Como apaixonado por videojogos, não há nada mais gratificante do que experimentar novos géneros, e melhor ainda quando sentes, quase imediatamente, que será um estilo que te irá devorar as horas livres num abrir e fechar de olhos, e não me importo nada com isso.

E que estilo é esse? Perguntam-me vocês… Trata-se de um roguelike com elementos dungeon crawler, mas que se destacam da extensa variedade do género, porque implementa um sistema de gestão de deck de cartas pronto a ser testado, derrotado, combinado e dominado após dezenas, ou talvez centenas de horas gastas.

O que faz este estilo ser tão viciante, é o método de tentativa e erro. As combinações são tantas, que o método de resolução de problemas através do qual, o nome sugere, serão feitas imensas tentativas para chegar a uma solução, e como resultado; uma run perfeita.

Esta estrutura funciona tão bem, que é capaz de “agarrar” inúmeros jogadores logo após o tutorial. São tantas as possibilidades e detalhes para explorar, que descobrirás sempre algo novo a aplicar no teu baralho. O meu jogo favorito do género, Slay the Spire, é um título que nos oferece tudo isto praticamente na perfeição, com pouquíssimas falhas a apontar.

Mas nesta análise escrevo-vos de Fight in Tight Spaces, um early access de mais um jogo que explora este género de forma acérrima, com algumas particularidades especiais, que passarei a explicar no decorrer da análise.

Controlamos Agente 11, um mestre do tareão, literalmente… Reza a lenda que o Chuck Norris é o seu filho, e consigo perceber o fundamento. Este agente é a base de toda história medíocre que o jogo apresenta. Fazes parte de uma organização chamada Section Eleven, e terás diversas missões: Eliminar matulões, protegeres VIPs (não deixando que levem dano), e derrotares os inimigos deixando o informante vivo. São estes os três alicerces do modo de combate, além das batalhas contra bosses.

Não existe cutscenes, nada de voice acting, e são nulos os diálogos escritos que sejam notórios. Sabes que a tua informação é usares os punhos e as pernas, e pouco mais. Não é que uma história sólida interesse para o estilo de jogo que é, mas ao contrário de outros títulos do género que contam com outras bases de personagens, aqui são todos humanos sem super-poderes, e funcionava muito bem um enredo simples, mas bem escrito, para mais uma motivação extra nas tuas runs.

Fights In Tight Spaces 2

O jogo é composto por 5 arenas que serão desbloqueáveis assim que finalizares a anterior. Estas arenas não são muito criativas de facto, com cenários sempre muito repetitivos, e com a palete de cores aplicada no jogo que ainda reforça mais essa sensação de mesmidade.

Contarás com 4 baralhos disponíveis para escolheres e personalizares ao longo da run: um balanceado que combina ataque, defesa e combo, um completamente focado em contra-ataques, outro focado em ataques pesados, e até um denominado por trickster, que usa elementos de improviso e até stealth. Existe um breve tutorial que te irá introduzir ao estilo da jogabilidade, mas como sempre nos tutoriais deste género; é provável que fiques ainda mais confuso. O segredo é errar, tentar novamente, e ser bem-sucedido a longo prazo.

Como em Slay the Spire e outros títulos do género, assim que o teu personagem fique sem pontos de vida, começas de tudo de novo. É este o conceito de permadeath que te irá faz pensar duas vezes antes de cada movimento.

Fights In Tight Spaces 3

Após escolheres o teu baralho e entrares na primeira arena do jogo, poderás escolher o teu caminho a percorrer com as missões acima mencionadas. Além dos combates, contarás com eventos aleatórios pelo caminho caso escolhas esse caminho. Nestes eventos podes encontrar cartas raras, upgrades permanentes para a tua run, ou até te podes dar mal. Pensa nestes eventos como as cartas “sorte” do monopólio. Também existe um ginásio onde poderás melhorar as tuas cartas a troco de dinheiro ganho nos combates, e um hospital para curares as tuas feridas após os combates.

Se estão familiarizados com jogos deck building, já conhecem a estrutura de combate. Começam numa arena fechada – particularmente muito fechada em Fights in Tight Spaces, e têm que usar as cartas para movimentação e pancadaria. Existe também um factor de combos que servirá para a utilização de algumas cartas especiais. No entanto, têm que controlar bem os action points, pois apenas começam com 3 de cada vez.

Fights In Tight Spaces

As combinações de cartas são imensas, e a criação de combos está muito bem conseguida. No entanto, senti que algumas recompensas ficaram aquém das expectativas. Para maximizares os teus ganhos terás que cumprir desafios de combate, como por exemplo derrotar uma mão de inimigos com apenas 5 combos. Ora, existem decks super complicados de aplicar essas jogadas de bónus, e portanto; é menos dinheiro a entrar para actualizares e melhorares o teu deck, o que torna o endgame bastante difícil.

O que difere Fights in Tight Spaces dos restantes do género, é a capacidade de conseguirem visualizar todas as animações de combate ao estilo “Bruce Lee meets Steven Seagal“. Ver o Agente 11 a aplicar os movimentos em tempo real é muito gratificante. Também a soundtrack, que apesar de conter poucas faixas, combina muito bem com o estilo de jogo, carregado com música eletrónica e com vibes synthwave.

Fight in Tight Spaces encontra-se disponível para a Xbox One, Xbox Series X|S e na Steam e GOG para PC em Early Access.

Conclusão da Análise
"Deal me once"
8
Curioso, explorador, e fã de videojogos desde que me lembro, e em especial pela saga Metal Gear. Não jogo plataformas, jogo jogos.