Muitos fãs de DC hoje em dia não apreciam o Aquaman. Arthur Curry sempre foi um pouco a piada da Liga da Justiça no que toca aos fãs, e era uma personagem seca e antiquada: um homem branco com fundos para ser bem formado, até que descobre que é herdeiro de um trono subaquático, de que nada sabe?

Era um pouco injusto e unidimensional demais, até mesmo quando a DC tentou evoluir a personagem de loirinho bonzinho para estilo viking – continuaram a não conseguir tornar o Aquaman mais apelativo que suas próprias personagens secundárias ou o universo criado em sua volta.

E depois veio Jason Momoa.

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O filme da Liga da Justiça foi uma óbvia desilusão para muitos fãs, mas Momoa conseguiu criar uma nova identidade para o Aquaman que se tornou de imediato icónica e deixou muitos em pulgas para o seu filme a solo.

Considerando que muitos estavam com medo do que traria o filme depois de Liga da Justiça, a verdade é que a visão de James Wan de Aquaman foi um sucesso imediato em muitas frentes.

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A primeira impressão, em suma, foi: Aquaman dá a sensação de ser um cruzamento étnico entre Indiana Jones e O Quinto Elemento, com pitadas de Pequena Sereia e 20,000 Léguas Submarinas. Também é, obviamente, uma história muito Arturiana e por isso seriamente dependente do drama familiar e político.

Jason Momoa desenvolve aqui a sua personagem de um modo único, e faz-nos encarar a mesma de uma forma completamente diferente. Não é exagerado, não é perfeito demais; é multidimensional, é justo, e consegue emanar a vibração de durão sem ser cliché, continuando a ser um ursinho gigante de pessoa.

O novo look é excelente e prático, e a nova herança Polinésia da personagem encaixa muito bem com os temas de racismo inseridos na cultura Atlante.

Aquaman

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A personagens femininas são fortes por si próprias, e não donzelas em apuros. Lutam lado a lado (e por vezes à frente até) dos homens da sua vida, sem a sua feminilidade ser questionada. Quebram clichés, o que é positivamente feminista.

No entanto, apesar do papel de liderança de Mera (Amber Heard), continuamos a querer vê-la ao mesmo nível do Aquaman, em vez de se reter em algumas cenas para lhe dar protagonismo.

Mas é o romance entre Tom e Atlanna que rouba o espectáculo! Mesmo em pequenas doses, consegue arredondar bem a história, quebrar barreiras, trazer momentos cómicos, e unir toda a história para que não haja falhas no seu ritmo.

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Por falar nas personagens femininas que a DC tanto adora sexualizar com fatinhos justos, nada práticos e minúsculos… Não o foram. De facto, os fatos justos são justificáveis debaixo de água, e as mulheres têm o guarda-roupa mais elegante e prático do filme.

Ao contrário dos homens, cujos fatos são directamente copiados da BD, tornando-os pesados, exagerados, coloridos, e não práticos (ou contrário ao tema ousado que estavam a tentar atingir). Em alguns casos, feios mesmo (estou a olhar para ti, Orm (Patrick Wilson) – quem usa capas debaixo de água?).

Mas, guarda-roupa masculino à parte, o desenvolvimento do universo Atlante e a sua arquitectura são fascinantes e absolutamente de tirar o fôlego.

Aquaman

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O ritmo de escrita de David Leslie Johnson e Will Beall, e a edição são geniais. Já os efeitos especiais… Bem, foram muito ambiciosos e são superiores ao standard comum da DC, mas continuam a ter aquele toque escuro e tenebroso típico da companhia. A troca de cenários também tem tendência a ser um pouco óbvia na transição de CGI para set real.

Não sobe bem até à barra elevada da MCU mas não deixa de ser luxuoso e visualmente hipnótico, com algumas falhas de lógica e visuais, mas que podemos ignorar em prol dos detalhes e da beleza do ambicioso universo quase alienígena subaquático.

Resumindo: um filme excelente que definitivamente vale a pena ver. Com um excelente elenco e um mundo fascinante, surpreende na sua qualidade para a DCEU que mantém aquele visual grunge, sexy e obscuro típico da DC.