Penso que não sou o único que idolatra as criações japonesas no que toca ao terror, com um foco no oculto especialmente, com bastantes mitos urbanos e histórias que, na minha opinião, são das mais arrepiantes que existem.

No que toca aos jogos, os japoneses têm tido bastante sucesso, com séries como Resident Evil e Sillent Hill atingindo uma popularidade enorme.

Algo que acho um pouco estranho, é que tanto o Resident Evil e o Sillent Hill, apesar de terem sido desenvolvidos por equipas japonesas, inspiraram-se bastante no terror mais ocidental, como filmes e obras americanas.

Hoje trago-vos Fatal Frame: Maiden of Black Water, uma remasterização da última entrada na série, originalmente lançada em exclusivo para a Nintendo Wii U em 2014, e que veio trazer alguns sustos para as plataformas modernas.

Um mistério em Mt. Hikami

A nossa aventura começa com a nossa protagonista, Yuri Kozukata, uma rapariga que trabalha numa loja de antiguidades, que tem um “poder” especial. Ela consegue, a partir de objectos com ligação a outras pessoas, ver a “sombra” delas, de modo a conseguir ver o caminho que estas mesmas fizeram, possivelmente encontrando-as.

O jogo foca-se bastante neste “poder” de Yuri, onde irás ajudar várias pessoas a encontrar familiares e amigos desaparecidos em Mt. Hikami, uma zona que é famosa por ser um centro de muitos mistérios, que não irei revelar para manter a surpresa a quem quiser jogar.

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A história do jogo, apesar de simples e pouco variada em conceito, tem partes bastante interessantes. Penso que o que me interessou mais foi tentar descobrir os vários segredos e mistérios de Mt. Hikami.

Uma atmosfera arrepiante

Felizmente, um dos aspectos em que o jogo acerta é no factor mais importante para um jogo de terror, com uma atmosfera bastante pesada e cenários bastante assustadores, como florestas claustrofóbicas, templos e casas abandonadas.

Raramente, o jogo utiliza música para a sua atmosfera, regendo-se apenas pelo som ambiente da zona, e muitas vezes pelo silêncio. Nas florestas, consegues ouvir alguns sons dos fantasmas à tua volta, e nos interiores, o barulho das madeiras a reverberar no meio do silêncio deixam qualquer um à ponta do assento.

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Algo que muitas vezes também é arrepiante são os fantasmas em si. Não querendo dar spoilers, os fantasmas geralmente são desenhados de acordo com a morte que experienciaram, juntamente com uma óbvia inspiração no terror japonês, conseguem imaginar os arrepios que senti muitas vezes durante o jogo.

Uma sessão fotográfica com os fantasmas

A jogabilidade de Fatal Frame: Maiden of Black Water divide-se em dois aspectos simples: exploração e combate.

No que toca à exploração, temos aqui níveis semi-abertos, onde podes explorar certas zonas, mas havendo um grau de linearidade maior parte das vezes. Irás encontrar espalhado pelo mapa vários recursos que te irão ajudar, como medicina para recuperar a vida, ou fita para a tua máquina fotográfica, denominada de “Câmera Obscura“.

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Junto com a exploração tens alguns puzzles, sendo estes bastante simples, envolvendo apenas encontrares um objecto específico para se utilizar numa localização próxima. São puzzles que não irão desafiar muito a tua lógica, mas também não se intrometem, sendo apenas algo para o progresso do jogo.

O aspecto que penso ser o mais interessante é descobrir e fotografar os vários espíritos não hóstis que encontras pelo nível. Estes espíritos geralmente não se mantém por muito tempo quando aparecem, e por vezes até me pregaram um susto ou dois. Este aspecto do jogo acrescenta bastante à atmosfera, pois torna os fantasmas mais do que apenas um conceito para servir as mecânicas de combate do jogo.

O exorcismo fotográfico

No que toca ao combate, temos um sistema bastante simples. Quando te encontras com fantasmas hóstis, terás de usar a tua Câmera Obscura para te defenderes. Ao tocares num botão, mudas para uma câmara em primeira pessoa, com uma área rectangular no centro, que pode ser inclinada tanto na horizontal como na vertical, e irá servir como a tua área para fotografar.

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Ao apontares a um fantasma, todas as zonas relevantes dentro deste mesmo rectângulo irão ter um círculo à volta, e quantos mais círculos tiveres dentro da área, mais dano fazes ao fantasma. Caso não tenhas círculos suficientes, só precisas de fotorgrafar os inimigos, e eles soltam uns orbs que poderás usar para combinar mais círculos. Se fotografares cinco ou mais círculos, o disparo é tão forte que até empurra os fantasmas para trás e os atordoa por uns segundos.

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Também tens acesso a umas lentes especiais que irás encontrar durante o jogo, com a capacidade de pôr um inimigo mais lento, ou curar, por exemplo. Para poderes utilizar estas lentes especiais, terás de ter energia suficiente, representada por uma barra azul na interface. Para ganhares energia, terás apenas de fazer dano aos inimigos.

Outro aspecto importante do combate são as tuas opções defensivas. Aqui, tens um simples dodge, que é bastante fácil de executar, pois o jogo avisa-te com um ícone do botão a piscar no ecrã no momento certo para te esquivares de um ataque.

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Apesar do dodge ser bastante seguro e fácil, o jogo encoraja-te fortemente a utilizares uma outra forma de defesa, o Fatal Frame. O Fatal Frame resume-se a conseguires fotografar a cara do fantasma no momento certo de um ataque antes de ele te acertar. Este ataque atordoa fortemente o inimigo, e durante um determinado tempo, poderás executar um combo rápido de fotografias, fazendo bastante dano.

Apesar do combate mostrar ter integridade mecânica, infelizmente não evolui durante toda a duração do jogo, sendo que o que fazes ao início, irás fazer no final, sem quaisquer adições mecânicas, apenas tendo as lentes especiais, que penso não serem o suficiente para acrescentar variedade.

E a falta de variedade é o maior problema do jogo, com uma fraca variedade de cenários, com níveis que se repetem várias vezes, puzzles repetitivos, e também algumas repetições de ideias na narrativa.

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O jogo tem alguns bosses, que se aprensentam como fantasmas únicos. Aqui seguem-se todas as regras de combate já faladas, não havendo qualquer mecânica única ou mudança de foco, sendo que os bosses são apenas inimigos normais, mas simplesmente com mais vida.

Fatal Frame: Maiden of Black Water já se encontra disponível para a Playstation 4, Playstation 5, Xbox One, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e para PC na Steam.

CONCLUSÃO
Ghost Snap
7.2
fatal-frame-maiden-of-black-water-analiseFatal Frame: Maiden of Black Water proporciona-nos uma atmosfera bastante eficaz, com bons sustos e arrepios, sendo infelizmente consumida pela repetição constante, perdendo muito ou até todo o seu "charme" nos capítulos finais.