A passar já os 25 anos de legado, Resident Evil é, sem sombra de dúvida, uma das sagas de videojogos mais respeitadas do mundo. Em Março de 1996, a Capcom deu a conhecer ao mundo o seu primeiro título da série, que com certeza não esperariam ter mais de 100 milhões de cópias vendidas da saga um pouco por todo o mundo.

A série já passou por altos e baixos, além de imensas “mutações” na sua identidade. Se o que se conhecia nos anos 90 fora uma experiência mais survival horror com gestão de recursos ao limite, esse conceito foi-se deteriorando a passo lento, jogo após jogo, levando a os jogos a caminhos mais frenéticos, cheios de acção e bem ao estilo “Hollywoodesco“. Mas decerto; a maior mudança na franquia aconteceu em 2017, com o anúncio inesperado e posterior lançamento de Resident Evil 7, uma experiência em primeira pessoa que surgiria após muita insatisfação com os recentes rumos tomados pela Capcom com a saga.

Esta perspectiva que ao início parecera assustadora para os fãs mais dedicados, mostrou-se futuramente ser a grande modernização que a série necessitava. A perspectiva de primeira pessoa compôs-se de uma grande imersão, com os maiores elementos clássicos da série presentes; terror, puzzles, exploração, estratégia e gestão de recursos.

E é aqui que entra Resident Evil Village, o jogo mais recente da saga como sequela directa de Resident Evil 7, e seguindo o mesmo rumo do seu antecessor, com perspectiva de primeira pessoa e novamente na pele de Ethan Winters. Aconselho que jogues Resident Evil 7 antes de te aventurares por este, mas caso não o faças, ou não te lembres dos eventos passados, ficarás contente em saber que existe um recap com todos os acontecimentos importantes que se passaram antes dos eventos deste título, uma lembrança da Capcom a pensar nos novos jogadores e nos mais esquecidos (como eu).

Mais uma vez, controlamos Ethan Winters, três anos após os acontecimentos em Louisiana que mudaram por completo a sua vida. Ethan vive com a sua esposa Mia, e a sua filha bebé Rosemary, numa espécie de recuperação longa e lenta de todos os traumas que ambos viveram no passado. É palpável o desconforto constante do casal, que mesmo num ambiente calmo e pacato, não consegue tirar os pesadelos passados das suas cabeças. Tudo parece calmo após mais umas das suas rotinas caseiras banais, até que subitamente aparece na residência Chris Redfield (sim, ele mesmo), que sem qualquer explicação rapta a ainda bebé Rose, e nocauteia Ethan. Do nada, já assumindo a jogabilidade na pele de Ethan, o personagem acorda moribundo, vazio, completamente à deriva; e sobretudo angustiado em saber que a sua filha se encontra nas mãos de possíveis ameaças. Tal como em Resident Evil 7, a jornada de Ethan passa por procurar alguém que lhe é muito querido, e respostas para todos os acontecimentos, mas desta vez toda a acção é passada numa vila remota algures pela Europa.

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A grande diferença que separa o Ethan de Resident Evil 7 para o Ethan do oitavo capítulo da série, é a evolução da sua personagem. É notável a madureza da personagem. Ethan não melhorou apenas carismaticamente, agora o personagem conta com uma grande preparação bélica e de combate. Muito mais diálogo também está presente na voz de Todd Soley (versão língua inglesa), emoções, e a forma capaz de transmitir a importância sentida através da sua ansiedade e afogo.

A história apesar de impactante e sólida, conta com alguns dos seus momentos nonsense distintivos que a série nos vem habituando ao longo dos anos, não é por acaso que falamos de uma saga que nos dá o último confronto de Resident Evil 5 dentro de um vulcão activo, em que Chris acaba por empurrar uma enorme rocha literalmente ao soco. Ou Resident Evil 4, em que combatemos com o caricato boss Salazar em forma de estátua gigante robótica.

A jogabilidade não apresenta de todo grandes surpresas para quem jogou o seu antecessor. As mecânicas de exploração melhoraram, já que agora se consegue verificar através de cores que zonas exploraste por completo, assim como uma sensação de liberdade numa vertente semiaberta quando andas pelas ruas da Village, que basicamente funciona como um HUB que te faz as ligações entre as localizações. Os puzzles são mais elaborados em relação a Resident Evil 7, mas continuam a passar a mesma sensação de facilidade. Um novo modo de “caça” foi implementado neste jogo, e mesmo parecendo ridículo na teoria, dei por mim várias vezes a estripar galinhas e porcos; já que os materiais podem ser cozinhados pelo misterioso vendedor, em troca de habilidades passivas como mais HP, resistência, etc. Em síntese, a jogabilidade é acondicionada por 3 pilares sempre sólidos já presentes no antecessor, e que sustentam toda a experiência: acção, exploração, e resolução de puzzles, tudo o que precisas para um bom Resident Evil.

Acredito que a versão definitiva deste oitavo título da Capcom, seja na Playstation 5, já que não só a consola mais beneficiada pelos carregamentos (mas… mas eles nem existem), assim como toda a performance do Dualsense, que, mais uma vez, surpreende; conseguindo causar ainda mais imersão ao universo de Village, graças ao haptic feedback. Este comando é realmente especial, que além de uma vibração muito singular, consegue transmitir tão bem o peso de cada arma. Por exemplo: armas, como a caçadeira, ou sniper, têm um feedback muito personalizado na sua vibração, além de causar muita resistência aos gatilhos.

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A Vila, em formato de HUB que liga tudo, tal como expliquei anteriormente, leva-nos a várias zonas, cada um com o seu guardião. Sem querer largar spoilers que possam estragar a tua experiência, deixa-me dizer-te apenas que existem batalhas contra bosses geralmente no final de cada “fase”. Em suma, as batalhas são boas, e muito características de cada ambiente no qual se passará o confronto.

Como já vem sido fácil de identificar através de tudo o que a Capcom nos vem mostrando, este oitavo título da série bebe muito da fonte de Resident Evil 4. A começar pela Vila, com toda aquela arquitectura muito singular baseada na Europa, passando pelo Duke, o novo vendedor carismático do título, que até faz algumas referências ao estranho merchant de Resident Evil 4 com algumas das suas falas mais marcantes.

Resident Evil 8 entrega um título muito rico não só visualmente com os seus cenários, iluminação e partículas; como através do seu áudio e ambiente. É um jogo muito polido em ambas as versões old e next-gen, o que demonstra mais uma vez o potencial desta brilhante engine da Capcom, que envelhece como o vinho do Porto. Nas versões de consolas Playstation 5 e Xbox Series, terás a oportunidade de jogar com Ray Tracing ligado, tornando a experiência ainda mais bela e dinâmica.

Após terminares a campanha, irás desbloquear o modo Mercenaries. Um estilo mais arcade que consiste em matar o máximo de inimigos possível dentro de tempo limitado, com power-ups, e com Duke a comandar a gestão que irás fazer dos créditos em silver. É um modo super interessante e sempre cheio de acção, e que te vai dar mais valor de repetição à tua experiência.

Resident Evil Village já está disponível para a PlayStation 4, Xbox One, PlayStation 5, Xbox Series X|S, Google Stadia, e na Steam para PC.

Conclusão da Análise
ESPETACULAR!
9
Curioso, explorador, e fã de videojogos desde que me lembro, e em especial pela saga Metal Gear. Não jogo plataformas, jogo jogos.