Hoje trago-vos um projeto bastante interessante. Desenvolvido pela Inti Creates, a equipa que nos trouxe jogos como Megaman Zero, Azure Striker Gunvolt e o “interessante” Gal Gun, apresento-vos Gal Guardians: Demon Purge.

O que aconteceu à escola?

Gal Guardians tem uma premissa simples. As duas protagonistas, Shinobu e Maya Kamizono, são duas irmãs que estão no seu simples passeio da manhã em direção à escola, como qualquer dia normal. Ao chegarem à escola, apercebem-se que a mesma se encontra bastante diferente, tendo um aspeto de um castelo demoníaco, apresentando-se com uma arquitetura mais gótica e assustadora.

Ora que, por coincidência, as irmãs são caçadoras de demónios, e apercebem-se facilmente que se trata de um universo paralelo, habitado por demónios. Cabe então às protagonistas descobrir a raiz do que causou a escola estar neste mundo dos demónios, e salvar a mesma. As duas vestem os seus uniformes de caçadoras de demónios e dirigem-te para o interior da escola.

A premissa da história é uma já bastante comum. A ideia de adolescentes com super poderes ou habilidades incomuns que têm de salvar uma escola em apuros é bastante popular, mas, na situação do jogo, dá para uma história bastante leve e fácil de digerir.

Uma homenagem a um grande

Gal Guardians apresenta-se como um metroidvania, e um que não esconde as suas inspirações. O jogo tem várias referências ao Castlevania, desde o design dos cenários no castelo, com vários corredores decorados com quadros e tapetes longos e masmorras escuras, até a pequenos easter eggs no design de alguns inimigos, bosses e animações.

O design dos níveis, apesar de darem liberdade ao jogador para explorar, são mais lineares e simples, não havendo caminhos interligados entre zonas nem mapas complicados de se navegar. Esta simplicidade tem algum sentido, pois dá espaço para uma mecânica mais desenvolvida. No jogo, podes trocar entre as protagonistas em tempo real, cada uma com a sua barra de vida única, e também com caraterísticas que as diferenciam.

Começando pela Shinobu, temos aqui a nossa personagem focada em fazer dano à distância. Equipada com uma metralhadora, Shinobu apresenta-se como uma personagem simples de jogar, podendo manter uma distância segura enquanto ataca inimigos, tendo em atenção as balas no carregador, de modo a poder carregar a arma em momentos oportunos e seguros. Esta segurança traz consigo um dano menor que a sua irmã, fazendo com que nem sempre consigas derrotar os inimigos até se aproximarem, e também, não havendo muitas opções de dano numa área, focando-se mais em fazer dano em apenas um inimigo de cada vez.

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Relativamente à Maya, temos aqui uma personagem que não tem medo de se aproximar e dar umas valentes cacetadas nos demónios. Maya utiliza os seus origami para criar armas como espadas e machados para realizar os seus ataques. Apesar de ser uma personagem que requer mais movimento, Maya consegue fazer bastante mais dano que a sua irmã. Outra vantagem que a Maya tem, é que os seus ataques têm bastante movimento, podendo atacar num raio amplo à sua frente, não requerendo tanta precisão como a metralhadora da Shinobu. Maya também consegue atacar vários inimigos ao mesmo tempo, devido ao raio mais largo dos ataques, ela pode por vezes atingir vários inimigos com cada ataque, desde que os mesmos estejam próximos o suficiente.

Cada irmã também usufrui de armas adicionais de uso limitado, chamadas de sub-weapons, que irás ganhar ao derrotares os bosses que encontrares ao longo da aventura. Estas sub-weapons são únicas a cada personagem, e podem ser usadas como um método adicional de ataque, ou também para navegação, de modo a se conseguir chegar a zonas e plataformas onde o movimento base do jogo não é suficiente.

Algumas das minhas sub-weapons favoritas são aquelas que atingem um equilíbrio de utilidade e ofensiva, dando ao jogador múltiplas opções com apenas uma única sub-weapon, como por exemplo:

  • Grapple Hook: Dá a possibilidade de te poderes prender nos tetos e paredes, podendo saltar depois de preso e voltar a prender, sendo como uma extensão de movimento horizontal e vertical. Também pode ser usado para puxar inimigos, sendo uma boa forma de puxá-los para precipícios, por exemplo;
  • Penguin: Um pinguim que corre uma distância, e depois congela os inimigos no ponto onde para, fazendo com que o inimigo possa servir de plataforma. Também pode servir para congelar certos aspetos dos cenários, como água.

Estas são apenas 2 das dezenas das sub-weapons que irás encontrar no grande castelo, todas elas com as suas habilidades únicas e uso criativo. Estas sub-weapons irão ser a tua principal ferramenta para encontrares zonas extra e secretas nos níveis onde já estiveste, sendo uma forma de encorajar a exploração de zonas anteriores.

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A exploração é bastante encorajada, sendo que irás encontrar upgrades que te aumentam a barra de vida, bem como outros colecionáveis especiais que fazem parte da história. Não irei mencionar estes colecionáveis, pois seriam spoilers, mas a exploração é sempre beneficial para o jogador, sendo que irá sempre resultar em algo que, no final, irá valer o teu tempo.

A variedade de inimigos impressiona, desde esqueletos a demónios. Temos também inimigos voadores, no solo, uns que atacam à distância com projéteis rápidos e lentos, inimigos de vários tamanhos, entre outros. Esta variedade é sem dúvida bem vinda, visto que, mesmo com um progresso mais linear, o jogo não deixa de ser dinâmico durante toda a sua duração.

O mesmo se pode dizer dos vários bosses que irás encontrar ao explorar o castelo. Os bosses do jogo seguem a fórmula já conhecida dos metroidvania, com padrões de ataques, fases e uma boa dose de desafio. Os bosses são um ponto bastante forte do jogo, mostrando o talento da equipa, com cada boss a ser único. Dou uma especial atenção aos checkpoints do jogo, pois eles estão sempre colocados de forma a eliminar muitas possíveis frustrações do jogador. Dando um exemplo, na sala anterior a cada boss, irás sempre ter um checkpoint, fazendo com que, caso sejas derrotado, consigas voltar a tentar imediatamente.

Sonoridade moderna, composição clássica

No aspeto musical, Gal Guardians: Demon Purge não esconde as suas inspirações. O ambiente sinistro e as melodias de sintetizador com um toque de tonalidade dos tempos da NES são bastante nostálgicos. Esta melodia principal é acompanhada por outros instrumentos, como uma bateria e baixo, proporcionando um som cheio e com bastante qualidade. Admito que fiquei impressionado com a qualidade do OST, havendo inclusive algumas músicas que apresentam um dose de complexidade surpreendente.


Gal Guardians: Demon Purge encontra-se à espera de um caçador de demónios para o salvar na Playstation 4, Playstation 5, Xbox One, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC na Steam.

NOTA IMPORTANTE: O jogo mudou de nome, de Grim Guardians para Gal Guardians, devido a um DMCA dirigido à editora. O nome que consta no trailer ainda é o anterior.

CONCLUSÃO
Galvania
8.5
gal-guardians-demon-purge-analiseGal Guardians: Demon Purge apresenta-se como um Castlevania lite, com uma jogabilidade sólida e mecânicas criativas. Um jogo que não se leva muito a sério, mas que nos mostra a competência da equipa no seu design.