Embora adore videojogos, sou também um ávido leitor de manga e sempre quis dedicar a minha escrita a esta bela arte, que também em si se diversifica como os videojogos. Pensei e pensei em qual seria a melhor saga/obra com que começar, e verdadeiramente não me lembrei de uma saga que fosse tão marcante em ambos estes meios como The Legend of Zelda. Apoiando-me nas lindíssimas Legendary Edition que a Viz Media editou, vamos ao que interessa.

Costuma-se dizer que sempre que existe uma adaptação de uma arte para outra as coisas tendem a correr para o torto. Falo de adaptações de livros para filmes, videojogos para filmes, livros para videojogos, até mesmo de mangas para animes existem deslizes (estou-te a ver Fullmetal Alchemist).

Ora, escrito isto, passo ao destaque deste artigo, que por acaso é uma adaptação desenhada de um dos melhores videojogos de sempre: The Legend of Zelda: Ocarina of Time. Ocarina saiu originalmente na Nintendo 64, tendo sido recriado 13 anos depois na Nintendo 3DS. A quinta entrada na lendária saga protagonizada por Link e a primeira a ser lançada em 3D.

Embora já existisse um programa animado de televisão, Kishimoto procurava algo mais (na verdade queria algo melhor, porque a animação americana deixou-o um pouco desiludido ao que parece). Existiam então duas opções, anime ou manga, e a verdade é que ambos acabaram por acontecer, no entanto o anime saiu bastantes anos depois, tomando então a decisão de adaptar esta obra de arte para as páginas a preto e branco.

Em quem confiar para tomar esta decisão? Ora, na altura do lançamento de Ocarina of Time uma dupla de artistas femininas, de seu nome Akira Himekawa, encontrava-se em ascensão, tendo estas sido as escolhidas pela Nintendo. Revelando nunca terem jogado o jogo, comprometeram-se a honrá-lo da melhor forma possível, e assim cumpriram.

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Não é fácil converter um jogo em manga, ainda para mais um jogo como Legend of Zelda em que o protagonista é mudo e as personagens secundárias com destaque e falas relevantes são no máximo 4. Com isto em conta, temos uma tarefa ainda mais complicada em mãos, visto que Link não podia soar nem demasiado bem nem demasiado mal.

Meteram então mãos à obra e sem dúvida que acertaram na mouche, representando Link como alguém carinhoso e destemido, retratando-o tanto em cenas emocionais como altamente perigosas, e todas as reacções encaixaram que nem luvas. As falas são curtas mas concisas e a interacção com cada pessoa não só o ajuda a moderar a maneira de ser, como mais tarde na história fecha o círculo aberto na primeira metade de uma forma madura.

Para quem nunca jogou ou leu, a história de Ocarina of Time passa-se em Hyrule, com o jovem Link a crescer numa pequena aldeia situada na floresta Kokiri. Esta aldeia é casa da tribo Kokiri e da Grande Árvore Deku, um mentor para o caminho do nosso herói.

Após certos acontecimentos, Link visita a cidade do castelo de Hyrule e depara-se com a princesa do reino, de seu nome Zelda. Com uma breve explicação da princesa, este apercebe-se de que existe um mal maior, e que só será corrigido com a reunião de uma combinação de elementos que permitem expulsar o mal que assombra o reino, este então, destemido e acompanhado da sua fada Navi, coloca-se a caminho.

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A jornada de Link é excelentemente replicada nas páginas, com a adição de um capítulo altamente emocional e de várias mini-histórias, consegue acrescentar uma camada que raramente se vê na saga. Esta segue o ritmo normal do jogo, com Link a chegar a uma nova localização, conhecer alguém que o coloque a par da situação e que o indique para a resolução do tradicional problema que aquela zona tenha.

As lutas são relativamente curtas, o que por um lado desilude pois queremos ver mais, mas por outro acrescenta uma camada de realismo no sentido em que “qualquer corte pode ser fatal”, o que redobra os cuidados de Link, amadurecendo a história.

A arte é simplesmente fantástica, com traços simplistas, que se apoiam no sombreado para “avivar” o quadro. Não sou grande fã das expressões faciais do duo, achando que afastam demasiado os olhos das personagens, mas não impede em nada de apreciar este belíssimo trabalho artístico.

Como já referi, a edição que li foi editada pela Viz Media, chamada Legendary Edition. Não só fica lindamente na estante, como se encontra acompanhada por mais 4 volumes sobre os quais irei escrever (não consigo precisar o espaçamento temporal pois ainda não comprei todos). As páginas são grossas e a tinta é de alta qualidade, valendo todos os euros.

The Legend of Zelda: Legendary Edition Vol.1 está disponível em Portugal através da Wook. Espreita também a coleção completa aqui.