O mais recente titulo da saga mais antiga Playstation, regressou após um interregno de 5 anos, mesmo a jeito de celebrar o quarto de século desta saga! Gran Turismo 7 (GT7) não desilude e depois de uma grande expectativa, esteve à altura do prometido e entregou um grande jogo para os amantes do género! Com mais de 90 variantes e 34 pistas, recriadas o jogo é tudo o que um amante do género deseja! 

Volta de aquecimento 

Normalmente, qualquer corrida começa com uma volta de aquecimento, para colocar temperatura nos pneus – quanto mais quentes estiverem, melhor a aderência à pista. Isto para verificar que o veículo se encontra apto a correr e foi assim que começou a análise, quando no dia 25 de fevereiro recebemos o jogo em acesso antecipado. 

A expectativa era igual à de uma criança na noite de Natal e passados 20 minutos tive o primeiro presente: o novo modo Rally Musical. 

Este modo de jogo, uma estreia na saga, permite que o jogador percorra a máxima distância possível, até um mix de músicas terminar. O jogador começa assim num carro vintage ao ritmo de Beethoven e rapidamente percebemos que estamos a entrar numa obra de arte. Não sendo essencial, permite descansar e usufruir da condução ao ritmo de um medley, numa total descontração, ótimo para aqueles dias em que só queremos dar umas voltas numa pista e relaxar. 

O que acaba por ser mega rápido são os loading times e raramente temos black screens ou de esperarmos muito por carregar cada corrida, aliás, nunca joguei um jogo que carregasse tão rapidamente, diria mesmo que é à velocidade de um Ferrari em Monza! 

Por outro lado, percebemos que os desafios e as diferentes taças estão desta vez organizados por pista, o que acaba por tornar a experiência mais agradável e user friendly. Aquecimento feito…. “Lights out and away we go!”

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Partida

Numa corrida automóvel, a partida é considerada um dos momentos mais importantes da mesma, afinal uma má partida de Verstappen permitiu a Hamilton liderar desde cedo o GP de Abu Dhabi de 2021. Mas, felizmente, este jogo não é o piloto neerlandês e começa logo com um mimo para os amantes de automóveis e da sua história. 

Num vídeo de apresentação lindiíssimo, o jogador é brindado com uma história breve da indústria automóvel. Porque o Gran Turismo na sua essência é mais do que um simples simulador de corridas, é o jogo ideal para os amantes da indústria automóvel e com isso a sua história. Kazunori Yamauchi o criador da saga e companhia sabem disso, e conseguem tocar no coração dos amantes da velocidade.

Visto o video de apresentação, com referência ao 7 vezes campeão do mundo de F1 Sir. Lewis Hamilton, o Maestro, como é designado no vídeo, percebemos que estamos a entrar numa obra de arte. Para os mais curiosos, Hamilton foi consultor do jogo, o que por si só revela o perfeccionismo que a Poliphony Digital e a Sony Interactive Entertainmente colocaram no jogo e a importância que dão a este simulador. 

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Reta da meta

Após saída, temos então a reta até à primeira curva, requere-se ao piloto que saiba aproveitar a boa partida e se coloque em boa posição, até à primeira curva. O jogador está em pulgas após experimentar o Rally Musical e ver o vídeo de apresentação e agora só quer pegar no volante e correr….. E é isso mesmo que fazemos, mas primeiro….. Café! Sim, este jogo bem que podia ser feito por um português, que não perde uma desculpa para ir ao café. 

E o que temos é isso mesmo. Aliás, o jogo soube dar a volta a um dos grandes problemas dos jogos de corrida, a continuidade. Sim, ao passo que num RPG ou num jogo de ação temos uma continuidade dada pela história e um enredo que nos prende ao jogo, nos jogos de carros muitas vezes temos apenas desafios soltos, ou corridas isoladas o que acabam por ser suficientes para um amante de simuladores de corrida, mas para o jogador comum e que vem de jogos mais Arcade como a agora popular saga F1, acaba por tornar os jogos aborrecidos. 

No Café, o jogador vai receber desafios no formato de ementas e com isso tem a melhor forma de completar o jogo. As Ementas são pequenos desafios nos quais se pede que o jogador vença corridas e com isso ganhe carros de uma certa categoria. Por exemplo, destaco a ementa da Alfa Romeu no qual se desbloqueiam 3 carros da marca italiana, ou o desafio Mustang, na qual o jogador irá desbloquear 3 variantes deste modelo icónico. No final da ementa, o dono do café conta a história dos modelos desbloqueados e a sua importância na história automóvel, afinal este jogo é pensado para quem gosta de carros. E uma coisa é certa, para os mais atentos após várias horas de jogo, a cultura sobre a história automóvel irá aumentar certamente. A associar a isto, as diferentes 34 localizações que incluem pistas famosas como Spa ou Monza, passando por algumas clássicas no Gran Turismo, como Willow Big Springs, apresentam um layout muito perto da realidade, com um detalhe incrível em cada pista. 

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Primeira Chicane 

A chicane pode ser descrita como um desvio parcial numa reta, tendo em vista diminuir a velocidade. A dificuldade desde tipo de curvas é precisamente o de calcular a velocidade de entrada, em regra baixa e simultaneamente, maximizar a velocidade de saída. Aqui carta de condução pode ser uma dor de cabeça, tão grande como saber sair de uma chicane. A carta de condução é também um clássico de Gran Turismo e algo único desta saga, um modo em que o jogador enfrenta pequenos desafios, ao mesmo tempo que aprende a conduzir melhor e a dominar a arte das corridas. 

Esta carta não é mais do que uma réplica da carta de pilotos de corrida, necessária para participar em provas nas diferentes categorias do desporto automóvel. E dividindo-se em 5 categorias de cartas, cada uma com 10 provas. As provas são cada vez mais rigorosas e difíceis, desde a carta Nacional B, até à Supercarta, o jogador vai desbloqueando carros à medida que vai superando as provas, podendo ganhar um carro melhor se conseguir bater o tempo de ouro, nos 10 desafios de uma carta. De destacar pela negativa, os vídeos de demonstração de cada prova, dado que no GT Sport, os mesmos tinham verdadeiras dicas, ao passo que no jogo atual, a demonstração é apenas um vídeo sobre uma prova perfeita, havendo parcas ajudas. 

Carta terminada, e com alguns carros como recompensa – um por cada categoria – arranquei para as ementas, começando com um carro japonês compacto, comprado no stand de usados, uma novidade desde jogo e regresso às origens de Gran Turismo. Nas ementas vamos conhecendo pilotos profissionais de Gran Turismo, tendo o jogo também colocado pilotos de sim racing, como nossos “rivais” em cada prova. A ideia parece ser dar a conhecer os pilotos de sim racing, cada vez mais populares e mais uma vez, dar uma ideia de continuidade e história. 

Conta ainda com os já conhecidos modos de desafios, em que temos de fazer um número de ultrapassagens antes do fim de um setor, ou bater uma pontuação através de drift. Sem esquecer o modo de dominar as pistas, em que temos de bater um determinado tempo por setor, e a pista inteira no fim. A verdade é que não faltam horas de diversão e mesmo após 25 horas de jogo, a sensação é que ainda temos muito por explorar. 

No online destaque para o modo Sport, onde os jogadores podem testar as suas habilidades em corridas “ranked” que podem servir como qualificação para o circuito Esports. Além, da possibilidade de corridas amigáveis online, ou offline com amigos.

Dado que a análise foi feita antes do lançamento do jogo, a dificuldade em arranjar jogadores online, mais a mais, com o embargo em curso, impossibilitou experimentar estes modos de jogo, assim como o modo split screen no qual deu apenas para perceber que a qualidade gráfica se mantém neste formato. 

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Zonas de ultrapassagem

Nas diferentes provas e ementas, é pedido ao jogador que ganhe corridas e acabe por desbloquear um carro, após desbloquearmos os três carros, ide cada ementa iremos passar para a prova da ementa e assim sucessivamente, terminando sempre cada ementa com a história dos carros que acabamos de ganhar. 

O problema é mesmo o formato das corridas, numa altura em que o sim racing e simuladores estão cada vez mais em voga e se o Gran Turismo tem essa preocupação, não parece que o formato de começar em último em todas as corridas e terminar em primeiro, num espaço de 3 voltas, seja atual. Basta ver, que numa corrida em regra há uma ou duas zonas de ultrapassagem, pelo que acaba por ser pouco realista a ideia de passar todos os carros adversários em duas voltas, sistematicamente. 

Apesar de ser um clássico da saga, podiam beber a outras franquias e colocar a qualificação antes das corridas, à semelhança do que é comum no desporto automóvel, dado que as corridas acabam por se tornar repetitivas. A associar a isto haver apenas 3 níveis de dificuldade de IA, acaba por nivelar por baixo a experiência, ao contrário de jogos em que a dificuldade varia entre 0 e 110. 

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Respirar fundo e apreciar

Uma das grandes novidades desde jogo prende-se com o céu. O mesmo é recriado com base na localização do jogador, indo ao detalhe de colocar os astros no mesmo local. Tive a sorte de apanhar um dia de chuva e isso acabou, por coincidência ou não, por se refletir no jogo. De facto, os detalhes são impressionantes e nos dias solarengos dei por mim a precisar de “óculos de sol” para evitar o reflexo da luz nos carros. O pináculo disso? O dashboard conta agora com um radar meteorológico, que indica se pode chover ou não durante a corrida. 

Por falar em luz, o modo ray tracing encontra-se presente no jogo, em alternativa a priorizar frames, nota que o ray tracing encontra-se presente apenas nas repetições de corrida. 

E numa altura em que a fotografia digital está cada vez mais presente, Gran Turismo, tem um verdadeiro programa de Photoshop embutido no mesmo. As possibilidades são monstruosas e capazes de fazer corar a Adobe, com opções infindáveis podendo ser-se o próximo Insónias em Carvão, do automóvel. Não faltam mesmo opções no modo Scapes, para os amantes da fotografia. 

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De resto, o jogo conta com o já habitual stand de automóveis novos, com mais de 420 modelos de carros de todo o mundo e com uma novidade. O stand de carros lendários, no qual se podem comprar modelos únicos e icónicos de certas marcas, como um Aston Martin vintage.

Por falar em carros, as possibilidades de afinação são inúmeras, mas destaco a forma como o jogo é user friendly dando pontos de potência a cada carro, podendo o jogador mais casual comprar peças e saber se afetam o veiculo para melhor ou pior. Esta forma de “tuning” é mais um regresso às origens de Gran Turismo e peças como diferentes tipos de pneus, ou asas traseiras afetam em muito o comportamento do carro.

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Condução

Gran Turismo 7 é o primeiro Gran Turismo feito para a PS5 e que consegue aproveitar os recursos do famoso DualSense e a verdade é que sabe capitalizar. 

Para começar a condução é diferente de carro para carro e rapidamente nos apercebemos que tipo de carro preferimos, pessoalmente, fujo dos carros com tração traseira. Além de que a travagem pode ser estimulante, pois longe vão os tempos em que bastava travar com o X. E se as várias ajudas que o jogo dá permitem facilitar a vida ao inicio, jogar sem qualquer tipo de ajudas dá uma sensação única e melhores tempos de corrida. 

Sobre o controlo em si, logo a iniciar o jogo podemos escolher se queremos controlar o jogo com as setas, analógico ou mesmo com sensores de movimento ( tecnologia que vem desde GT4 na PS3 e que parece ter voltado), mas a verdade é que o que mais deslumbra são mesmo as sensações que o comando emana. 

E com o comando entramos numa experiência única, em que sentimos todo o asfalto e os penus do carro, a passar a gravilha, bermas e terra a sensação é algo semelhante ao jogo do F1 2021, mas esta talvez seja ainda mais realista. E sem duvida que os gatilhos são algo de único e útil ao jogo. A pressão que fazem quando queremos acelerar e travar melhoram em muito a experiencia de jogo e ajudam, simultaneamente, a fazer melhores tempos. A verdade é que a sensação de termos dois pedais nos dedos é algo de incrível. 

De resto, joguei também num Thrustmaster T300, um volante de gama média e a sensação de force feedback supera todas as que já experimentei. A forma como sentimos os pneus do carro em situações de understeer são únicas, assim como a força necessária para algumas curvas. De salientar que este volante já tem alguns anos e acredito que novas propostas sobretudo com direct drive, darão uma experiência melhor. Digo até que este jogo é a desculpa perfeita para investir num volante, ao mesmo tempo que não deixa ficar mal quem opta por usar um comando DualSense. Aliado a isso, com o som 3D conseguimos ter uma noção clara de onde vêm os carros adversários e sentir o ruido dos mesmos, isto claro melhora com um sistema de bons headphones como os da própria PlayStation.

Talvez, seja isso mesmo que torna Gran Turismo único. A forma como abre portas a jogos mais complexos como Asseto Corsa e IRacing, agradando a fãs destas sagas, ao mesmo tempo quer consegue ser intuitivo para quem vem de jogos mais árcade.

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Paragens nas boxes

Mas nem tudo é perfeito neste jogo e se cheguei a ter dificuldades sérias ao conduzir um Audi R8. Coincidências ou não, após várias horas de jogo, só quando recebi e conduzi este modelo comecei a sentir a frame rate a cair e o jogo a encravar – nota que joguei a versão imprensa e por isso acredito que estes bugs sejam corrigidos até ao lançamento da versão final. 

Por outro lado, e ainda que tivessem anunciado a melhoria dos bots, os mesmos ficam a desejar no capítulo de cortesia de corrida e por vezes acabam por chocar com o jogador, não respeitando a distância de segurança. De lembrar Fernando Alonso que falava sempre em deixar um carro de distância, algo que o IA nem sempre cumpre.

O Automobilismo é caro….

Nota ainda, para o sistema de roletas. Quem vem do jogo Gran Turismo Sport e habitou-se a receber um carro diariamente, após conduzir 40 km, ou após completar um desafio pode tirar o “carrinho da chuva” e apesar de haver roletas com diferentes níveis de prémios, a verdade é que acabamos por receber sempre o prémio mínimo, que em regra são 2.000 crs.

Por outro lado, completar a carta ou os desafios de pista dão muito menos moedas que o antecessor Sport e chegar a 1 milhão de créditos é um esforço hercúleo. Por isso mesmo, completar a coleção de carros torna-se muito mais difícil! 

Gran Turismo 7 tem lançamento marcado para 4 de março na PlayStation 4 e PlayStation 5.

CONCLUSÃO
O desporto automóvel nunca foi tão bem tratado!
9.2
gran-turismo-7-analiseCom uma experiencia de condução única e um jogo de simulação ideal para os mais expreintes, sem esquecer quem é novato nestas andanças, Gran Turismo 7 arrisca-se já em março a um forte candidato a jogo do ano! Um jogo obrigatório para os amantes do desporto automóvel e a desculpa perfeita para arranjar uma consola da nova geração!