Já lá vão uns tempos desde que um jogo me fez sentir assim… E não digo isto por Messenger ser claramente uma grande homenagem a Ninja Gaiden e à sua Era. Falo também porque jogar este jogo, nesta época do ano, tem mesmo um sabor muito especial e transversal a gerações.

Messenger, é um videojogo de acção e plataformas, com gráficos ao estilo das eras 8-bit e 16-bit, desenvolvido pela Sabotage Studio e publicado pela Devolver Digital no final de Agosto. Este, já não se livra do estatuto de nomeado para as categorias de “Melhor Jogo Independente” e “Melhor Estreia de Jogo Indie” para esta edição dos The Game Awards, e como tal, decidi revisitá-lo para trazer-te esta análise.

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Este videojogo introduz-te a uma história muito simples à primeira vista: Aqui, tomas o papel de um ninja numa vila antiga, que certo dia é atacada pelo Demon King. Um demónio que ameaça destruir o mundo, e que segundo uma velha profecia, só poderá ser destruído se um herói do Oeste vier entregar a um mensageiro da aldeia, um manuscrito muito poderoso que deverá ser levado até aos três magos da ilha. Este passar do testemunho, é algo que nos relembra simbolicamente o jogo que foi a sua inspiração, mas as semelhanças, não se ficam por aqui, prometo! Como mensageiro, terás de desbravar caminho entre o inferno e o céu para cumprires com a tua missão, sem te livrares, claro, de uma boa dose de bosses à tua espera para impedirem o teu sucesso.

Como disse, a história parece simples, mas sem querer revelar muito mais, digo-te que ao longo do jogo vão se desenvolvendo uns twists verdadeiramente surpreendentes. Contudo a verdadeira estrela neste campo é a comicidade dos diálogos de Messenger. Esses, partem quaisquer barreiras dimensionais e até brincam com o próprio jogador. A certa altura, até é colocado em questão se a nossa personagem chegou a assistir sequer ao trailer do jogo!

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O maior de todos os desenvolvimentos a nível de história deste jogo, sendo que é a mecânica principal do mesmo e sendo essa muito destacada nos seus trailers, é o timetravel entre o passado e o futuro, era 8-bit e 16-bit respectivamente. Com o timetravel, é portanto possível resolver certos puzzles em secções dos mapas, a que até então não tinhas acesso. Pois com a evolução dos tempos, certas zonas interditas no passado, passam a estar desbravadas pela intervenção do homem no futuro, e vince versa. Desta feita, consegues apanhar os itens de que necessitas, embora não tenhas assim uma grande variedade dos mesmos. 

Isto até é bom, porque mantém o jogo simples e coeso. A par e passo, também os controlos começam por ser simples, e até que dispomos de algumas acções muito semelhantes às disponíveis em Ninja Gaiden. Contudo, através de uma skills tree, vais desbloqueando certas habilidades, e com o passar dos boss, novas técnicas, que vão apimentando sempre a complexidade do jogo. Este é mesmo um daqueles jogos onde não tens muita margem de manobra. O timing e os movimentos do personagem, têm de ser bem calculados para se prosseguir entre as secções do jogo.

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Por falar em habilidades e acções, e porque já mencionei a inspiração em Ninja Gaiden algumas vezes, é de se sublinhar que a própria animação da nossa personagem principal é extremamente inspirada nas animações desse mesmo videojogo. A própria acção de trepar paredes, o salto, o andar… são quase uma reencarnação de Ryu. Mas não nos ficamos por aqui. O próprio conceito visual da nossa personagem principal é a cara chapada de Ryu Hayabusa, o ninja que controlamos no jogo a quem Messenger faz homenagem. Isto, é posto ainda mais em evidência nas caixas de diálogo em que vemos o avatar do nosso personagem. Com isto, é escusado dizer que os próprios developers de Ninja Gaiden se deliciaram com esta obra-prima, mas é importante referir que Messenger possuí ainda assim uma identidade muito sua, apesar de ser construído ao redor de todo este amor.

Falando agora da arte e da animação de uma forma mais generalista, é um deleite absorver níveis e inimigos com conceitos tão criativos, meticulosamente desenhados em 8-bit! Melhor ainda, é vermos estes depois evoluírem para a era 16-bit mesmo à frente dos nossos olhos, ganhando ainda mais detalhes e gradação de cores, com as animações também a acompanhar esta evolução dos tempos. Com isto tudo, claro que a banda sonora não poderia deixar de nos acompanhar em toda esta viagem temporal, acrescentando mais profundidade e sons às secções da era 16-bit. Como resultado, a cada salto temporal consegue-se mesmo sentir a música a transitar entre as eras e a continuar a sua melodia ininterruptamente.

The Messeger já está disponível na Nintendo Switch e na Steam, para PC, contudo ainda está para ser anunciada a sua data de lançamento para PlayStation 4 e Xbox One.

Conclusão da Análise
Absolutamente obrigatório para todos os ninjas dos videojogos!
8.5
Apaixonada pelo mundo do cinema e dos videojogos. A ficção agarrou-me e não me largou mais! A vida levou-me pelo caminho da Pós-Produção, do Marketing e da organização de Eventos de cultura pop, mas o meu tempo livre, dedico-o a ti e à Squared Potato.