Inadvertidamente, lancei-me a uma aventura na mais pura das formas: porque o protagonista gosta de se aventurar. E assim foi, uma viagem do presente para o passado, com muita nostalgia, bravura, comédia e camaradagem, e agora, retorno ao presente para vos contar como foi passar por Grandia HD Collection.

Grandia foi originalmente lançado para a Sega Saturn no Japão em 1997. Esteve uns tempos escondido do Oeste, até que finalmente é lançado na Playstation, abrindo as portas a um JRPG que tinha o fardo de competir com o mítico Final Fantasy VII, mas manteve o pé bem assente. Por algum motivo, Grandia II decidiu seguir o mesmo caminho, saindo no Oeste mais tarde, com direito a lançamento na Playstation 2. Terminando a trilogia, sim, porque parecendo que não, existem três Grandia, encontramos Grandia III, cuja qualidade é inferior à dos antecessores, mas não deixa de ser uma entrada divertida.

Ora, tal foi a marca deixada na indústria, que a Square Enix, detentora dos direitos, aliou-se à GungHo para nos trazer os dois primeiros jogos da trilogia como Grandia HD Collection (de certa forma não acredito que estou a escrever isto). Fico muito contente que possamos jogar a saga Grandia sem ter de pagar centenas de euros aos scalpers mas custava assim tanto incluírem o terceiro jogo nesta coleção? Bom, adiante.

Narrativa

Somos então largados no meio de intrigas entre figuras de alto poder, mas a verdadeira aventura está nas personagens e nas suas interacções genuínas e hilariantes. Lideramos como Justin, um jovem que sonha com uma vida de aventura, e com isto em mente, deixamos a nossa cidade natal com Sue, uma (praticamente) irmã, com o fim de escalar uma parede gigante no Fim do Mundo.

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Uma premissa bastante simples, que me surpreendeu, pois vi-me satisfeito a viver uma história que não precisou de sobre-desenvolver, com enredos que ramificam até à terceira linhagem. Existe o famoso meme de que nos JRPG começamos como um campónio e acabamos a lutar contra um deus, ora, em Grandia, começamos como um campónio e acabamos como um campónio com mais coragem e experiência, e é absolutamente perfeito.

Em Grandia II o rumo desvia-se do original, mas ainda assim consegue captar boa parte da essência do primeiro. Interpretamos Ryudo, um tipo impiedoso, fruto da sua profissão, Geohund. Uma profissão desprezada, mas bastante popular, onde se dá uso à força (entre outros) para desempenhar tarefas. É derivado desta profissão que embarcamos na nossa aventura em Grandia II, pois num pedido para acompanhar Elena até uma torre com ar tenebroso. Entretanto desenrolam-se vários eventos inesperados e acabamos por ter de viajar pelo mundo de forma a ajudar Elena.

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Jogabilidade

Era bastante injusto estar aqui a avaliar Grandia como se fosse um jogo atual, pelo que me limitarei às introduções básicas das mecânicas e melhorias que surgiram (ou não).

Tanto Grandia I como Grandia II utilizavam pontos específicos para guardarmos o nosso progresso. Ora, sou bastante a favor de se manter a experiência original, mas meus senhores, por favor pensem em quem trabalha (muitas vezes até tarde). Resident Evil acertou na mouche com este tipo de temas, onde inclui o auto-save, mas permite à mesma gravarmos de forma manual, contando para a pontuação. Não é que tenha achado qualquer um dos Grandia difíceis, mas sentia-me preso à conclusão de certos níveis, o que me obrigou mais do que uma vez a continuar a jogar quando estava fora da imersão.

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Adicionalmente, navegamos com base numa bússola, um mapa (que não sei até que ponto ajuda), e a nossa memória, que é de longe o que mais usamos para decorar locais de interesse. Claro que estou a pedir demasiado de um jogo que saiu nos anos 90, mas ao mesmo tempo uma edição ao nível do HUD, ou de uma página extra no menu não teria sido assim tão descabida, e creio que seria bem mais útil aos novos jogadores, que cresceram numa era facilitada neste sentido. É bom existir equilíbrio, mas não se consegue indo do 80 ao 8.

No que toca ao combate, este ficou intocado, embora desse jeito termos um botão para fast-forward.

Encontramos, em ambos os títulos, um sistema baseado em turnos semelhante ao famoso sistema ATB. Tanto podemos recorrer a um ataque básico, de seu nome Combo, e um ataque Crítico. Talvez numa tentativa de se destacar dos congéneres, os ataques Combo são mais rápidos e têm uma maior área de alcance, o que significa que atingimos mais, e melhor. Já os ataques críticos, apesar de causarem menos danos, assim que terminam, dão reset aos inimigos, empurrando-os para o fim da fila. Durante o combate, movemo-nos de forma automática, pela área de batalha enquanto atacamos as forças inimigas, retirando-nos assim que o ataque se conclui.

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Os encontros de inimigos são frequentes, mas desde que nos mantenhamos “em dia”, não prolongam a sua estadia para lá do que é desejado. Devo no entanto acrescentar que Grandia tem, fora de combate, os inimigos mais rápidos que já vi. A velocidade que nos perseguem é simplesmente assustadora, e confesso que nas primeiras vezes ainda suei, mas eventualmente deixei de tentar fugir porque não dá.

Audiovisual

Grandia apresenta-se com sprites 2D em fundos 3D, enquanto que Grandia II é totalmente 3D. Embora ambos tenham uma apresentação bonita, Grandia I destaca-se de forma ímpar, onde encontramos desenhos cheios de vida e personagens que transmitem devidamente as emoções. Na remasterização, a GungHo aproveitou as sprites do jogo original e aplicou uma ligeira suavização. Sinceramente, tal como muitos jogadores, preferia a versão original, embora a nova não esteja má, creio que podiam ter incluído um toggle que permitisse alternar entre ambas.

A apresentação em 16:9 é satisfatória, e Grandia equipara-se à sua melhor versão (Sega Saturn), tendo as bandas sonoras e as atuações vocais levado um trabalho incrível. Já Grandia II… Podia ter corrido melhor. Claro que não se compara à versão Playstation 2 mas continua com abrandamentos durante o jogo, e a adaptação visual não foi a melhor, resultando num HUD “esticado” e um upscaling que merecia melhor trabalho na arte das personagens.

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Breviário

Grandia traz consigo um legado que se deixou decair ao longo dos anos, deixando assim dissolver a marca de um excelente JRPG. Felizmente, a Square Enix decidiu apostar nos títulos originais, possibilitando ambas as aventuras, que têm os seus altos e baixos, à semelhança destes ports. Não obstante, para os fãs de JRPG e que nunca jogaram Grandia, é sem dúvida uma “coleção” a agarrar.

CONCLUSÃO
Clássicos
7
grandia-hd-collection-analiseEmbora ofuscado, o legado de Grandia ainda possui algum peso, apresentando-se agora nas consolas modernas para que os fãs possam avivar, e quiçá reinventar ou continuar as divertidas aventuras que esta saga nos traz.