Normalmente chego a esta altura do ano e comparo as qualidades de FIFA e PES, no entanto, este ano, a EA Sports tem o caminho aberto para um reinado (ainda mais) ímpar, depois de um deslize monumental por parte da Konami.

Encontramos aqui a versão definitiva dos 3 últimos FIFA, com retoques que melhoram a qualidade de jogo, esta iteração aposta mais no realismo.

Desvalorizando o drible, o foco está nos passes e na construção de jogo em equipa, com cada elemento a destacar-se pelas suas qualidades, ao contrário das entradas anteriores em que todos praticamente passavam curto ou longo da mesma maneira. Consequentemente, o ritmo de jogo abrandou.

Confesso que por vezes sentia que estava a ver um jogo de futebol, não só pelos visuais melhorados da actual geração, mas também porque o jogo transmite vida, com movimentações dinâmicas por parte da IA (Inteligência Artificial). Embora não esteja na sua melhor versão, a IA, potenciada pela tecnologia HyperMotion foi bastante melhorada, reagindo mais (e melhor) às nossas jogadas.

Para além da IA, também a própria bola deixou de ser um tijolo, incentivando mais ao estilo de jogo possessivo e fluído em passes que a EA queria implementar em FIFA 22. Deram ênfase também aos cantos e cruzamentos, onde estes realmente são tão letais quanto costumam ser no desporto-rei devido ao novo peso da bola.

Outras novidades passam por celebrações exclusivas a golos decisivos perto do fim do jogo, o que ajuda a criar antecipação para as mesmas e sentir aquela satisfação no Ultimate Team quando cabeceamos o golo da vitória para o fundo das redes aos 92′.

Todas estas variantes ajudam a dar vida à reformulação dos jogadores. Com acesso às tradicionais licenças, agora sim sabemos o que é ter vedetas na equipa. E não, não falo apenas de Ronaldo e Messi. Desde Lewandowski ser um matador infalível ao porte físico incomparável de Pogba na contenção da bola, é notório o trabalho da equipa na reestruturação das características das super-estrelas.

Os modos de jogo também sofreram alterações. O modo Volta cada vez mais puxa inspiração de FIFA Street, desta vez com habilidades que podem ser utilizadas por um breve período de tempo, como super-velocidade. Infelizmente, este ano traz também “dores de crescimento” para o Volta, com um modo bastante divertido com mini-jogos como ténis ou o mata, que podemos partilhar com amigos, mas que apenas está disponível aos fins de semanas (não se percebe).

O modo Carreira foi melhorado, trazendo agora momentos mais “pessoais” antes de cada jogo, onde teremos oportunidade de criar relações com o resto dos jogadores no balneário. Mesmo no modo Treinador, podemos agora criar o nosso próprio clube da maneira como melhor entendermos. Uma força sobrenatural que devasta todas as equipas? Feito. Uma equipa que mais valia ser um escritório de contabilistas? Também se arranja.

O modo que no entanto mais merecia atenção, parece ter sido o que menos a recebeu.

Ultimate Team continua praticamente pay-2-win, com o tradicional foco nos famosos card packs. Os ratings foram equilibrados, embora os jogadores da Premier League tenham o tradicional “bump”, fazendo com que esta se mantenha dominante nas equipas que encontramos em matchmaking. A introdução aos novos jogadores foi melhorada substancialmente, no entanto o modo fica apenas para os jogadores mais aguerridos da saga.

Os visuais na nova geração são incríveis, chegando quase ao nível foto-realista de NBA 2K22 (FIFA 23 com certeza que chega e provavelmente passa). A banda sonora para variar é incrível, e aqui tenho de dar o maior mérito à EA Sports pois ano após ano escolhem músicas que fazem valer a pena abrir o jogo só para estar no menu.

CONCLUSÃO
Polido
7.8
fifa-22-analiseFIFA 22 não revoluciona a saga mas refina vários pontos que aumentam a qualidade de vida dos jogadores. Desde a jogabilidade aos modos de jogo, não faltarão motivos para os fãs da saga adquirirem a nova entrada do que é agora o indisputável rei da simulação do futebol.