O clássico anime Dragon Ball voltou em grande, desta vez ao grande ecrã, com a nova entrada na saga Super, Dragon Ball Super: Super Hero. Até então, esta saga mais recente só tinha um filme: Dragon Ball Super: Broly, lançado em 2018 (em Portugal, 2019), e deixem-me que vos diga, Super Hero é completamente diferente do antecessor. E não estou a falar dos aspetos principais que mais saltam à vista, como a mudança de estilo de animação, mas sim da produção do filme no geral, que é uma obra muito menos focada nas lutas super-épicas que Broly continha (apesar de as ter na mesma), mas sim em recordar o passado, trazendo uma experiência incrivelmente nostálgica para os fãs de longa data.

Antes de chegar ao núcleo desta análise, quero referir que vi o filme na versão original, com o áudio em japonês e legendas em português, e não com a dobragem em português de Portugal, o que não me permite dar a opinião sobre a mesma. Infelizmente, tenho a certeza que perdi umas belas pérolas que a dobragem em português sempre trouxe, como as referências ao Big Show SIC, ou o Vegeta a lutar contra o exército do Freeza (if you know, you know), porém resolvi manter-me fiel à minha forma favorita de assistir Dragon Ball, que é com a lendária Masako Nozawa a fazer as vozes do Goku, do Gohan e até do Goten.

Mesmo no início desta análise, referi que este é um filme cujo principal objetivo é apelar aos fãs, e é exatamente esse ponto que quero dar ênfase ao longo desta minha crítica pessoal ao filme. Logo nos primeiros minutos do filme senti isso, enquanto que clipes do Dragon Ball Z passavam de forma a proporcionar-nos uma espécie de rewind sobre a série inteira, de forma a introduzir-nos às personagens principais do filme, que não são nada mais, nem nada menos, do que membros do exército Red Ribbon. Para quem não se lembra, e também necessita desse tão maravilhoso recap, este era o exército liderado pelo Dr. Gero, que desenvolveu os androides, onde se incluem o 17, a 18, e o lendário vilão Cell.

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Momento do recap nos primeiros minutos de Dragon Ball Super: Super Hero

Neste filme, em vez de termos o Dr. Gero, que foi assassinado pelos andróides após ele próprio se tornar num, temos o seu neto, o Dr. Hedo, que, podem não acreditar, é ainda um maior génio do que o seu avô. Então, o Dr. Hedo é aliciado por Magenta, o líder da Farmacêutica Red, que funciona como fachada para o Red Ribbon, a criar uma nova série de andróides, ainda mais poderosa do que a criada pelo Dr. Gero. Magenta engana o Dr. Hedo, convencendo-o de que o exército Red Ribbon não era na verdade o vilão, mas sim os super-heróis, e que o grupo da Corporação Cápsula, da Bulma e os seus amigos, é que é o vilão. Sendo o Dr. Hedo fã de super-heróis, junta-se ao Red Ribbon com o objetivo de salvar o planeta, porém Magenta pretende a dominação do mundo.

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Para ser honesto, não quero entrar muito em spoilers nesta análise, porém há alguns momentos que não me vou conseguir conter, e vou ter que falar deles, pois de certa forma são o selling point do filme. Alguns destes fazem-me mesmo sentir como se ainda estivesse em casa, a ver o Dragon Ball Z na televisão, e a ficar incrivelmente entusiasmado pelo aparecimento de uma nova transformação, o que infelizmente, na minha opinião, Dragon Ball Super nunca soube fazer na perfeição, devido às constantes novas formas do Goku e do Vegeta, como o Super Saiyajin Blue. Ver o Gohan a voltar ao seu grandioso poder, neste filme, foi sinceramente maravilhoso.

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Sim, se calhar ainda não disse, mas Son Goku e Vegeta não são de todo os protagonistas de Dragon Ball Super: Super Hero. Aliás, atrevia-me a dizer que são das personagens com menos tempo de ecrã neste filme. Desta vez, os protagonistas são Son Gohan e Piccolo, o que não só é revigorante, mas também nostálgico, visto que na altura Gohan derrotou Cell e o exército Red Ribbon. De certa forma, Gohan e Piccolo acabaram por ser de qualquer forma os principais alvos do exército, visto que Goku e Vegeta estavam incontactáveis, já que estavam no planeta do Bills a treinar, e por causa de um acidente com a comida, Bulma não conseguiu contactar o Whis com o seu mecanismo especial.

Então, o Red Ribbon executou o seu plano maquiavélico de raptar a filha de Gohan, Pan, que nesta altura já treinava com o Piccolo, da mesma forma que o pai havia treinado. Porém, Piccolo infiltrou-se na base do exército, e fingiu o rapto de Pan, e tudo graças ao maravilhoso telemóvel do nosso namekuseijin favorito, que mostrou o seu amor (mais ou menos) por peluches de gatinhos. Sim, estou a falar a sério. Porém, no final estes acabaram na boca do lobo, e tiveram que lutar contra os tais super-heróis de exército Red Ribbon, o Gamma 1 e o Gamma 2, e mais tarde a ameaça principal que desbloqueou o poder escondido de Gohan e também de Piccolo, o Cell Max, um Cell gigante criado pelo Dr. Hedo.

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Gamma 1 e Gamma 2, os androides “super-heróis”

Está na hora de falar sobre os outros aspetos. Como já tinha referido antes, a animação deu uma reviravolta completa, apresentando agora uma arte em 3D com CGI, que apesar de no início ter torcido um bocadinho o nariz, acabou por se revelar uma nova forma de reavivar aquelas lutas lendárias de Dragon Ball que todos gostamos, com uma animação excelente, e espero voltar a vê-la em futuros projetos. Em termos de voice acting, a escolha de vozes para as novas personagens foi soberba, exaltando principalmente a Pan, que antes uma recém-nascida, agora tem 3 anos e uma voz maravilhosa protagonizada pela Yūko Minaguchi, que também é a atriz responsável pela voz da mãe, Videl.

No geral, a história de Dragon Ball Super: Super Hero é boa, tendo desta vez, ao contrário de Broly, bastantes momentos de pura comédia, de que já sentia falta. Porém, tenho que notar aqui que houve alguns momentos repetitivos no filme, que já são normais em shōnens, e outros momentos que foram simplesmente apressados devido ao comprimento do filme, principalmente no final do mesmo. Finalmente, senti que a personagem Broly foi mal utilizada neste filme. Quem neste momento já é uma das personagens mais amadas pelos fãs, teve pouquíssima importância em Super Hero, aparecendo apenas no início e no final do filme, tendo quase nenhumas falas e pouco impacto no geral na história, porém os próprios Goku e Vegeta também tiveram igual tratamento, por isso não me posso queixar muito, acho eu.

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Foto de “família” dos nossos lutadores favoritos

Para terminar esta análise, vou fazê-lo voltando ao início da mesma. Dragon Ball Super: Super Hero não é um filme inovador, de todo. Não veio renovar nem evoluir a fórmula nem de Dragon Ball, nem de shōnens no geral. Porém, se é um filme que te vai fazer sentir tão entusiasmado como sentias em puto e a ver Dragon Ball Z na televisão de casa, levantando as mãos para ajudar o Goku a lançar a Genkidama final? Sim, este é o filme para ti. E creio que, se este foi o objetivo do filme, não o de trazer algo que vai mudar muito Dragon Ball no geral, mas apenas trazer algo que sabem que os fãs vão adorar. Tanto a Toei Animation, como a Crunchyroll e Toyotaro fizeram um trabalho incrível, digno de ser visto e revisto tal como os filmes e o anime antigos foram.

CONCLUSÃO
O filme de anime do ano!
9
dragon-ball-super-super-hero-analiseDragon Ball Super: Super Hero é, na minha opinião, um dos filmes mais bem concebidos de Dragon Ball de sempre, usando o fan-service como a sua arma principal, e trazendo uma experiência épica que os fãs da série não se vão esquecer tão rapidamente. Com um novo estilo de animação e protagonistas diferentes do habitual, este é até agora, indiscutivelmente, o filme do ano para amantes de anime.