Viajámos por Sinnoh pela primeira vez há mais de 10 anos, em Pokémon Diamond & Pearl, mas as batalhas mais desafiantes e vários momentos marcantes continuaram presentes nas memórias e no imaginário que construímos em torno desta região. Agora, chegou a hora de regressar a Sinnoh, e não podia ter pedido um melhor parceiro de viagem do que o recém-lançado Pokémon Brilliant Diamond & Shining Pearl (BDSP).

Percorri os caminhos, as praias e as cavernas de Kanto, Johto, Hoenn, Sinnoh (e adiante) vezes sem conta. Quer na jornada, quer para chocar ovos ou apenas para apreciar a banda sonora e o cenário, explorar os universos de Pokémon é sempre fascinante e praticamente inesgotável; e logo aqui Pokémon BDSP arrecada pontos, visto que, mesmo com 20, 40 ou 60 horas de jogo, a aventura parece interminável… e encantadora!

A estrutura de Pokémon BDSP garante horas e horas de jogo, sempre em busca de algo que está à espera de ser encontrado. Sinnoh torna-se o paraíso para quem quer completar a Pokédex, capturar Shiny Pokémon, construir uma equipa de sonho ou batalhar, batalhar e batalhar por pura diversão. É um mundo carregado de tarefas e surpresas, sem esquecer determinados elementos que o tornam ainda mais completo, como as Berries, os Contests e o Grand Underground. A viagem torna-se longa, mas agradável, e a nostalgia parece trabalhada ao máximo, para que regressados possam recordar e recém-chegados possam ser conquistados.

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Gráficos Brilhantes e Mecânicas Reluzentes

Fã dos clássicos para Game Boy Color, não consigo ver os gráficos como especial entrave à apreciação de uma viagem Pokémon. Aliás, Pokémon Sword & Shield, fortemente criticado pelas animações e pelos gráficos pobres, não me causou assim tanto incómodo, porque, apesar de estarmos numa geração marcada pelo peso dos gráficos, não era essencialmente pelos gráficos que eu ali estava.

Felizmente, Pokémon Let’s Go elevou a fasquia em termos de imagem e animação, tornando-se um dos mais bonitos e encantadores jogos Pokémon. É tudo agradável em Let’s Go, mas não posso ignorar que a simplicidade do jogo e os conteúdos reduzidos tenham contribuído para isso. Na prática, foi um ótimo jogo, embora a mecânica de recolha de pontos de experiência e de evolução não fosse a minha preferida.

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Desta vez, Pokémon BDSP conseguiu algo notável: combinou a mecânica certa (a do original e de Pokémon Sword and Shield) com gráficos maravilhosos (quase ao estilo Pokémon Let’s Go), proporcionando uma experiência melhor e mais completa. É um remake, sim, mas não deixa de explorar pontos que se complementam e asseguram um bom produto final.

Muito conteúdo (e bom conteúdo!)

Aprecio bastante quando um jogo não se limita à linha principal e permite exploração paralela ou posterior de espaços, dinâmicas e elementos. E Pokémon BDSP é forte neste aspeto. Ao longo da jornada, há inúmeros elementos que nos podem desviar do caminho, e isso é mais do que bem-vindo. Finda a viagem, há uma região de Sinnoh, com uma dinâmica crescente, à espera de ser explorada.

Inevitavelmente, o Grand Underground será o melhor amigo de quem quer capturar mais Pokémon, evoluir Pokémon atuais e encontrar itens raros através de escavações (e não só). A partir de um ponto relativamente inicial do jogo, será possível explorar o Grand Underground, que, com o avançar da história, receberá novos Pokémon cada vez mais fortes. Através das escavações, será possível recolher colecionáveis, itens úteis e pedras evolutivas, o que não deixa de ser uma excelente mais-valia para o percurso e para alavancar a Pokédex.

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Fora do Underground, as Berries (bagas) podem ser plantadas, regadas, colhidas e multiplicadas, para serem então utilizadas em batalhas ou trocadas por stickers personalizáveis. Estes poderão ser aplicados às PokéBalls, resultando em efeitos combinados e personalizados para cada Pokémon, que podem valer pontos nos Contests (concursos) de Hearthome City. Também as árvores especiais podem ser uma excelente forma de capturar novos Pokémon, e o Centro de Solaceon Town permite gerar ovos e aumentar a probabilidade de encontrar aquele Pokémon ideal. Sim, é mesmo muita coisa. E ainda há mais.

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Com o fim da jornada principal, é possível quase retomar novamente o jogo, num nível bastante mais desafiante e competitivo. E aqui está outro dos pontos fortes de Pokémon BDSP, quando comparado com Pokémon Let’s Go, por exemplo. Enquanto Pokémon Let’s Go era excessivamente básico, encontramos agora um desafio interessante, que, não sendo frustrante, irá requerer atenção e esforço.

Resumindo, Pokémon Brilliant Diamond & Shining Pearl vence pela capacidade de manter e gerar conteúdo e por ser surpreendentemente bonito em termos visuais. Há sempre alguma tarefa para fazer, algum segredo ou Pokémon para descobrir e alguém à espera de um combate. Contudo, com o tempo, pode tornar-se repetitivo e desinteressante, à semelhança de inúmeros outros jogos (incluindo mesmo simuladores). Não é o melhor jogo Pokémon, mas é, sem dúvida, digno de nota.

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A nostalgia em Brilliant Diamond & Shining Pearl

Talvez o facto de ter jogado Pokémon Diamond, Pearl e Platinum várias vezes e por muito tempo tenha algum tipo de influência na escrita desta análise, mas, se não fosse a nostalgia, não sabemos que resultado Pokémon Brilliant Diamond & Shining Pearl teria a curto, médio e longo prazo. A nostalgia atraiu-me  novamente para o universo Pokémon e levou-me até Sinnoh, onde reencontrei dezenas de cenários, personagens e momentos que guardava na memória.

Para fãs de Pokémon, este regresso é quase obrigatório e inevitável. Para novos jogadores, será certamente o começo de uma agradável viagem, como a que muitos descobriram há 10, 15 ou 20 anos.

Pokémon Brilliant Diamond & Shining Pearl, lançado a 19 de novembro, está disponível em exclusivo para Nintendo Switch.

CONCLUSÃO
Não é perfeito, mas é brilhante!
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