O novo filme da Netflix, Enola Holmes, baseou-se nas histórias da irmã mais nova do famoso detective inglês, contadas inicialmente numa colecção de livros escritos por Nancy Springer… Mas será que chega aos calcanhares de Sherlock?

Enredo

Enola Holmes (Millie Bobby Brown) é uma jovem peculiar, com uma educação peculiar, levada a cabo pela mãe Eudoria (Helena Bonham Carter). A sua vida idílica muda do dia para a noite quando a mesma desaparece, e Enola embarca numa perigosa aventura para descobrir o seu paradeiro. Isto, enquanto se reúne pela primeira vez em anos com os irmãos mais velhos, Sherlock (Henry Cavill) e Mycroft (Sam Claflin), e junta forças com um Marquês extremamente “ridículo” (Louis Partridge) numa conspiração política estonteante.

Opinião

Apesar de se estender por quase duas horas, Enola Holmes consegue prender a atenção do início ao fim, sem nunca se tornar enfadonho. O espectador sente-se um fiel companheiro da protagonista, algo que é facilitado pela quantidade de vezes que esta quebra a “forth wall” para o abordar com um charme de derreter o coração.

A historical error on Millie Bobby Brown's 'Enola Holmes' poster confuses fans

Começamos a ver este título com uma ideia algo vaga do que esperar, pensando que tudo não passa de um mistério a desvendar, quando este é muito, muito mais. Acabamos por ser bombardeados com ideias e conceitos frescos, e sentimo-nos ligados às personagens que os defendem com unhas e dentes. Estes mantém o interesse e enriquecem a experiência de forma gradual, entrelaçando-se e expandindo o enredo para proporções inesperadas (mas bem-vindas), sem, no entanto, tornar o filme demasiado pesado ou difícil de seguir.

Lê mais:  Assassin's Creed | Nova série live-action a caminho da Netflix

Este manteve-se complexo mas acessível a todo o tipo de audiências, com um ritmo sólido, um guião inteligente e um elenco captivante. Não é necessário conhecer versões anteriores do detective para se embrenhar completamente na história. E, caso já conheçam, certamente apreciarão esta nova visão.

É igualmente interessante reconhecer os vários componentes deste período temporal (finais do século XIX), desde as roupas, criações tecnológicas e acontecimentos históricos, até aos próprios ideais e mentalidades da altura. Devo dizer que o departamento artístico e de escrita estiveram, aqui, de parabéns, pois conseguiram incorporar um diverso número de temas de forma concisa e bem espaçada.

Elenco

A prestação de Millie Bobby Brown é carregada de energia, fazendo transparecer a engenhosidade e espírito da personagem na perfeição. Não só torcemos para que esta consiga atingir o seu objectivo, como também ficamos completamente enamorados da sua ingenuidade e brilhantismo.

Henry Cavill realmente veste esta nova versão de Sherlock Holmes com extrema elegância, conseguindo conjugar a sua já conhecida e amada personalidade com algumas novas nuances que, na minha opinião, funcionaram muito bem – em vez da fria sociopatia a que estamos habituados e com a qual dificilmente conseguimos nos relacionar (apesar de a admirarmos), este Sherlock apresenta mais camadas que, provavelmente, vão ressonar muito mais com o espectador.

Is Henry Cavill Too Hot to Play Sherlock Holmes in 'Enola Holmes'?

Sam Claflin, por seu lado, abraçou completamente o “velho” Mycroft, da qual poucas diferenças conseguimos distinguir do seu antecessor. No entanto, o seu talento é indiscutível e nas poucas cenas em que entra consegue transmitir a dualidade de morais que o assombra, deixando-nos sempre na dúvida se se trata do vilão da história, antagonista reactivo ao seu ambiente ou apenas uma alma sem inspiração ou imaginação. Algo que ergue uma sólida barreira entre ele e os irmãos (que têm uma ligação muito mais forte entre si, por serem semelhantes), e nos leva a entender as suas acções mais vis.

Lê mais:  Snowpiercer | Análise

Helena Bonham Carter dispensa apresentações e, apesar de ter um breve papel no filme, consegue emular a mãe selvagem que fará de tudo para proteger aqueles que ama e levar-nos a admirá-la tanto quanto a própria filha. Não é difícil imaginar que tenha sido a primeira escolha dos directores de casting

Enola Holmes review: The feminist romp the Holmes canon needs | EW.com

Fiona Shaw, Frances de la Tour e Susan Wokoma foram algumas das surpresas que vieram a dar ainda mais dimensão ao filme e certamente te trarão algumas memórias de infância – falo, claro, de Harry Potter.

Burn Gorman, possivelmente, diz três frases, e mesmo assim encapsula o seu papel de tal maneira que não conseguimos ter sentimentos ambivalentes em relação a ele – logo descobrirão porquê.

O jovem Louis Partridge tem pouca experiência no grande ecrã, mas devo dizer que se safou bastante bem, especialmente tendo em conta que contracenou com Brown (a qual tem vindo a dar sérias cartadas no mundo do cinema) e outros nomes de peso, e não ficou para trás.

Conclusão da Análise
Encantador
9

Deixa uma resposta

Por favor deixa aqui o teu comentário
Por favor deixa aqui o teu nome

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.