Talento, Impacto e Paixão. São estas três direcções que movem Sea of Roses, um jogo que manifesta em todo o seu esplendor, e nos mostra como a cegueira do amor pode prejudicar e consumir uma relação.

Este é o primeiro título do estúdio Português Crescent Tea, fundado em 2020 por André Fidalgo, Andreia Batista e Ariana Parrilha. São estes os três responsáveis pelas três envolventes direcções que movem todo o projecto, e que desde muito cedo assumiram a vontade de nos brindar com uma narrativa provocante, controversa, mas acima de tudo muito necessária de discussão nos dias que correm.

Nesta experiência narrativa point and click, assumimos a pele de Marion, uma jovem com pontos de vista e ideais muito antiquados, fruto de uma educação quase que provinciana e muito machista, em que os seus ensinamentos lhe manifestam uma certa desconfiança e dificuldades em perceber coisas simples como a independência da mulher, e a importância da felicidade numa relação, bem como, a importância de ter escolha.

O jogo inicia com as únicas voice lines “vivas” que irás ouvir no jogo, protagonizado por Nola Klop. Acordamos com Marion de forma abrupta e com algum desconforto num sotão, que aparentemente mesmo sendo em sua casa, parece de alguma forma modificado. Ao sair da divisão para procurar respostas, Marion reconhece que ainda assim se encontra na sua zona de conforto na sua casa, apesar de todas as modificações, e será aí que encontra Alma; a primeira e a mais importante personagem de todo o jogo. Alma, funciona quase como um alter ego da protagonista, assumindo desde logo uma postura muito independente, progressiva e de grande autonomia; sempre com uma confiança de mulher realizada e bem resolvida.

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Será Alma, com a ajuda das restantes personagens, a combinar com as tuas escolhas, que irão através do seu conhecimento e modos de vida com pontos de vista únicos, libertar Marion daquilo que é uma relação estrita e obsessiva. Existem vários finais, dependendo apenas de ti para os realizar.

Tanto os personagens, como o universo onde o jogo se passa, é de um encanto robusto. Mesmo com diálogo apenas escrito, conseguimos sentir a aura das personagens através dos toques subtis das teclas de piano que acompanham cada personagem, em cada acontecimento. O estilo artístico de desenho à mão fazem a experiência ser muito especial, e cada cenário onde me deslocava era uma surpresa, sempre capaz de me fazer parar o movimento para apreciar um pouco dos destaques mais peculiares de cada zona fictícia de Seallea, o local onde o jogo se passa.

Dividido por 4 capítulos, a jogabilidade é do mais simples que pode haver, consistindo apenas no uso dos direccionais (ou WASD) para movimentares a tua personagem, e apenas uma tecla de interacção, que no meu caso escolhi o enter. Existem dois modos de jogo, o modo para os mais apressados com a história principal, e o extended cut com extras que te irão dar a conhecer um pouco mais daquele universo fantástico. Posso-te já garantir que das mais ou menos 3 horas de jogo, 80% de Sea of Roses será diálogo escrito, com os restantes 20% de movimentação pelo mapa, portanto, aconselho mesmo que jogues numa fase mais concentrada do teu dia e, se possível, a acompanhar com pipocas (ou batatas).

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Sea of Roses já está disponível na Steam para PC.

Conclusão da Análise
Impactante
8
Curioso, explorador, e fã de videojogos desde que me lembro, e em especial pela saga Metal Gear. Não jogo plataformas, jogo jogos.