Depois da experiência bem divertida e cheia de macacadas de The Survivalist, hoje trago-te The Long Dark. Desenvolvido pela Hinterland Studio, este é um jogo mais sério também focado no género de sobrevivência que chegou recentemente à Nintendo Switch

O mundo de The Long Dark

The Long Dark transporta-nos para um mundo frio e quase inóspito, de paisagens brancas onde o perigo espreita sedento de fome. Aqui irás explorar em primeira pessoa o fim do mundo, ou pelo menos, sentirás-te na solitude de caminhar sobre o seu desfecho trágico deste, consequente das garras geladas da Mãe Natureza.

The Long Dark lançado já para outras plataformas em 2017, oferece-nos um mundo aberto para explorarmos, com a opção de jogarmos 3 modos de jogo: o modo de estória “Wintermute”, “Survival” e “Challenge”. Este último, confere-nos pequenos desafios com objectivos a cumprir, ao passo que no modo Survival exploras o mundo aberto e todas as suas regiões livre e cautelosamente. Fazeres-te à vida tentando sobreviver um dia de cada vez, e os quantos mais puderes, é o desafio do modo Survival. No entanto tem em atenção ainda, que uma vez que morto, não poderás regressar a nenhum ponto de gravação, sendo apenas possível recomeçar tudo do início.

Com isto, chegamos ao modo Wintermute, onde testemunhamos a estória episódica de sobrevivência de Mackenzie. Este trata-se de um piloto que recebe um pedido urgente da sua ex-companheira, que necessita de voar rumo ao norte do Canadá. Como qualquer bom jogo de survival, despenhamo-nos nesta estória, após vislumbrar-mos umas estranhas luzes no céu, e quando recuperamos a consciência, a nossa parceira desapareceu.

the long dark (1)  

As mecânicas de sobrevivência

Com o inventário limitado a peso, e os settings de dificuldade no grau de Voyageur, sendo este o normal entre os disponíveis, deparei-me a percorrer este cenário abandonado, escalando montanhas, pilhando casas abandonadas, e aproveitando o que os mortos deixaram para trás junto com os seus corpos. Isto numa busca desenfreada por saber o paradeiro de Astrid, mas sobretudo de mantimentos, que a início escacearam rapidamente devido ao meu ritmo de aprendizagem e de controlo das necessidades da personagem. 

Com uma boa mão cheia de soluções para satisfazerem as tuas necessidades, como construir um fogueira, uma cama, reparar e remendar itens e roupas, tornar a neve em água potável e cozinhar o que a vida selvagem nos providência, consegues ter umas noções muito reais de uma jornada desta magnitude. No entanto o tom sério, duro, e algo melancólico de The Long Dark torna-se ainda mais realista quando mal nos deixa piscar os olhos sem estarmos plenamente conscientes das consequências de cada acção que tomamos. 

Ora, como em qualquer outro jogo, temos aqui presente um sistema para vigiar as necessidades e saúde do nosso personagem. Necessidades essas medidas através da temperatura corporal, a fadiga, a sede, a fome, e da barra de vida de MacKenzie. Basta alguma destas descer para um nível em que está em risco de entrar em estado crítico, e logo saberás que por exemplo estás a entrar em hipotermia, ou que corres o risco de torcer um pé, ou de desmaiar… 

the long dark (2)  

A início devo dizer que parecia malabarismo tentar equilibrar sobretudo as quatro necessidades básicas, mas mais à frente nos episódios, a derradeira dificuldade começa a ser decidir o que droppar do inventário e o que manter. “Preciso assim de tantas barritas energéticas e latas de sumo, quando tenho alimentos mais eficientes? Por outro lado, estas pesam menos na mochila… mas também em situação de emergência não me conseguirão garantir a vida a longo prazo.”

Coloca todos os teus argumentos na balança e pondera bastante cada trajecto, pois até a questão de se deves ou não correr, irá influenciar rapidamente o declínio da tua saúde. No entanto para bem ou para mal, e especialmente para mal dada a minha pessoa, não te precisas de preocupar em ponderar o mesmo em relação a saltar. Tudo bem, na via real também não andamos aí aos saltos, mas dado o jogo ser de sobrevivência e exploração, gostaria de pelo menos ter essa acção disponível.

Procura sítios abrigados do vento para construíres uma fogueira e cozinhares, descansa em casas e veículos abandonados, alimenta-te do que encontras e do que caças. Sobrevive a ataques de lobos e do temível urso que prescruta o topo da colina. Aqui alguns detalhes deixaram-me algo inquieta, como ter de torcer o pescoço a um coelho para concluir a matança e poder usufruir da sua carne, no entanto outros como ouvir os lobos bem perto de nós quando estes ainda estão a largas distâncias da nossa posição, ou querer interagir com pedaços de árvores que não posso usar para recolher madeira, desapontaram-me um bocado.

TheLongDark grey mother  

Não obstante, é no modo Wintermute que The Long Dark triunfa com um storytelling poderosíssimo apesar de escasso, mas que nos confere sempre um rumo indispensável. Creio que é por este mundo sentir-se tão vazio e frio que nos agarramos ao calor das suas poucas personagens. Isso, e devido aos diálogos que temos com essas serem amplificados pela gravidade das suas pausas e profundidade do seu silêncio, onde ouves o calor, e o estalar da lenha. Senti-me verdadeiramente incapaz de deixar estas personagens, após estas se revelarem tão humanamente bem escritas. Também as notas que vais encontrando pelo caminho, deixadas por alguns que já partiram e outros que vão tentar a sua sorte, ajudam a desmistificar a gravidade da situação por que estas pequenas vilas passaram.

A música é por vezes a nossa única companheira, e devo dizer, sinto-a muito próxima da companhia que tive com os temas noturnos de Skyrim. É leve, mas é sonante e tanto nos dá para descontrair ao mesmo tempo que sentimos ainda o peso da solitude e da ausência de vida nos interiores, como para nos manter constantemente alerta quando expostos no exterior. Uma trilha enaltecida um pouco mais pelo grafismo que igualmente procura não se revelar muito austero ao passo que procura transmitir o realismo e a dureza.

The Long Dark já está disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e na Steam para PC.

Conclusão da Análise
Intrigante.
7.6
Apaixonada pelo mundo do cinema e dos videojogos. A ficção agarrou-me e não me largou mais! A vida levou-me pelo caminho da Pós-Produção, do Marketing e da organização de Eventos de cultura pop, mas o meu tempo livre, dedico-o a ti e à Squared Potato.