Hoa é um pequeno universo de desenhos fantasiosos, quebra cabeças e referências por descobrir. Entre as folhas das árvores e as bolhas do mundo aquático, há sempre uma criatura simpática e uma bonita faixa sonora à espera de nos agarrar e conduzir por uma viagem mágica e delicada.

Em traços gerais, Hoa é uma pequena personagem que parte numa viagem tanto nostálgica como de descoberta, repleta de mensagens e detalhes subtis que têm a capacidade de transformar e dar vida a uma narrativa aparentemente frágil e pouco elaborada. Por algumas horas, Hoa guia-nos através de ramos, mergulhos e caminhos subterrâneos, numa descoberta constante e recheada de momentos inesperados. Eu, por exemplo, parei algures e perdi uns minutos apenas a observar a beleza da animação de uma certa cena e a ouvir a música que a acompanhava. E não me arrependo de o ter feito.

Eventualmente (e provavelmente por ser fã das criações do Studio Ghibli) são muitas as referências que saltam à vista (e ao ouvido), tanto no desenho como na animação ou na composição musical. De Ponyo a A Viagem de Chihiro, passando pel’ O Mundo Secreto de Arrietty e O Castelo no Céu, são vários os elementos que nos remetem direta ou indiretamente para o universo Ghibli e para o estilo único e fantástico com que dão vida a histórias e personagens. Noutra ocasião, podia considerar estas parecenças como algo negativo, mas, no caso de Hoa, não consigo fazê-lo. Nem perceber porquê.

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A (bonita) viagem de Hoa

A arte de Hoa é, sem dúvida, o principal ponto forte do jogo, competindo, ainda assim, de perto com a suave e cativante banda sonora. Certo é que o ambiente criado em torno da pequena viagem da pequena Hoa – sim, é tudo pequeno neste jogo – não deixa ninguém indiferente. Todo e qualquer elemento parece ter sido desenhado e criado com o maior cuidado e com um carinho próprio de quem gosta verdadeiramente daquilo que faz.

Ser minimalista e indie não comprometeu de forma alguma o jogo, bem pelo contrário. Visualmente, Hoa é irrepreensível, assim como em termos sonoros. O minimalismo e a simplicidade conferem-lhe provavelmente o carácter delicado e quase gourmet que nos é apresentado ao longo das três ou quatro horas de jogo que oferece.

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A (curta) viagem de Hoa

No seguimento do que escrevi antes, um jogo curto não é necessariamente um jogo pobre. No entanto, um jogo demasiado curto pode deixar a sensação de que algo está em falta. Apesar de começar e terminar de forma coesa a história que tem para contar, Hoa resume-se apenas a isso: uma curta e bonita história com alguns capítulos (que, para além disso, podem ser jogados aleatoriamente a qualquer momento). No fundo, um pouco como o conhecido livro A Árvore Generosa: interessante e com uma mensagem a passar, mas demasiado curto e esgotável em poucas páginas.

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Gostava de ver uma abordagem mais completa à história, alguns colecionáveis e outros Easter Eggs que nos atraíssem e levassem a regressar pelo conteúdo, mas Hoa prende-se demasiado à curta história que tem para contar. Outros jogos do género (recordo-me de Unravel, por exemplo, um dos meus preferidos) oferecem mais para lá da linha principal e da beleza estática e sonora.

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Em termos de controlos e de outros aspetos que possam ter impacto na experiência de jogo, pouco ou nada há a comentar, porque praticamente tudo se resume a seguir em frente e a voltar atrás quando necessário. Hoa é uma criação bonita, simples e cativante e, de certo modo, que merece ser revivida, por todo o ambiente visual e sonoro construído em torno da história. Essencialmente por isso.

Desenvolvido pelo Skrollcat Studio, Hoa está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch, Xbox One e Xbox Series S/X, assim como através da Steam.

CONCLUSÃO
Hoa daria um bonito filme.
7
hoa-analise-2Gostei do jogo? Gostei. Quero voltar a jogá-lo? Talvez; só que pelos cenários e pela banda sonora. E a questão que me deixa reticente é essa: Hoa ofereceria praticamente o mesmo enquanto filme que oferece enquanto jogo. Os puzzles são mínimos, os caminhos são lineares e a componente “jogo” que envolve a narrativa é básica. Na prática, é a arte que salva Hoa. Ainda assim, pela bonita viagem que tem para oferecer, não posso dizer que não o recomendo.