Se pensavas que já tinhas visto tudo em termos de animação em 2020, engana-te. Sob a forma mais discreta possível, estreou mais um grande filme de animação do muito conceituado Cartoon Saloon: Wolfwalkers.

Wolfwalkers seque a história de uma rapariga, Robyn Goodfellowe (Honor Kneafsey) e do seu Pai, Bill Goodfellowe (Sean Bean) que se mudaram para a cidade de Kilkenny, na Irlanda de 1650. A razão prende-se com o trabalho de Bill, cujas habilidades de caçador foram requisitadas pelo Lorde Protector, Oliver Cromwell, para remover a constante ameaça dos lobos que habitam na floresta. Logo vem a questão: o porquê disto? Para este poder expandir o seu território, destruindo a floresta que predomina nas imediações.

Bill segue para o seu trabalho, enquanto a sua filha Robyn fica em casa, com ansiedade de também partir para a caça, ainda que nunca tenha visto um lobo na sua vida. Não conseguindo aguardar mais, esta, sorrateiramente deixa as muralhas do reino. Mas o que ela não sabe é que há mais para além de lobos por lá, os Wolfwalkers! Metade humanos, metade lobos, estes são a causa do constante sucesso na protecção da floresta, tendo a habilidade de controlar os lobos à sua maneira.
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Pouco a pouco, Robyn vai-se apercebendo de que talvez sejam os humanos que estejam a ser os verdadeiros seres invasores e não os lobos. E que talvez o seu futuro como caçadora não seja aquele que lhe trará a verdadeira paz de espírito… É algo que terás que ver por ti neste filme!

Wolfwalkers mostra como, por vezes, os desejos perversos dos humanos ignoram e ofuscam completamente a percepção do mal que criam tanto no reino animal como na própria natureza. Umas vezes ganha-se e outras vezes se perde, e este filme soube demonstrar  na perfeição o resultado deste conflito entre homem e animal, com seres mágicos à mistura. Infelizmente, na vida real a magia não se mostra presente no combate à pegada do ser humano, e a única forma de o fazer é com a consciencialização, através de obras como esta, que nos alertam para os males que temos vindo a fazer ao nosso ecossistema, e em especial a toda a vida animal.

Arte com vida e movimento

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Se há coisa mais mágica em Wolfwalkers é a sua animação. Se há ingrediente perfeito para uma boa animação é o amor e dedicação pela mesma. A equipa responsável soube muito bem executar os traços das personagens e elevar a fasquia nos momentos-chave. Uma curiosidade interessante que notei é o estilo de traço que é aplicado às personagens do filme. A população está bem desenhada e limpa, enquanto os seres da natureza (lado selvagem) está com os traços de rascunho ainda aplicados. São pormenores como este que se tornam prova viva de que a animação tradicional ainda não está acabada, e que ainda tem muito para nos oferecer, destacando-se do mundo da animação 3D que vemos hoje.

Se há filme que Possa inspirar e levar muitos a seguirem o ramo da animação tradicional, este é um deles!

Por fim, a banda sonora está divinal. Esta casa-se perfeitamente com todo o enredo do filme. A música Running with the Wolves é, talvez, uma das minhas músicas favoritas de 2020, ainda permanecendo na minha memória como uma constante lembrança de como amei assistir Wolfwalkers.

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Infelizmente, este filme, tal como os lobos na floresta, passou por baixo de muitos dos nossos narizes. Isto porque estreou na plataforma de streaming Apple TV+. Contudo, a própria Apple poderia ter publicitado mais o filme, angariando mais utilizadores para a sua, ainda um pouco verde, plataforma de streaming de filmes e séries.

Conclusão da Análise
Lindo!
9.5
Um fanático por Nintendo, de nome "Nintendista", que procura mostrar ao mundo o lado mágico da empresa que o acompanhou durante toda a vida.