Uma das séries documentais que mais curiosidade me suscitou recentemente em ver, foi High Score – A História dos Videojogos, da Netflix. Apesar de adorar aprender sobre a História e ser fascinada pelos desenvolvimentos tecnológicos e artísticos agregados ao percurso desta indústria, confesso que poucos são os documentários que iria aconselhar a ver a quem se interessasse. No entanto, High Score tem dado que falar, pelo que resolvi dar-lhe uma oportunidade. Vamos lá ver então se vale o teu tempo.

High Score – A História dos Videojogos é, portanto, uma série documental da produção da Great Big Story. Uma série onde, nesta temporada, vemos episodicamente a evolução cronológica da indústria e da sua tecnologia, desde finais da década de 70’s a 90’s. A acompanhar este percurso, cada episódio é focado num tema que marcou os anos que representa. Sejam marcas como a Atari, Nintendo, ou Sega, que têm direito a episódios a si dedicados, ou a discutirmos a violência nos videojogos, os RPGs, os first-person shooters… e por aí fora, conforme o seu surgimento.

Nessa parte digo que a construção episódica está, de facto, bem pensada, por conseguir transmitir-nos a sensação de evolução e, ao mesmo tempo, integrar-nos na temática da época. Desta forma, a Great Big Story conseguiu tornar High Score muito captivante, mas mais importante: muito fácil de acompanhar e assimilar ao longo dos seus seis episódios. Mesmo que mais tarde seja necessário voltar atrás no tempo, o espectador consegue perceber o que é que estava em jogo quando abordámos esses anos.

No entanto, esta série comete, desde o princípio, um erro atroz na minha opinião: parte da premissa de expor toda esta História apenas tendo em conta o mercado Norte Americano e Japonês, deixando, portanto, o resto do mundo e, principalmente, a Europa de fora. Ora, com isto, Spectrums? Nem vê-las! Se estás a produzir um documentário desta envergadura, convinha fazê-lo bem logo de uma vez por todas, e não com “mas, mas, mas”. Espero que isto venha a ser devidamente corrigido num episódio especial, ou na próxima temporada, embora a nível cronológico… Enfim.

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Mas se High Score comete um erro desta dimensão, igualmente triunfa, em contrapartida, com a melhor jogada que já vi num documentário sobre a História dos Videojogos: a série para além de equilibrar temáticas numa linha cronológica, consegue transmitir-nos estes conhecimentos através das palavras e dos testemunhos dos próprios criadores, artistas, engenheiros, programadores, e RPs da época. É, de facto, um feito incrível ver esta gente toda ainda em vida a participar e a dar tanta credibilidade e dimensão a esta série documental.

Daí que diga que perderem a oportunidade de representar também o mercado Europeu seja uma enorme falha de conceito.

Esqueci-me de mencionar que o falecido John Kirby também marcou aqui uma presença ainda em vida. O mítico advogado da Nintendo, que deu nome a um dos personagens mais icónicos da empresa, faleceu em Outubro do ano passado, mas ainda assim conferiu-nos um testemunho poderosíssimo dos factos.

Tal trunfo não só permitiu conferir credibilidade à série, como também voltar atrás e corrigir um grande erro na História, ao finalmente testemunhamos a história de Jerry Lawson. Este foi um engenheiro apaixonado pelo seu trabalho, que conseguiu, pela primeira vez, criar um sistema que permitisse a troca de cartuchos. Infelizmente, em vida, nunca lhe foi atribuído tal mérito, pelo que foi agora através dos filhos que pudemos ouvir a sua história e aprendermos sobre o seu tão importante e decisivo contributo para a indústria.

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Mas se pensas que esta História é contada apenas do lado das empresas, enganas-te. De facto, esta é uma história que não se escreve só com grandes marcas, mas sim com grandes personalidades que, tenho a certeza absoluta, vais adorar conhecer.

Esta série é uma conversa que junta os dois lados do mercado à mesma mesa: Produtor e Consumidor. Com efeito, temos o gosto de conhecer os jogadores mais ávidos da altura, os campeonatos em que se sagraram e, actualmente, como é que esses feitos impactaram as suas vidas, numa forma de tornar mais palpável a nossa imersão nestas épocas.

Sem surpresas, muitos destes jogadores acabaram por largar a vida das competições. No entanto, temos alguns casos que ainda hoje estão profissionalmente ligados a este mundo, dedicados a criar as futuras gerações de campeões mundiais.

Devo dizer que, de facto, esta foi uma jornada obrigatória de se experienciar nesta primeira temporada. A haver mais, certamente irei acompanhar e recomendo-te vivamente a fazeres o mesmo.


E tu, já viste este documentário ou planeias ver? Que achaste?

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