Quando a indústria dos videojogos é progressivamente bombardeada com projectos milionários, e tudo o que se exige são títulos e mais títulos que acompanhem os teraflops de cada plataforma, são estes baques repentinos em formato de videojogo de custo reduzido comparado com altas produções que, num piscar de olhos, nos conseguem transportar para outra dimensão; alimentado, essencialmente, por dois factores importantíssimos, e que deveria ser base de qualquer obra: a vertente social, e a diversão. Sucintamente, isto é de forma essencial It Takes Two.

Este é o terceiro projecto sob a direcção do libanês Josef Fares que, ainda mantendo o mesmo conceito cooperativo dos seus anteriores jogos, inova em todas as vertentes, fazendo de It Takes Two a sua masterpiece de currículo.

O enredo é contado de forma muito simples e sempre de modo claro: seguimos a história de Cody, May e a sua filha Rose. Cody e May são um casal que se encontra em fase de divórcio, e, após a explicação de toda a situação à filha de ambos, a mesma refugia-se no quarto, devastada com tudo aquilo que acabara de ouvir. Como resultado da tristeza, e através das suas lágrimas; faz encarnar os seus pais em dois bonecos que ela mesma construiu para representar ambos. É a partir desse ponto que vivemos a jornada do casal, passando por obstáculos, cooperando, discutindo, competindo, e sempre monitorados por um livro de auto-ajuda falante e muito divertido, de seu nome Dr. Hakim. Uma história comum e que começa simples, mas perfeita para entrelaçar todos os acontecimentos vividos pelos dois personagens ao longo da viagem.

Mesmo com uma premissa simples, de fácil compreensão, e até podendo parecer superficial, esta jornada de ambos carregam até nós jogadores, mensagens belas e profundas, culminando com todo o esforço recompensado que colocamos nas personagens durante a toda a jornada, com uma sensação de dever cumprido após as aproximadas 13 horas de jogo.

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It Takes Two surpreende-nos! Surpreende-nos do início ao fim, sem sensação de fadiga pelo meio. A ambientação é rica, com alguns dos mais belos level-design que já experienciei num videojogo, e com uma criatividade quase inesgotável.

É impressionante a quantidade de detalhes que Josef Fares e a sua equipa da Hazelight Studios conseguiram colocar nesta obra. Todos os desafios são muito bem construídos e lógicos, e a cada momento é apresentado uma nova experiência que não estarás à espera. Simplesmente não existe nenhum factor maçudo de repetição neste jogo. E caso tenhas jogado os títulos anteriores do estúdio, prepara-te para alguns easter eggs muito nostálgicos.

Este título tem uma capacidade de se alterar e se reconstruir constantemente. Ora se num momento estamos com campo de visão 3D e com armas de seiva na mão a disparar para tudo o que é canto, logo de seguida não te admires se estiveres num cenário totalmente 2D com quebra-cabeças lógicos. Irás também enfrentar bosses gloriosos com batalhas épicas de fazer jus a grandes filmes de animação da Pixar. É impressionante a mestria aplicada, que sempre com conceitos alterados, ainda assim nunca perde a sua essência.

Toda esta mescla de estilos funciona na perfeição! Os controlos são de uma fluidez impressionante para toda a variedade de gameplay nunca estática que apresenta, e sentirás isso logo após a escolha do teu personagem. Os primeiros minutos de jogo não enganam, e trazem-te de imediato uma familiaridade muito boa e a fluidez necessária para tantos estilos diversos e arrojados.

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A jornada do casal é linear, e a cooperação é tudo, mas há sempre espaço para um pouco de exploração pelos enormes cenários, e acredita; serás recompensado se tu e a tua companhia de jogo assim o fizerem. Existem 25 mini-jogos espalhados em forma de coleccionáveis, que mais tarde poderás jogar em modo competitivo com o teu/tua parceiro(a), sem necessidade de abrir o main game. Entre estes mini-jogos estão: tiro ao alvo, corridas de cavalos, corrida no gelo, e até partidas de Xadrez, e sim, xadrez com peças e movimentos reais, a fazer lembrar o tabuleiro dos filmes de Harry Potter.

It Takes Two_MiniJogo

Mesmo a jogar com ecrã dividido 90% do tempo e com acção frenética a cada esquina, dá sempre tempo para se apreciar a sua direcção artística. E deixa-me que te diga: é um completo deleite para os olhos, digno de um filme de animação dos melhores estúdios. It Takes Two conta com belos efeitos de iluminação e sombras, efeitos visuais, e com destaque para os dois personagens feitos de tecido, que combinam com toda a proposta oferecida.

Esta cópia foi jogada tanto na Playstation 5, como na Playstation 4, e a diferença é notória. It Takes Two é muito belo graficamente em qualquer plataforma, mas com uma esperada vantagem da PS5 neste quesito. Quando experienciado numa consola de nova geração, o realce é significativo, com resolução melhorada, melhor performance e texturas. É a experiência definitiva e a que mais aconselho se tiveres a oportunidade.


E tu, já jogaste It Takes Two? O que achaste?

Conclusão da Análise
Abismal
10
Curioso, explorador, e fã de videojogos desde que me lembro, e em especial pela saga Metal Gear. Não jogo plataformas, jogo jogos.