Numa agradável surpresa que nos faz recordar com nostalgia, o charme dos clássicos jogos stealth, mas com um estilo muito próprio e um toque moderno que não deixa ninguém indiferente, chega-nos Eriksholm: The Stolen Dream, um dos meus indies favoritos do ano. Se aprecias jogos que misturam mistério e estratégia em tempo real, então fica comigo para descobrires porque é que este título merece estar na tua lista de aventuras obrigatórias deste ano.
Desenvolvido pelo estúdio jovem independente River End Games, com uma equipa com menos de 20 pessoas mas bastante experiência, somos colocados na pele e no comando de Hanna, uma órfã que embarca numa jornada em busca do seu irmão, que se encontra foragido das autoridades, e para não carregar nos spoilers, fico-me por aqui. Apenas precisas de saber que o jogo se passa num contexto de praga e opressão policial e política. Trata-se de uma narrativa intrigante e envolvente, que começa com um impacto emocional forte, crescendo em mistério, até se revelar numa robustez que não nos deixa largar o comando e nos faz querer saber sempre mais, como nos bons velhos tempos.
O jogo destaca-se à primeira visto pela sua estética isométrica, e pelos visuais cativantes que nos dão uma mistura do mais recente Clair Obscur com a franquia Plague Tale. Apesar da época passada, o visual tem um acabamento moderno e sofisticado. A cidade fictícia de Eriksholm é claramente inspirada em cidades nórdicas do início do século XX, com uma mistura das madeiras pintadas características da época e o toque da transição industrial que deixa até umas vibes de steampunk. O trabalho artístico desta equipa é absolutamente magnífico. Tanto as personagens como os cenários são visualmente distintos, e além de coloridos como já mencionei, são carregados de detalhes impressionantes. Cada canto de Eriksholm conta uma pequena história, tornando a exploração num verdadeiro prazer para os fãs do género, que é o meu caso.
Os níveis são lineares, quase como puzzles, e tudo neste jogo é sobre stealth. Cada encontro tem uma solução certa, o que pode limitar um pouco a experimentação de comandos, mas traz um sentimento de precisão e satisfação quando se supera o desafio. Ideal para quem gosta de planear cada passo sem grandes dificuldades, e ao mesmo tempo conseguir desafiar-se um pouco mais se pretender passar por rotas mais difíceis de colecionáveis por exemplo. O stealth está muito bem trabalhado: alternar sombras, manipular luzes para passagem, e até usar um slingshot para apagar candeeiros ou atirar com dardos para adormecer alguns bruta-montes. Também é possível aproveitar barulho ambiental ou distrair guardas com pássaros, e umas quantas mecânicas que já vivemos em outros jogo, mas que funcionam tão bem aqui, que faz quase parecer uma experiência fresca.
Claro que para quem procura desafios com quebra-cabeças extensos e complexos, Eriksholm pode não ser o prato cheio. Isto, porque frequentemente, as situações são praticamente pré-programadas e só as consegues resolver exactamente como o designer do nível imaginou, sem elaborar ou inventar muito. Basicamente é conhecer os padrões dos guardas, as manhas para os evitar, e voilá, temos progressão. Eu gostei muito da jogabilidade e das propostas nas suas mecânicas, no entanto, é impossível ignorar que podia ter ido mais longe, com mais opções para resolver enigmas, diferentes abordagens para os inimigos; e tudo mais que fizesse valer o factor de repetição.
Explorar o mundo não traz recompensas para a jogabilidade, mas em informação valiosa: documentos que enriquecem a história, ou até ilustrações de produtos em que o jogo se contextualiza – desde chocolates até pasta de dentes vintage –, tudo detalhado e sugestivo, com uma arte de que em particularmente sou muito fã.
Um dos pontos altos da jogabilidade é sem dúvida nos seus checkpoints. A progressão é suave e cada restart é colocado de forma estratégica. Perdes pouco progresso se fores apanhado, evitando o desgaste de repetir secções inteiras – ideal para quem prefere fluidez de jogabilidade ao desafio monótono (contraditório, eu sei), ajudando a manter o ritmo sem frustrações.
A dobragem está fenomenal. Os actores trazem autenticidade aos personagens com aquele sotaque britânico maravilhoso de se ouvir – desde Hanna até aos aliados, antagonistas e até simples NPCs –, dando-nos momentos emocionantes que fazem muitos AAA corar de vergonha. A banda sonora é subtil, presente sem se sobrepor, com tambores e ritmos pautados intensos que estimula a tensão progressivamente a cada momento. Esta abordagem minimalista à banda sonora acompanha perfeitamente o ritmo do jogo, e eleva-o subtilmente na sensação de perigo iminente.
Agradecemos à editora e publicadora pela cedência de uma cópia digital para Playstation 5.


























