Devia ter marcado férias antes!

O Summer Games Fest de 2022 foi bastante interessante. A quantidade de jogos Sci-fi que foram revelados na apresentação foi deveras impressionante, com uma série de propriedades novas a nos ser apresentadas de trás para a frente.

Uma dessas propriedades é o jogo que vos trago hoje. Apresento-vos Fort Solis, um jogo com um foco enorme em história, com um elenco de topo e uma longevidade modesta que, de hoje em dia, é bastante raro de se ver.

Um longo e arrepiante turno da noite

Fort Solis começa de uma forma bastante comum. Temos o nosso protagonista Jack Leary, um engenheiro em Marte, que se encontra a fazer o seu turno noturno calmamente, juntamente com a sua colega Jessica Appleton. Eventualmente, Jack recebe um alarme, vindo de Fort Solis, a pedir a sua investigação. Ao chegar ao forte, reparamos que algo não está certo, não sendo possível obter resposta dos funcionários no interior, sendo preciso entrar e investigar, de modo a se perceber o que ocorreu.

Não irei mencionar mais sobre a história para evitar spoilers, pois estamos a falar de um jogo onde a história é uma grande parte da experiência, e recomendo vivamente experienciar este jogo com o mínimo conhecimento possível do seu conceito. O que posso dizer é que sem dúvida temos uma narrativa e uma atmosfera sólidas, apresentando uma história consistente, com início, meio e fim, cheia de lore e segredos por descobrir. O que me impressionou mais foi a quantidade de lore e pequenos detalhes que se encontram ao interagir com vários objetos no cenário, o que aumenta a imersão e a autenticidade do forte.

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Uma experiência cinematográfica e atmosférica

Fort Solis é um jogo impressionante graficamente. O detalhe nos cenários é bastante denso, com vários objetos presentes no ecrã, há um senso enorme de que o espaço poderia ser real, algo que amplia a imersão. A mesma atenção foi dada aos modelos das personagens, que mostram um detalhe competente e animações de qualidade. Temos de ter em atenção que estamos a falar de uma equipa pequena, a tentar fazer algo que, geralmente, só vemos em jogos AAA de alto calibre. A qualidade que se apresenta é bastante impressionante e sem dúvida mostra que a equipa é extremamente talentosa e competente.

Em termos técnicos, a experiência foi maioritariamente estável. Temos 2 opções gráficas gerais, uma focada em resolução com a frame rate a 30 fps, e outra focada em desempenho com a resolução mais baixa e 60 fps. Juntamente, temos opções para ligar e desligar o film grain, motion blur e chromatic aberration. Estas opções são básicas, mas suficientes para agradar a grande maioria dos jogadores. Independentemente do modo, vais notar alguns artefatos, possivelmente de reconstrução da resolução, como os reflexos terem um efeito de ghosting (um efeito que faz com que apareça uns rastos do movimento da personagem). Também foi possível verificar algum popin visível, principalmente ao entrar em divisões novas, sendo mais visível com a iluminação e os reflexos. Em termos de estabilidade, encontrei algumas quedas pequenas de desempenho em certas seções do jogo. Nenhum destes percalços afetou muito a minha experiência, e, sendo problemas de calibre bastante baixo, é muito provável que sejam todos resolvidos no futuro, ou até mesmo no lançamento.

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Senti-me surpreendido com a qualidade das animações presentes no jogo. Considerando que estamos a falar de uma equipa independente e pequena, o motion capture apresenta uma fluidez impressionante. A transição de animações, entre o andar normal da personagem para uma interação com um objeto ou uma seção cinemática, é bastante fluida e apresenta poucas falhas. É possível verificar alguns “encraves” no movimento da personagem por vezes, mas estes são bastante suaves, não afetando a experiência de qualquer forma.

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Tenho de dar os meus parabéns à equipa, a qualidade da apresentação é sem dúvida um dos pontos fortes de Fort Solis, que nos apresenta algo bastante próximo dos grandes, não apresentando óbvios compromissos ou atalhos pela equipa. Um jogo extremamente imersivo com uma qualidade visual competente.

Um mundo interativo, com bastante para descobrir

A jogabilidade de Fort Solis apresenta-se como uma experiência interativa, sendo focada completamente nas interações com o cenário e no avanço da sua história. Temos aqui um jogo bastante simples, onde podes andar e interagir com vários objetos ou máquinas, juntando-se com algumas cenas mias cinematográficas acompanhadas por quick time events simples que não exigem uma reação muito rápida do jogador. Não existem escolhas na história, sendo apenas uma experiência maioritariamente linear com uns puzzles simples e rápidos.

Os puzzles envolvem pequenos jogos de ritmo e tentar descobrir palavras passe para computadores e outros dispositivos. Podes também ter algo simples como ir buscar um objeto que precises para destrancar uma porta e proceder. Não há aqui nada que requeira um extremo exercício mental, fazendo com que, mesmo com a sua existência, não se quebre a fluidez da progressão da história.

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Em termos de controlos, o protagonista pode andar, fazer interações contextuais com o cenário e também utilizar a sua pulseira eletrónica para visualizar o mapa do forte e também para rever quaisquer mensagens, vídeos ou gravações de áudio que tenha colecionado pelo caminho. Estas faixas de áudio e vídeo contêm bastante informação mais aprofundada do mundo do jogo, pelo que é sempre favorável tentar encontrar e reproduzir todas. Também existem uns pósteres espalhados pelo forte, que servem apenas como colecionáveis para desbloquear extras como a arte do jogo.

Como veem, a jogabilidade de Fort Solis é extremamente simples e focada, o que faz com que tenhamos aqui um jogo que está bastante livre de qualquer palha ou mecânica desnecessárias. Penso que foi bem executada para o conceito e foco do jogo, e nunca senti que a jogabilidade precisasse de mais, servindo perfeitamente o que a equipa quis fazer.

Algo que eu gostaria que houvesse, era apenas um botão para correr, ou algo como andar a um passo mais rápido. Sinto que a personagem tem um andar demasiado lento e relaxado, fazendo com que a exploração do forte para colecionáveis seja um tédio total. Algo como um botão para apressar um pouco o passo seria sem dúvida bem vindo.

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Um foco auditivo mais ambiental

O áudio em Fort Solis é focado em tentar fazer-nos ouvir o silêncio. A música é extremamente rara, sendo que a maioria do que irás ouvir são os sons ambientais do forte e o diálogo das personagens. Quando apanhas alguns objetos importantes ou fazes algum avanço na história, tens um whoosh, e por vezes tens um grave de fundo a criar algum peso, mas, geralmente, é um foco completo no som ambiental e na criação de uma atmosfera realista e imersiva. Penso que a equipa fez um bom trabalho, sendo que, por vezes, ficava completamente interiorizado no jogo, não prestando atenção ao que estava à minha volta.

Outro aspeto onde a equipa acertou foi na escolha dos atores. Com grandes nomes como Roger Clark (Jack Leary), Julia Brown (Jessica Appleton) e Troy Baker (não irei mencionar para evitar spoilers), não falta aqui talento puro, que nos proporciona um lado humano a estas personagens, fazendo com que, novamente, haja uma grande imersão e sensação de autenticidade e realismo.

Atenção ao alarme, pois têm Fort Solis à vossa espera para a Playstation 5 e PC na Steam e Epic Games Store. Uma versão para Mac está planeada para 26 de outubro.

CONCLUSÃO
Fortemente Sólido
8.5
fort-solis-analiseFort Solis é um jogo que sabe o que quer ser. Uma experiência focada na sua narrativa, com mecânicas que complementam a progressão da história, sem palha, sem complexidades, e sem adições desnecessárias. Um jogo de duração modesta, com uma execução competente e de qualidade.