Sejas veterano ou novato em Monster Hunter é difícil não constatar o seu crescimento mundial, agora desprendido das garras nipónicas como fora costume. Não obstante a entrada principal, muito presente no ocidente com excelso apoio por parte da Nintendo, foi lançado em 2016, no Japão, o primeiro spin-off a sério: Monster Hunter Stories.

Apesar de uma enorme vontade para presentear-vos com um artigo-análise deixo apenas assente que, por várias razões, o primeiro título não foi o sucesso antecipado. No entanto, Ryozo Tsujimoto veio em 2020 afirmar que graças ao carinho e apoio dos fãs esta sequela, de subtítulo Wings of Ruin, conseguiu ver a luz do dia. Afinal espalhar amor e acreditar no poder da amizade, como o jogo tanto gosta de referir, aparenta ter resultado!

Como videojogo Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin é um JRPG excepcional. Felizmente, para fãs do título anterior, Stories 2 é também uma sequela fantástica, melhorando vários aspectos introduzidos no spin-off anterior e apostando sempre numa mecânica à lá Pokémon. A cereja no topo do bolo foi manter-se fiel, tanto quanto possível, aos meandros do mundo de Monster Hunter, são tantos aspectos, leitor, que fiquei perplexo com o que vi. Mais ainda por estarem tão inteligentemente implementados. Contudo sou, acima de tudo, um realista. Existem uns quantos detalhes que aborreceram, um mais que os outros: desempenho.

Tanto o mundo como as vistas em Stories 2 são lindas. O estilo artístico, reminiscente da técnica cel-shaded, vibra com toda a sua palete de cores disponíveis, regozijo-me constantemente em modo consola graças ao ecrã IPS do monitor, destronando por completo o LCD da Nintendo Switch. No entanto é um título que não aparenta, na minha ignorância, ser muito exigente. Assim sendo o que não é regozijante é o desempenho, em modo consola, quase constantemente abaixo das trinta fotogramas por segundo. Após um fantástico trabalho com Monster Hunter Rise é estranho testemunhar quedas quase constantes não obstante o seu contexto: batalhas, sequências cinemáticas, passeios pelo mundo, etc. Compreendo o argumento “é um JRPG logo é mais lento logo mais tolerável”, mas haja limites.

Bruno Dores: É verdade Ulisses, as quebras de fotogramas é algo que poderá causar aflição a algumas pessoas. No meu caso, posso comprovar que na versão PC, para a Steam, isto não se aplica de todo, tendo conseguindo jogar a 60 fotogramas sem qualquer problema, e dado que possuo uma placa gráfica bem generosa, a GTX 2070 Super, consegui até de usufruir da resolução 4K com tudo a correr que nem manteiga.

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Partindo rumo a tópicos mais interessantes Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin introduz uma história que é independente do seu antecessor, mas com pequenos detalhes que fãs mais acérrimos irão apreciar. Em destaque encontra-se o avatar principal, descendente de Red, um lendário Rider – fação específica destes spin-offs que domesticam os monstrinhos – cujos feitos ecoam os anais da região. Não fossem as encantadoras sequências cinemáticas o enredo geral seria, na falta de melhor palavra, uma mirabolante animação japonesa clichê com poucas surpresas pelo caminho.

Algo está a endrominar os monstros e a tua tarefa é partir numa viagem que roçará em várias temáticas como o compaixão, amizade e confiança. Reitero que não é nada novo, mas está tão bem apresentado, em conjunto com uma escrita inteligente e bem humorada, que até os corações mais frios conseguem aquecer. Destaco também a dobragem inglesa cheia de carisma, conseguindo nunca ser o que muitos temem nestes títulos: cringe.

Bruno Dores: Como sou um pouco mais fã de Anime do que tu, decidi optar pelas vozes originais em Japonês, que é de tirar-se o chapéu, especialmente a representação muito humorística do querido gato Navirou que está muito boa!

A energia positiva que transborda fora da história principal não fica por aí: não percorrendo uns quantos parágrafos para já com a jogabilidade, as várias actividades disponíveis para realizar tomam conta do palco antes, durante e depois da narrativa! Várias são as demandas secundárias, deveres semelhantes a fetch quests comuns ou caçadas a monstros anormalmente fortes. Para além disso existem Trial Quests, lutas contra monstros sob condições específicas, Tournament Mode, modo de luta face a outros riders e até demandas em multijogador. Stories 2 surpreendeu-me constantemente com isto, pois existe um equilíbrio delicado entre um volume suficiente para não cansar mas também para não distrair demasiado do que é a demanda principal. Como se não bastasse a Capcom já prometeu conteúdo adicional extra a custo zero ao longo deste primeiro ano de lançamento.

Bruno Dores: Infelizmente no que toca ao cross-play entre consola e PC, ainda não me foi possível interagir com o Ulisses. Apesar de ser o mesmo jogo, por algum motivo a Capcom (ou a Nintendo) achou que ainda não é altura de cruzar armas entre jogadores de ambas as plataformas. Isto poderá ter a ver com alguns conteúdos exclusivos que apenas estão presentes na versão da Nintendo Switch. Com isto, se procuras a versão com mais conteúdo, mais portabilidade e com compatibilidade com o jogo Monster Hunter Rise, vai para a versão da Nintendo Switch.

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No entanto, apesar de dispor de uma espetacular banda-sonora, repleta de melodias sonantes, tanto as de cidade como de batalha, é peculiar afirmar a ausência das mesmas durante o acto de exploração, seja em área aberta ou até dentro de uma masmorra. Existe sim uma pequena faixa que toca no apresentar da área em questão mas após isso embates de frente com o silêncio e várias efeitos sonoros do que te rodeia, o andar da personagem, o chilrear de várias aves, etc. Aplaudo em muito a intenção de ser fiel aos títulos principais de Monster Hunter, mas este é um aspeto que não necessitava de ser completamente igual.

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Tagareladas as várias áreas do videojogo que eu senti necessitarem de destaque, com o meu entusiasmo característico, debruço-me agora sobre a característica mais importante: jogabilidade. Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin é um JRPG clássico em essência, repleto de várias melhorias na experiência, em comparação com o primeiro videojogo, que proporcionam à narrativa em questão um excelente motor de arranque sob agradável velocidade de cruzeiro. Semelhante ao que aconteceu no título anterior, Stories 2 detalha uma viagem intercontinental para salvar o mundo, destruindo (alguns) monstros pelo caminho e obter matéria prima, construir novas armaduras, armas e explorar masmorras para furtar ovos com monstrinhos para adicionar à equipa principal.

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Apesar do combate ser foco principal deste título, devo congratular a equipa por tornar a exploração numa actividade divertida e envolvente. Antes de iniciadas as batalhas por turnos o teu rider cavalga (ou não) às costas do monstrinho pelo mundo fora, coletando itens e abrindo baús. Um dos aspetos mais interessantes é que cada um detém uma habilidade própria para utilizar fora de combate. O Tigrex, por exemplo, consegue trepar videiras para chegar a sítios outrora inacessíveis, o Yian Kut-Ku quebra rochedos pelo caminho. Esta dinâmica proporciona alguma estratégia na criação de equipas, escolhendo monstrinhos que sejam adequados em ambos os aspetos da jogabilidade.

A outra vertente lida directamente com o combate por turnos. Esta segue os moldes de um JRPG tradicional, com respeito a um sistema de papel-pedra-tesoura, onde cada personagem, educadamente e respeitando o tempo de ação do outro, ataca, defende ou utiliza itens. Contudo, no caso de Monster Hunter Stories 2, só controlas a tua personagem diretamente e o teu monstrinho parcialmente, outras estando à mercê da inteligência artificial (bastante competente!). O grande alardear do título está, no entanto, presente nas habilidades proporcionadas pela Kinship Stone de cada rider, essencialmente o ataque derradeiro característico da amizade que o parceiro tem com o monstrinho em campo. Estes ataques passam por cinemáticas lindíssimas, coloridas e divertidas, tal como manda a lei da batata num excelente videojogo do género.

Bruno Dores: É sem dúvida um estilo de combate bastante interessante e divertido! O facto de teres de fazer uma análise visual sobre o monstro para teres alguma ideia do tipo de ataque que ele idealiza é deveras brilhante! Se há algo que vou querer ver numa terceira entrada da franchise é um sistema ainda mais complexo tipo pedra-papel-tesoura-Spock-Lizard! hahaha! Vá, fora de brincadeiras, tenho também que congratular a equipa pelo empenho e dedicação em desenvolver estas experiências de batalha divertidas!

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Sendo fã do título anterior consigo, em plena consciência de todas as minhas faculdades, confirmar que a Capcom fez o seu trabalho de casa e aplicou melhorias nesta sequela. A mais bem-vinda lida diretamente com a inteligência artificial dos inimigos: de fora ficaram os dias em que os monstros misturavam os ataques aleatoriamente. Agora, em Stories 2, as investidas são padronizadas até certo ponto, transformando os encontros em exercícios de memorização e atenção, ao contrário de consequências sortudas ou azaradas. Não te preocupes, no entanto, pois os monstros não estão mais fáceis, antes pelo contrário! Alguns agora atacam duas vezes por turno e outros até reforços chamam.

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Outras reformas incidem directamente sobre o rider, agora muito mais poderoso com acesso a seis armas diferentes, todas com um estilo próprio para serem empregues, até as próprias animações e mecânicas são semelhantes às encontradas nos títulos da série principal! Para além disso cada monstro agora tem partes por quebrar, como os vários membros ou cabeça, incapacitando-o temporariamente ou até removendo ataques do seu arsenal. Confesso que foi um deleite perceber todas as referências espalhadas por este título.

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Por último resta apenas referir um dos elementos mais viciantes, semelhante ao breeding encontrado em Pokémon: o Rite of Channeling. Após obter um ovo e chocá-lo na cidade, esse monstrinho nasce com várias habilidades ativas ou passivas. O ritual referido permite sacrificar um dos infelizes para fortalecer o outro, transferindo essas habilidades, para criar autênticas aberrações incapazes de existir noutro título de Monster Hunter. Com certeza este sistema será dos que mais longevidade irá proporcionar, dado que muitas das caçadas opcionais são difíceis e exigem os melhores dos melhores.

Bruno Dores: Apenas ainda estou para perceber como é que os Ovos desaparecem de um ninho enquanto estás a tentar selecionar o que achas ser o melhor. Este mundo de Monster Hunter é mesmo muito estranho!

Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin já está disponível para Nintendo Switch e na Steam para PC.

Conclusão da Análise
Monstrinhos
8
Desde muito cedo um confesso apaixonado pelos mundos da PlayStation e consolas Nintendo. No entanto a vida dá muitas voltas e agora o seu amor foca-se nas novas Xbox Series. Nada como paixão à primeira vista, não é verdade?