriam algo não tão prioritário no jogo, mas infelizmente é o que mais acontece. Quando entras em guerra, és bombardeado de notificações a toda a hora, e tens a opção de combater ou deixar os seguranças do eficifio fazerem a limpa por eles mesmo, mas mesmo quando recusas, por muitas das vezes és imediatamente transportado para o local – não sei se por bug ou não -, e terás que cumprir a longa batalha, que demora em tempo estimado de 5 a 10 minutos.

Empire-of-sin-2  

Os combates não são tão aprofundados como XCOM e outros jogos do género, e muitas vezes são chatos, sem imersão, e randómicos, e ao contrário de jogos do mesmo tipo em que o combate é o prato cheio da empolgação, aqui passa muitas vezes por ser um tédio absoluto devido à falta de profundidade e estratégia.

Lê mais:  Xbox Game Pass | Estreia de Octopath Traveler e mais novidades para Março!

Os combates são muito desbalanceados entre gangsters chefes e seguranças mesmo com upgrade máximo, e o jogo torna-se fácil demais quando atacas os edifícios em equipa, mesmo em dificuldades maiores. É algo totalmente abismal a diferença e desbalanceamento de personagens, já que os gangsters têm habilidades muito próprias e ainda uma lista de upgrades que poderás fazer, e os simples seguranças têm apenas uma pistola, coragem e fé em deus. Para ajudar ainda mais no desbalanceamento, existe um mercado negro onde podes comprar armas poderosas com status poderosos e habilidades únicas, bem ao estilo de RPG.

Empire-of-sin-6  

Além da jogabilidade do combate desinspirado e inteligência artificial que deixa a desejar, existem também alguns bugs visuais durante os mesmos, como por exemplo a abordagem e respostas de hitpoints. Muitas vezes tive que dar zoom para poder seleccionar o inimigo que quero atacar porque simplesmente não respondia. É algo simples e que não mexe muito com a tua jogabilidade, mas que rouba ainda mais a imersão ao jogador.

Um dos bugs mais caricatos que se sucederam na minha gameplay, foi precisamente após destruir um império completo de um dos 14 gangsters do jogo. Logo após tomar a sua safehouse e continuar a campanha, ainda recebia as suas mensagens e trocas comerciais, com ele já falecido. E esta, hã?

Infelizmente o jogo cai nesta abundante e tediosa repetição de combates, quando o seu “prato principal” de um bom jogo de Mafia deveria ser a gestão, diplomacia que falha redondamente, e outros factores que faltam no jogo e que muitas vezes na história fizeram parte destes enormes impérios, como políticos, advogados, agiotas, entre outros… Não interessa o teu inimigo ter a quantidade de rackets que bem lhe entender, quando tu simplesmente podes abordá-lo em ataque com a tua dream team de gangsters e acabares com tudo muito rápido, e é esse o maior pecado do jogo.

Empire-of-sin-3  Visualmente Empire of Sin consegue agradar bastante. Os líderes estão muito bem detalhados, com uma cidade bem retratada a transportar-nos até os loucos anos 20 com bastante fiabilidade, rica de iluminação, npcs bem caracterizados para a época, e edifícios muito peculiares característicos da época. As animações não estão tão bem refinadas como os cenários do jogo, mas são aceitáveis.

A banda sonora presente no jogo é um dos pontos altos da obra. Um Jazz bem catchy que nos transporta directamente para o clima de anos 20 passado do jogo, e que nos acompanha sempre no background enquanto lidamos com a corrupta cidade de Chicago como bem queremos e entendemos. Porque não há nada como ser mafioso, com um bom som de Jazz, não é verdade?

Empire of Sin já está disponível para Nintendo Switch, PlayStation 4, Xbox One, e na Steam para PC e Mac.

Conclusão da Análise
Versão jogada PC
5
Curioso, explorador, e fã de videojogos desde que me lembro, e em especial pela saga Metal Gear. Não jogo plataformas, jogo jogos.