Birdbox é uma produção da Netflix, que já está disponível na plataforma de streaming desde dia 21 de Dezembro de 2018. Uma adaptação baseada no aclamado livro, Caixa de Pássaros de Josh Malerman, que pode ser vista como um thriller pós-apocalíptico, ou até quem sabe, como um thriller psicológico. Interpretações distintas aos olhos de cada um dos seus espectadores.

O argumento base, centra-se numa mulher, Malorie Hayes, representada por Sandra Bullock, que tem a seu cuidado duas crianças. A mesma, foca-se desde o início do filme num objectivo muito especifico: atravessar uma floresta e um rio, com um dos seus 5 sentidos condicionados: a visão.

E a visão, porquê? Porque de alguma forma, uma força sobrenatural está a invadir a mente das pessoas através deste canal sensorial, e desperta os seus maiores medos, arrependimentos, traumas e até as memórias de grandes perdas nas suas vítimas. Estes jogos mentais, aniquilam a lucidez das pessoas e estimulam através das suas próprias consciências: – o fazer mal a si próprias – as memórias são tão dolorosas, os traumas tão profundos e medos arrepiantes emergem de forma tão real, que a sua sanidade mental é lhes roubada.

A narrativa do argumento, entrelaça continuamente a sua cronologia de acontecimentos, cruzando o meio, o início e o fim do filme, em diversos momentos, destacando inúmeras cenas relacionadas com a sobrevivência humana, face a uma força abstracta, em detrimento das poucas cenas dedicadas à origem da força sobrenatural em si.

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SPOILER ALERT!

Mas então e a travessia da floresta e do rio, irá levá-los onde? A uma micro sociedade confinada a um espaço, livre de tais forças sobrenaturais. E Birdbox é isto…fugir a uma epidemia de suicídios em massa, provocada por um estímulo interno face ao cruzamento visual com tal entidade. Pode ser, se Birdbox for interpretado como um thriller pós-apocalíptico.

Mas… e se for interpretado como um thriller psicológico? Será que as forças sobrenaturais que surgem no inconsciente das vítimas, poderão ser representações reais do seu próprio questionamento humano? As ilusões, as realidades, as dores, as mentiras de si mesmas, que vivenciam, todo este sentimento que escondem e que lhes pesa, e se o peso desse sentimento, provocar uma manifestação no indivíduo, qual será?

A aceitação da crua fragilidade humana, como uma condicionante – cuja única opção é desligar-se do mundo? Ou uma necessidade de descobrir novas emoções e sentidos, numa necessidade de lutar contra a escuridão e aprender a enfrentá-la? Então e aprender a viver dentro da escuridão, para caminhar em direção ao reconhecimento da sua própria dignidade? São tantos os cenários possíveis…

Será que o facto de Malorie chamar às crianças de menino e menina desde o início do filme, não é algo a considerar como peça-chave para desvendar o argumento? Ou será este facto, só um mero detalhe? A realidade é que no decorrer do filme, há imensas referências tanto ao seu estado psicológico, como ao papel maternal de Malorie. É de notar que só após aquele momento marcante do reencontro simbólico com as crianças, é que esta finalmente escolhe os seus nomes: Tom e Olympia. Isto pode ser um detalhe a considerar ou não, mas na minha visão pessoal de interpretação do filme, este foi o detalhe que efetivou a ideia de que Birdbox é mais um thriller psicológico, voltado para o tema da depressão pré e pós-parto, consequência do peso se ser mãe pela primeira vez e do saber da transformação que irá ocorrer na sua vida e dessa mesma aceitação de nova realidade.

Birdbox

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Fechar-se na sua gaiola de pássaros, por exemplo, pode ser uma forma de questionamento sobre a sua capacidade de desempenhar o papel de mãe e de amar os seus. Talvez o filme seja sobre a dificuldade de uma mãe em ajudar a sua família, face a uma “epidemia” (real só na sua cabeça?) cuja única hipótese de sobrevivência, é sair da sua “gaiola de pássaros” – do seu espaço condicionado- e enfrentar a sua própria escuridão, para que tanto os seus como ela mesma, possam ser salvos ao serem aceites, e considerados como dignos de serem amados, por si.

É um facto, há inúmeras metáforas neste filme, é verdade: desde a maternidade como reflexo de uma batalha desconhecida e temida; o medo real que bloqueia e muda comportamentos humanos; o rio – o rio como elemento de ligação maternal; até o “apalpar” por não aceder à visão – sem ver, sem saber como fazer – que pode ser associado à primeira experiência de maternidade; tudo isto pode ou não ser a ideia do filme, sendo que a venda, pode no entanto, somente ser uma venda que impeça as personagens de cruzar de facto, o olhar com as tais forças sobrenaturais.

Fica ao critério de cada um interpretar Birdbox como um thriller pós-apocaliptico, um thriller psicológico, ou como um outro tipo qualquer de thriller. Contudo, algo é certo: Sandra Bullock desempenhou um excelente papel, mostrando a força e o poder da Mulher, numa interpretação marcante e claramente digna de inúmeras considerações.

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