A nova série baseada no mundo criado por George R. R. Martin, House of the Dragon, tomará um rumo diferente de Game of Thrones no que toca a um dos aspectos mais controversos e discutidos pelo público.

O anúncio foi feito por Olivia Cooke, que vestirá a pele de Alicent Hightower, filha da Mão-do-Rei, que, numa entrevista ao The Telegraph, explicou que a série será muito mais consciente e cuidadosa a mostrar violência contra as mulheres:

“Não me sentiria confortável em fazer parte de algo que inclui violência gráfica chocante contra mulheres sem qualquer razão, só porque querem que seja aliciante de forma a ganharem mais visualizações. Tive a sorte de poder ler o guião antes, e este mudou imenso desde as primeiras temporadas. Não acho que seriam bons da cabeça em incluir nada desse género nesta prequela.”

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A verdade é que Game of Thrones pecou na extrema gratuitidade que mostrou ao longo das temporadas, especialmente em relação às personagens femininas, que frequentemente sofriam às mãos de homens através de violência emocional, psicológica e física a diversos níveis. A quantidade de violações, agressividade sexual, casamentos forçados e completo desprezo pelos seus desejos e direitos, como se nem de seres humanos se tratassem, chegou a um nível bastante desconfortável para muitos fãs. Sem falar na constante nudez que raramente era atribuída a personagens masculinos.

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Um fã conseguiu mesmo concluir que a série incluiu 50 instâncias de violações – ainda assim, menos do que no livro, onde chegaram às 200.

Perante as críticas, o autor defendeu a sua posição numa entrevista à EW: “Estou a escrever sobre a guerra, que é o assunto principal da maioria das fantasias épicas, e se escreves sobre a guerra e só queres incluir as batalhas fixes e heróis a matarem montes de orcs e coisas desse género e não incluis [violência sexual], então há algo fundamentalmente desonesto nisso. As pessoas dizem ‘bom, ele não está a escrever sobre história, está a escrever fantasia – se adicionou dragões, também devia ter feito uma sociedade igualitária’. Só porque se adiciona dragões não significa que se possa incluir tudo o que se queira. Eu queria que os meus livros fossem fortemente baseados na história e que mostrassem como era a sociedade medieval.”

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O problema com esta afirmação é que Martin e os realizadores/escritores da série decidiram escolher apenas o realismo que lhes convinha e que era mais atraente para a sua audiência, ocultando outras realidades da guerra menos “glamorosas” como o sucumbir à disenteria e outras doenças, a falta de higiene, e um maior espectro de violência sexual que inclui a violação masculina. Todos esses factores parecem ter recaído desproporcionalmente sobre as personagens femininas – ou melhor, as personagens femininas mais atraentes, levando à conclusão de que talvez todas estas situações não tenham sido escritas em prol de “realismo”, mas sim para retratarem fantasias doentias que vendem mais.

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Apesar de Game of Thrones ser extremamente duro para as suas personagens masculinas, fá-lo de uma forma bastante diferente da das femininas, e isso é algo que House of the Dragon, felizmente, parece querer deixar para trás.

Fica a saber tudo sobre a nova prequela aqui.