Feliz sou em anunciar que o género shmup não está morto, está longe desse estado necrótico, na verdade. A verdadeira questão prende-se, em toda a honestidade, com a inovação de cada oferta. Enquanto que géneros dispõem de muita variedade um shmup, à partida, já se sabe como começa e termina. Project Starship X, no entanto, consegue possuir os alicerces de um título tradicional e ainda inovar com a sua atmosfera, humor e cores vibrantes, assim como jogabilidade explosiva. Ele não é, na realidade, uma verdadeira novidade, é sim, uma sequela melhorada do original Project Starship, desenvolvido pela Panda Indie Studio.

Ao contrário de muitos videojogos Project Starship X não tem, que eu tivesse entendido, uma narrativa propriamente dita. Nem uma simples frase ou expressão que retrate o salvar do mundo; absolutamente nada! Constata-se, portanto, que este título em particular não necessita de uma história. Onde outrora ficaria um vazio por preencher está presente o humor e a acção mais radicais alguma vez testemunhados.

Apesar de manipular um género de videojogo – shoot’ em upProject Starship X detém elementos de horror cósmico com ficção científica, não fosse a sua introdução a várias personagens inspiradas nas criações de H.P. Lovecraft, e também de rogue-lite shooter (no que diz respeito a desbloquear coisas para próximas jogatinas). O maior trunfo deste título é, na realidade, como ele subverte ideias pré-estabelecidas na jogabilidade. Isto, claro, sem nunca prejudicar todas as outras áreas, inclusive estas ajudam em transformar toda a experiência num bolo severamente psicadélico e divertido. Acredita quando te é dito que nunca jogaste algo semelhante até ao momento.

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Antes de tudo é importante escolher uma personagem. Cada uma proporciona uma ligeira alteração na jogabilidade: uma tem mais pontos de vida, a nave da outra dispara mais lentamente, mas mais forte, entre outros. De seguida o próximo aspeto mais comum é toda a acção decorrer como um shmup vertical. O painel principal desloca-se de baixo para cima, com as laterais a servirem de indicação como estado psicológico da personagem, pontos de vida, entre outras informações menos importantes e mais lúdicas. Só por aqui já está apresentada bastante personalidade, mas o melhor vem com um estado caótico fácil de seguir e compreender.

Louco e pândego seriam escolhas exímias para descrever Project Starship X. Todos os elementos como a banda-sonora, os visuais e a jogabilidade trabalham em conjunto. CRASH-KILL, uma das mecânicas mais ambiciosas faz jus à expressão “a melhor defesa é o ataque”. Aqui se prende o curioso do título, e a razão principal pela qual ele subverte tanta expectativa: uma mecânica de esquiva ou ataque simultaneamente. O espaço, aleatoriamente gerado ou não, é um sítio tenebroso e perigoso, exigindo reflexos por parte do piloto que a conduz. CRASH-KILL tanto serve como uma generosa quantidade de i-frames (invencibility frames) ou como ataque fortíssimo arremessando a nave contra o inimigo. Num estilo de jogo onde o objetivo é evitar todos os projéteis CRASH-KILL surge como antítese.

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A ajudar esta patuscada interestelar estão os visuais que são dos mais carismáticos e doidos alguma vez vistos. Não faltam cores vibrantes, espetáculos de luzes ou até desígnios interessantíssimos tanto nos inimigos comuns como os mais fortes. Como complemento está uma banda-sonora deliciosamente reminiscente de títulos mais antigos com uma reviravolta: dependendo da intensidade no ecrã a música fica, igualmente, mais ou menos intensa. Sem dúvida que foi um dos aspetos mais apreciados durante o tempo de análise.

Mas Project Starship X tem mais na manga. Embora existam catorze níveis diferentes todas as playthroughs são feitas em grupos de cinco aleatoriamente gerados. Dependendo da pontuação e outros fatores são desbloqueados mais personagens e novos modos de jogo, incluindo um intitulado Mad Events. Estes eventos maníacos sucedem sem aviso prévio durante a jogabilidade e apimentam bastante a ação já caótica, mas nunca de uma forma injusta.

Diga-se de passagem, no entanto, que a jogabilidade não é relativamente difícil. Os projéteis lançados são generosos na sua velocidade e os inimigos finais de cada nível são bastante previsíveis com ligeiras alterações no seu padrão de ataque. É também um videojogo bastante curto; mesmo com a variedade toda apresentada e publicitada.

Project Starship X já está disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e na Steam para PC, Mac e Linux.

Conclusão da Análise
Diferente
7
Desde muito cedo um confesso apaixonado pelos mundos da PlayStation e consolas Nintendo. No entanto a vida dá muitas voltas e agora o seu amor foca-se nas novas Xbox Series. Nada como paixão à primeira vista, não é verdade?