Depois de 2020 sem novas produções lançadas pela Marvel Studios, em consequência da situação actual da pandemia afectando em grande escala o mundo do entretenimento, eis que nos chega logo, no início deste ano de 2021, WandaVision.

Esta mini-série composta por nove episódios marca não só o início da Fase 4 do Universo Cinematográfico da Marvel, como também a primeira série original lançada para a plataforma de streaming do Disney+. Após o sucesso já com duas temporadas lançadas de The Mandalorian, a plataforma começa finalmente a lançar os seus projectos originais planeados da Marvel que irão continuar com O Falcão e o Soldado do Inverno, Loki, a série What If e, mais para o final do ano, Hawkeye e Ms. Marvel.

Como fã assíduo deste vasto universo do MCU iniciado em 2008, posso começar por dizer que WandaVision traz um matar de saudades de novos conteúdos após um final em grande escala com Vingadores: Endgame, seguido uns meses depois de Homem Aranha: Longe de Casa a marcar o fim da fase 3. Por outro lado, penso que 2020 permitiu também que pudéssemos respirar um pouco antes de passarmos à fase seguinte que com a adição de séries originais, torna assim o calendário anual mais extenso.
Acredito que uma pausa longa de um ano e meio permitiu também saborear de outra maneira esta mini-série, na qual marca o início de uma Fase 4 focada, principalmente, em novos começos, ao mesmo tempo que continua outras histórias.

Situando-se umas semanas depois de Vingadores: Endgame, Wanda e Vision estão a viver felizes tranquilamente nos subúrbios de Westview, New Jersey. Mas à medida que as suas vidas parecem perfeitas, acontecimentos estranhos à sua volta começam a atormentar o casal, que se apercebe que nada é o que parece.

Wanda e Vision – o casal protagonista de WandaVision

WandaVision prometeu ser uma série diferente daquilo que já vimos da Marvel Studios, e isso comprova-se muito pela positiva logo nos primeiros dois episódios. A série aposta num formato Sitcom que vai desde os anos 50 até à actualidade, mas trazendo uma originalidade muito frequente ao longo da história.

Resgatando a aura de Sitcoms como The Dick Van Dyke Show, A Feiticeira, Malcom in the Middle, Modern Family entre outros, WandaVision traz uma verdadeira lufada de ar fresco para a tão já conhecida fórmula Marvel fazendo com o público estranhe de início, mas deixe-se levar pela loucura prometida.

Bizarria seria também uma palavra adequada, porque somos diretamente transportados para uma verdadeira Sitcom que nos vai fazendo questionar tudo à nossa volta, mas também permite cenas divertidas com criatividade, em que destaco, inclusive, as sequências de abertura que vão variando consoante a década e o estilo de Sitcom.

Para alguém como eu, que acompanhou na sua infância no canal da RTP2 a série A Feiticeira, ou sendo Malcom in the Middle uma das minhas primeiras séries favoritas dos anos 2000, WandaVision trouxe mesmo um sorriso genuíno com dezenas de referências.

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Outro aspecto importante que preciso de destacar é o facto de WandaVision permitir criar certos momentos de leve tensão e horror.

Apesar da Marvel Studios ter uma forte inclinação para a comédia, notei que em contexto com a proposta da série foi possível criar certas situações que parecem vindas de um filme de terror quando começamos a perceber que nem tudo é o que parece.

É possível notar isso logo num dos primeiros episódios em que decorre um jantar em casa do casal com o patrão de Vision e a sua mulher. A pouco e pouco, começamos a observar através das expressões faciais dos convidados e dos diálogos (ou repetição dos mesmos) que as coisas começam a sair do controle e todo o ambiente num episódio a preto e branco ajuda ainda mais ao tom da situação e a sentirmo-nos incomodados (de forma positiva claro).

Outra cena que gostaria de mencionar é durante um episódio temático de Halloween, em que Vision no decorrer da noite caminha por uma zona de Westview completamente silenciosa e deserta.

A intrometida vizinha Agnes interpretada por Kathryn Hahn em WandaVision

Para uma série tão única e curiosa como esta, destaco claro o elenco que traz força e carisma à história, que não parecendo à primeira vista traz realmente temas mais pesados ao de cima como a depressão, negação e dor. É preciso salientar que esta é, efectivamente, uma série sobre o estado mental de Wanda e as várias fases do seu luto.

Algo que eu sempre mencionei com esta entrada de séries originais do MCU, foi que elas poderiam permitir desenvolver personagens mais secundários dos filmes e que não tivessem tido tanta oportunidade de brilhar e mostrar muito mais de si.

WandaVision veio comprovar isso, e mostra-nos muito mais da química entre Elizabeth Olsen e Paul Bettany nos respectivos papéis que já conhecemos.

Elizabeth Olsen entrega  uma performance incrível com várias camadas que consegue ser credível o suficiente em várias situações peculiares. Com um bom timing de comédia principalmente no contexto histórico que é característico nos primeiros episódios que se passam nas décadas de 50-70, o carisma e a expressividade  fazem-nos crer que estamos a assistir a uma Sitcom na qual a personagem participa.

Juntando a esse lado mais colorido como pano de fundo, a actriz mostra-nos ainda assim uma outra Wanda atormentada e a lidar com várias emoções que tenta suprimir. Com uma facilidade de variação de humor, Olsen consegue realmente fazer-nos sentir medo da sua personagem em certos momentos. Como eu disse atrás, em WandaVision nem tudo é o que parece, e a actriz entrega momentos com uma forte carga dramática por trás.

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Paul Bettany de volta como Vision (o que pode estranhar de início, dado os filmes anteriores) traz também uma óptima participação. Aqui o actor alterna entre a sua identidade verdadeira com o seu disfarce humano, e traz outros lados de Vision que não estamos tão acostumados a ver no ecrã.

Mesmo com momentos mais divertidos ou trapalhões quando são necessários, é interessante salientar que nós, como espectadores, passamos a identificar-nos com Vision, que começa então a identificar e a interrogar-se dos vários comportamentos estranhos à sua volta. De facto, começamos a série tão confusos quanto Vision, à medida que as peças do puzzle se começam a encaixar lentamente, uma ideia que acho que foi bem inserida para aproximar mais o espectador.

Darcy Lewis e Jimmy Woo de volta em WandaVision

Para além do casal, temos também no elenco a talentosa Kathryn Hahn que faz da vizinha abelhuda Agnes, Teyonah Parris, Josh Stamberg, Randall Park e Kat Dennings cujos dois últimos regressam ao MCU nos papeis de Jimmy Woo (Homem Formiga e a Vespa) e Darcy Lewis (Thor, Thor: O Mundo Sombrio).

Não querendo entrar em muitos detalhes, pois isto acima de tudo é uma anáise sem spoilers, parte do elenco permite-nos acompanhar uma outra faceta em tornos dos acontecimentos em Westview e abre igualmente portas para novos elementos que terão destaque no futuro do MCU.

Quero também salientar a banda sonora de Christopher Beck, que traz também mais encanto à série, usando efeitos sonoros recorrentes das décadas respetivas da televisão, e também temas  instrumentais com um efeito misterioso, sombrio e curioso como é o caso do tema dos créditos finais de cada episódio.
Ainda sem esquecer também os temas escritos e compostos por Robert Lopez e Kristen Anderson-Lopez (conhecidos por comporem a banda sonora de Frozen e Frozen II ) que são também chamativos e únicos, e que facilmente dois deles irão ficar na cabeça de muitas pessoas como foi o meu caso.
Numa última  nota, quero informar que alguns episódios possuem cenas pós-créditos, sendo a do nono episódio bastante importante. A série vai estar directamente ligada ao próximo filme Doutor Estranho No Multiverso da Loucura, que também terá a participação de Elizabeth Olsen no papel da personagem.

E tu já viste WandaVision? Também achas que a minissérie foi original?

Conclusão da Análise
Superou as expectativas apesar de criar muitas teorias
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