Digimon

Digimon Adventure, a série lançada em 1999, comemorou recentemente 24 anos, completando mais de duas décadas de aventuras e, claro, Digivoluções épicas. Uma celebração que, para além de nos lembrar que estamos a ficar velhos, nos traz à memória, pelo menos à dos que cresceram com um pé no mundo real e outro no mundo Digital, recordações de momentos que nos acompanharam por muito tempo e que acabaram por enriquecer o nosso imaginário.

Provavelmente pela idade, quando ouço falar em Digimon, penso automaticamente na série original (a de 1999) e na abertura inesquecível, que tinha uma letra que continuo a saber de cor… E aposto que vocês também. Isto, sem esquecer os DigiEscolhidos, que viajaram até ao Mundo Digital para uma aventura impressionante, crescendo ao lado de uma geração que viu a marca Digimon evoluir no ecrã, nos videojogos, no cinema e até em cartas coleccionáveis.

Na televisão

Foi pelo ecrã que tudo começou, quando um tranquilo acampamento de verão transportou os DigiEscolhidos para o Mundo Digital, empurrando-os para uma viagem que nos ofereceu mistério, momentos emocionantes e boas gargalhadas. Da amizade à perda e da coragem à união, foram muitos os ensinamentos que a série, a par de outras emitidas na época, trouxe a todos os que se deixaram conquistar pela história e pelo exercício criativo que deu cor e vida aos Digimon.

Tweetei há uns dias que crescer com Digimon Adventure foi uma das melhores partes de ter nascido nos anos 90. Houve mais, sim, mas esta é de realçar. Na verdade, crescer com a série (ou Pokémon, Oliver e Benji, Doraemon e Yu-Gi-Oh!) foi participar numa vivência coletiva. Os colegas de turma discutiam Digimon, a escola vibrava com Digimon, os amigos de fora da escola acompanhavam Digimon e acredito que certos pais e avós também gostassem de ver Digimon. Um autêntico fenómeno, que marcou a nossa geração e que se mantém intemporal.

Claro que, com os anos, o conceito teve de evoluir (ou de Digivoluir, usando os termos certo) para dar origem a novas temporadas, novas personagens e novas aventuras, mantendo, por bastante tempo, a magia que tornava a série única. Confesso que tenho saudades de quando corria para a televisão assim que começava o genérico de Digimon e de guardar cassetes VHS para gravar a emissão do Canal Panda e poder ver cada episódio tantas vezes quantas quisesse.

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No cinema

Este ponto vai ser super rápido. Na verdade, criei-o só para deixar a pergunta: Vocês viram Digimon: O Filme (2000)? Se sim, de certeza que adoraram. Se não, vejam assim que possível. A sério. Os diálogos são geniais e divertidos em doses extra grandes e a abordagem ao conteúdo a que assistimos na série está muito bem conseguida. Vejam ou revejam, porque Digimon: O Filme merece, sem dúvida, muito mais reconhecimento!

P.S.: O enredo e a banda sonora também estão brutais.

Nas consolas

Comecei a minha longa viagem pelos videojogos de Digimon com o incontornável Digimon World, que sonho ver em breve num remake ou num remaster para as consolas mais recentes. Sim, o mundo está à espera disto. Para ser sincero, penso demasiadas vezes em Digimon World, apesar de o ter jogado há uns bons anos. Lembro-me bem dos gráficos, da música e da sensação de que havia sempre algo mais para descobrir. Agora que penso nisto, é provável que tenha deixado muito conteúdo para trás…

Até ao recente Digimon World: Next Order, a dinâmica do treino e da evolução de Digimon atingiram-me com força e fizeram com que levasse tudo demasiado a sério, a ponto de pesquisar, fazer cálculos e apontar notas para chegar onde queria. Para além da exploração de um mapa que reserva sempre novos desafios e algo por descobrir, grande parte do desafio de Digimon World passa por aprender a criar e a treinar Digimon, condicionando e orientando parâmetros para completar o maior número possível de caminhos de evolução e de formas evoluídas.

Para os seguidores de Digimon que são adeptos de ação e combate, Digimon Rumble Arena e Digimon Rumble Arena 2 foram e são obrigatórios. Estão a ver o Super Smash Bros.? É praticamente igual, só que com Digimon… o que ajuda a criar contexto e batalhas épicas. Lembro-me de reunir amigos em casa para tardes de Digimon Rumble Arena, sempre na tentativa de melhorar técnicas e de derrotar os adversários com os meus Digimon preferidos: Gatomon e Terriermon. Um dia escrevo sobre estes clássicos.

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Para além destes segmentos, outras criações merecem referência, por exemplo na esfera Digimon Story Cyber Sleuth, tanto pela nova abordagem que trouxeram à marca como pelo valor que acrescentaram à experiência de todos os fãs de Digimon. A expansão de um conceito e o desenvolvimento de novas formas de dar vida a um universo são (geralmente) bem-vindas. Aconselho a quem ainda não conhece!

Na caixa das recordações

Como é óbvio, não podia fechar este artigo de memórias sem trazer para a mesa as figuras coleccionáveis e as cartas de Digimon, que guardo em quantidades generosas e com o maior cuidado possível. Para ser sincero, a coleção de cartas foi algo a que me dediquei por bastante tempo, mas que acabou longe de estar completa, quer pela dificuldade em obter certas cartas, quer pela excessiva repetição de determinados Digimon. A sério: onde andavam os protagonistas da série? De qualquer forma, foi apenas por interesse, porque nunca percebi a mecânica do eventual TCG… se é que existia alguma. O importante era e continua a ser a coleção de cartas, não só por eu ser fã de Digimon, mas por esta coleção ser um portal para memórias felizes. A nostalgia é, em muitas ocasiões, o nosso melhor conforto.

Terminado este artigo, que não é mais do que uma viagem ao passado (desculpem), ficou uma vontade ainda maior de reviver as emoções da série e de ser novamente, por 20 e poucos minutos, o miúdo que visitava diariamente um mundo sem problemas reais, onde tudo era imaginação e onde a amizade e a coragem faziam realmente a diferença. Bons tempos.