Se existe franquia que persiste regularmente, ano após ano, desde 2003, larga parte devido à sua legião de fãs bastante vocal, essa chama-se Disgaea: um RPG tático e estratégico que sempre se destacou pelos pontos estatísticos demasiado altos das suas personagens, jogabilidade complexa e diálogo bem-humorado. Aliás, para uma série tão nicho como Disgaea, esta, em 2021, chegou às cinco milhões de cópias (digitais e físicas) vendidas mundialmente. Um número deveras impressionante para algo com um público-alvo tão reduzido! Independentemente dos números em questão, Disgaea é uma franquia que consegue surpreender, iteração atrás de iteração, pela forma absurda como sobe a fasquia e Disgaea 6: Complete não é exceção.

O meu elemento favorito de qualquer título desta franquia será sempre o enredo profundamente disparatado e absurdo. Disgaea já vai com mais de cinco videojogos e consegue surpreender-me constantemente com novas personagens ou velhas caras conhecidas. No entanto, de um ponto de vista narrativo, o enredo serve apenas para veicular o jogador de um lugar ao outro, não deixando de ser bastante satisfatório por muito simples que seja. Em Disgaea 6 Complete o foco da história centra-se à volta de Zed, um morto-vivo que está constantemente a tentar derrotar o God of Destruction, uma entidade omnipotente que está a tentar destruir (daí o seu nome original) o submundo.

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É isto. Não complica mais. Prometo. A restante trama de Disgaea 6 Complete passa depois pelas personagens que Zed conhece ao longo da narrativa e as interações, hilariantes por natureza, que daí advêm. Deixar este elemento para segundo plano (a estrela sempre foi a jogabilidade) acaba por resultar a seu favor, permitindo que a escrita esteja pouco preocupada em levar-se muito a sério, provocando um sorriso ou outro no jogador por cada vez que a prestação da dobragem em Inglês marca presença no palco.

Felizmente, apesar da saga ser conhecida pelo seu numeroso leque (igualmente) absurdo de mecânicas relacionadas com a jogabilidade, Disgaea 6 Complete consegue, progressivamente, educar o jogador por cada novo elemento introduzido, seja este respetivo ao campo de batalha ou ao sítio onde Zed volta após cada objetivo. Neste último, sempre sob uma apresentação espalhafatosa, Zed pode comprar novos itens, equipamento, recrutar novas personagens e muitas outras surpresas, como uma loja que adultera as mecânicas do jogo para ganhar mais experiência ou dinheiro. É um certo tipo de loucura muito bem vinda para uma saga com tão pouca sanidade.

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Porém nem tudo em Disgaea 6 Complete prima pela positiva. Um dos elementos que tem sido queixa recorrente por fãs, eu incluído, são os menus que fazem gestão de todos os outros sistemas. É sempre uma tarefa desumana pular de sítio a sítio para verificar se as nossas personagens estão aptas para combate, ou para confirmar uma ou outra informação mais comum. Isto, em conjunto com as várias mecânicas presentes poderá provar ser demasiado intimidante para novatos na série. Contudo, com seis videojogos na franquia suponho que, como se costuma dizer, já não é defeito mas sim feitio.

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Quem conhece de gingeira RPGs mais táticos por turnos, com certeza irá sentir-se confortável com Disgaea 6 Complete. Todas as personagens, incluindo inimigos, deslocam-se pelo mapa seguindo o esquema de uma grelha, efetuando escolhas estratégicas sobre onde ficam colocados os heróis no final da jogada. O elemento mais conhecido de Disgaea, no entanto, é a possibilidade de personagens arremessarem outras personagens (sejam inimigos ou aliados!) como ataque ou plano para receber uma vantagem em campo devido ao seu posicionamento. É facilmente um dos elementos mais divertidos e recomendo que experimentem com a funcionalidade para, frequentemente, gerar resultados hilariantes, como várias personagens empilhadas formarem uma torre completamente disparatada. Como não poderia deixar também de ser, esta iteração dispõe de várias classes por desbloquear, cada uma com a sua peculiaridade ou habilidade especial.

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Fora da norma para novatos, mas algo já conhecido para veteranos são os Geo Panels. Embora esta tenha sofrido algumas alterações à sua forma ao longo da série, os Geo Panels são sítios específicos no mapa que produzem vários efeitos: uns causam dano diretamente, outros tornam as personagens mais fortes, alguns teletransportam ou até providenciam experiência! Ter este elemento em conta é sempre importante, e um dos pilares de diversão que separam esta série dos seus congéneres.

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Disgaea 6 Complete no entanto, em comparação com os outros títulos na série é igualmente um dos mais fáceis e difíceis ao mesmo tempo. Não só é uma saga conhecida pela sua imensa dependência em grind (e este título até apresenta mecânicas mais casuais como automatizar o combate, acelerar as animações ou repetir um nível indefinidamente) mas também porque, sensivelmente, a meio da aventura existe um tremendo pico de dificuldade, vindo absolutamente do nada que colocará os neurónios a pensar mais um pouco em arranjar maneiras diferentes de entrar novamente em piloto automático. É uma decisão brusca, mas necessária, outrora seria uma experiência demasiado facilitada.

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Posto isso já é sabido pelos fãs que a história de qualquer Disgaea é nada mais que um prelúdio para o verdadeiro endgame: Item World, uma dimensão que permite acionar combates para aumentar o nível de um item qualquer e a Martial Dimension, uma dimensão nova, repleta de desafios brutais que vão testar a tua paciência e estratégia. Existe muito mais conteúdo por atravessar, mas esse ficará à tua descoberta.

CONCLUSÃO
Tático
7
Desde muito cedo um confesso apaixonado pelos mundos da PlayStation e consolas Nintendo. No entanto a vida dá muitas voltas e agora o seu amor foca-se nas novas Xbox Series. Nada como paixão à primeira vista, não é verdade?
disgaea-6-complete-ps5-analiseEmbora a mudança de gráficos 2D para 3D não tenha sido do agrado geral, para os fãs Disgaea 6 Complete representa aquela prato favorito que se pede sempre no mesmo restaurante, agora com um sabor um pouco diferente. Mesmo com algumas modificações para (pelo menos) colocar os novatos a completar a história principal, quem não é fã da propriedade é muito provável que não seja convertida. Não deixa, no entanto, de ser um bom videojogo e uma boa experiência para quem gosta de RPGs táticos.