Por norma gosto de ir viajar pelos videojogos sem qualquer conhecimento prévio, vagueando pela história e jogabilidade, surpreendendo-me a cada passo que dou. O destaque de hoje, Forgive Me Father, foi uma exceção à regra. Tendo-o conhecido através de Alex Battaglia no seu top de jogos de 2021, não pude deixar de ir seguindo este belíssimo jogo, até que finalmente saiu na versão 1.0, e embora já conhecesse bastante, consegui sair mais que satisfeito.

Forgive Me Father é um FPS desenvolvido pela Byte Barrel e publicado pela 1C Entertainment, altamente inspirado em clássicos como DOOM, Quake ou Wolfenstein, extraindo sumo do universo de H.P. Lovecraft de forma a conjugar ação frenética com pesadelos andantes.

A narrativa é simples, o mundo encontra-se infestado de monstros e nós, sendo a única mente sã, temos de os obliterar. Podemos optar entre um padre ou uma jornalista, sendo que cada um tem características diferentes na jogabilidade, mas a história mantém-se igual para ambos.

Embora nestes jogos a história seja secundária, gostava de ter visto a Byte Barrel explorar e/ou criar mais com as inúmeras inspirações que tirou. O resultado actual são várias one-liners à filmes de ação dos anos 80 e pedaços de itens com que podemos interagir, dando uma informação mínima sobre o que está a acontecer.

Felizmente a história é bastante curta, o que aumenta a capacidade de jogarmos vezes sem conta sem que nos cansemos. Em cerca de 6/7 horas conseguem terminar o jogo, o que é um valor bastante razoável tendo em conta que são 2 personagens, dando também margem à Byte Barrel para explorar possíveis expansões sem causar burnout.

O jogo introduz ainda uma vertente RPG, permitindo-nos adquirir (bastantes) habilidades. O mapa de habilidades é enorme, demasiado grande até, existindo algumas que talvez funcionavam melhor como colecionáveis, como por exemplo, o aumento de ammo ser feito através de bolsas que encontramos pelo mundo. O tamanho da árvore acaba por sobrecarregar o peso da decisão.

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A jogabilidade varia entre ação frenética e segmentos de tensão em lugares escuros onde temos de prescindir da arma para conseguirmos usar a lanterna. Não se entende o porquê de não podermos usar um revólver na outra mão, quase dá a entender que a personagem é maneta.

Nas partes com ação frenética é que o jogo brilha.

Começamos apenas com um revólver e uma faca, mas rapidamente vamos encontrando outras armas, escalando a coleção em termos de poder. A maneira de jogar fica completamente à mercê do jogador, eu por exemplo joguei cerca de 80% do jogo só com o revólver visto que os headshots são bastante eficazes e o efeito é glorioso. Podem entrar a matar ou simplesmente ir colecionando miolos.

Para além destas armas recebemos ainda habilidades especiais, indo desde a conjugação de uma espada mítica que mata os inimigos num golpe, a uma máquina fotográfica que os prende no lugar, de forma a podermos desencadear uma dose de tareia.

À medida que vamos arrecadando mortes, existe um contador de loucura, que vai enchendo, tornando-nos mais fortes, o que acaba por ser paradoxal visto que somos a única pessoa sã no mundo, mas de qualquer forma, agradecemos qualquer ajuda!

Cada nível tem cerca de 5 a 7 minutos, estando todos desenhados em formato corredor com alguns desvios. Teremos de encontrar várias chaves, cada uma com uma cor específica que abre as portas correspondentes. A mais ou menos cada 3 níveis, terão um boss ou área de caos de forma a terminar em grande.

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Agora sim chego à parte que me cativou até não mais em Forgive Me Father, a vertente audiovisual.

A arte deste jogo é sensacional, puxando traços de bandas desenhadas, misturando os cenários lúgubres com splashes de tons vivos, como o sangue dos inimigos ou a magia que estes usam contra nós. Os locais variam bastante, não cansando a vista, o que nos permite desfrutar ao máximo desta belíssima apresentação visual.

Em tons similares temos um design sonoro que encaixa que nem uma luva. Ao longo dos níveis vamos caminhando ao som de tons inquietantes, sendo posteriormente abençoados com rasgos de metal ao chegarmos às áreas de caos, algo que traz uma satisfação praticamente ímpar. Creio que a Byte Barrel alcança um equilíbrio perfeito entre os tons assustadores e os motivadores, o que facilita a transição durante, e entre níveis.

Agradecemos ao gametomb por nos ter fornecido uma chave para análise.

CONCLUSÃO
Aterrador
7.9
forgive-me-father-analiseForgive Me Father era um jogo que não conhecia de todo, mas assim que o vi cativou-me logo, e ainda bem que pude experimentar este jogo pois não só traz consigo uma dose de nostalgia, como acrescenta uma camada própria, tanto assustadora como euforizante. Este é sem dúvida um produto do qual a Byte Barrel se deve orgulhar.