Foi há pouco mais de um ano que analisei a continuação da incrível, mas amaldiçoada história de Aloy. Escrevo amaldiçoada pois a Guerrilla acaba por se encontrar sempre num ponto crucial da história dos videojogos quando decide lançar as novas aventuras de Aloy: primeiro com The Legend of Zelda: Breath of the Wild a sair na mesma altura que Zero Dawn, e no ano passado, quando Forbidden West e Elden Ring saem na mesma semana.

Não têm sido lançamentos “exclusivos” ao brilho de Aloy, mas como se costuma dizer, a qualidade resiste ao teste do tempo, portanto, cá estamos na onda do sucesso de Forbidden West para falar do seu DLC: Burning Shores.

História

A narrativa traz a sua compostura mais forte até à data. Não só conseguem criar tensão e urgência desde cedo, como apresentam o desenrolar das situações na forma mais natural possível, não existindo pressas (ironicamente) para chegar ao fim da aventura.

Tematicamente, esta é sem dúvida a narrativa mais pontiaguda face aos temas ambientais e à pegada humana no estado da Natureza. Para abordar tal tema, temos uma excelente decisão da Guerrilal no que toca às personagens: qualidade sobre quantidade.

Embora me tenha maravilhado com o vasto mundo e tribos de Forbidden West, creio que encontramos tantas personagens, que perdemos o rumo aos nomes, tornando assim muitas delas esquecíveis, quando na verdade têm histórias bastante interessantes, mas como estão num mar de agulhas, o palheiro disfarça-as.

Em Burning Shores conhecemos Seyka, uma guerreira da mítica tribo Quen que servirá como catalisador à viagem mais introspetiva de Aloy, fazendo-a questionar sobre a moralidade das suas decisões. Juntamente com Seyka temos como objetivo derrubar Walter Londra, um excêntrico que decidiu alcançar o seu sonho independentemente do custo.

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A história de Burning Shores tem uma duração moderada, com cerca de 7 horas para terminarmos a história, fora a exploração que traz consigo, totalizando um aproximado de quinze/vinte horas para os 100%

Mundo

Burning Shores mantém o fator deslumbrante, com ambientes variados e vibrantes. Claro que ajuda ter sido lançado apenas na Playstation 5, mas mesmo assim não sacia a fome, pois todos sabemos que com a Guerrilla, o potencial é muito mais do que o apresentado. Desde florestas recheadas de vida selvagem a desertos áridos com surpresas, o mundo encontra-se cheio de vida.

Denota-se um claro aumento no nível de detalhe da flora e fauna, o que preenche o ecrã de uma forma mágica que apenas Forbidden West transmitiu nesta geração.

O mapa de Burning Shores tem aproximadamente 1/3 do mapa de Forbidden West, trazendo consigo novas localizações e ruínas por explorar. Não só encontramos novas localizações, como armas e opções de personalização que apenas conseguimos ao explorar a nova ilha. Mesmo com três novos fatos, creio que embora existam várias armaduras, parecem quase todas iguais, o que me levou a escolher apenas a que tem melhores estatísticas, ignorando o visual pois não fazia grande diferença no fim.

Jogabilidade

Encontramos um novo nível de profundidade na abordagem ao combate, com novas armas, ferramentas e habilidades que possibilitam uma maior variedade de estilos.

Para acompanhar a variedade, temos novos inimigos que aumentam também o desafio, talvez até demais para alguns jogadores. Nada temam, pois podem reduzir a dificuldade sempre que queiram no menu. Eu por um lado gostei bastante do degrau subido no desafio que me foi apresentado com as novas máquinas.

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Agora sim, com o poderio da nova geração temos batalhas que fariam a Playstation 4 descolar, principalmente a “última”. As batalhas com os bosses são particularmente emocionantes, não só em escala, como na intensidade com que somos atacados. Sendo um enorme fã da saga Souls, não pude deixar de adorar a última batalha, no entanto, as limitações face a uma batalha daquele tipo mantêm-se, e não me pareceram devidamente corrigidas no que toca à câmara e movimentação.

Audiovisual

Os visuais do jogo são claro, deslumbrantes e visualmente impressionantes, com um nível de detalhe quase ímpar seja nos ambientes, personagens ou nas criaturas. Não me canso de elogiar o mundo de Forbidden West, continua a ser o jogo mais belo desta geração, colmatado até pela limitação da Playstation 4, mas a Guerrilla não precisa de favores no que toca à excelência audiovisual.

A banda sonora de Burning Shores traz uma banda sonora contrastante com a iteração principal, que tinha uma banda sonora distribuída equitativamente. Nesta aventura secundária iremos encontrar tanto tons épicos e alucinantes como calmos e harmoniosos, o 8 e o 80. Embora calmos, não deixam de conseguir criar tensão ou drama nos duelos e diálogos.

Breviário

Burning Shores apresenta uma nova e excitante aventura para Aloy. Não só descobrimos novas paisagens e inimigos para derrotar, como acompanhamos Aloy numa viagem introspetiva que a faz repensar as decisões que tomou até agora. Com um preço mais que justo, a Guerrilla traz uma aposta de qualidade para acompanhar um dos melhores jogos de 2022.

CONCLUSÃO
Introspetivo
8.4
horizon-forbidden-west-burning-shores-analiseCulminando uma aventura incrível, a Guerrilla criou um espaço único para um desenvolvimento inédito de Aloy, levantando questões pertinentes, e que deviam estar na consciência de cada um. Uma viagem sólida em todas as categorias.