Qual é a máquina de arcada mais reconhecível do mundo? Muito possivelmente a Neo Geo MVS da SNK, e há boas razões para isso. Por norma os videojogos de arcadas tinham o seu próprio hardware, que por vezes era reciclado para outros jogos. A Neo Geo MVS usava um sistema de cartuchos com inúmeros jogos, muito parecido ao que se tinha nas consolas de casa. Isto mantendo o nível de qualidade comparativamente às restantes máquinas de arcada.

Para não falar que era facilmente identificável pelo seu logo e algumas das máquinas podiam ver-se equipadas com múltiplos jogos que a tornavam numa máquina extremamente atraente. Mas o esplendor da Neo Geo não acaba aí.

Desde os primórdios dos videojogos sempre houve adaptações dos jogos destas máquinas para as consolas de casa. Devido à diferença da qualidade dos componentes, era sempre perdida alguma informação. Falta de níveis, resoluções impróprias, gráficos e qualidade sonora reduzida são alguns dos sintomas mais comuns. Às vezes a própria jogabilidade era sacrificada, que fazia perder qualquer razão para a existência destas versões para o consumidor comum em primeiro lugar. Mas os aficionados de Neo Geo tinham disponível uma boa maneira para evitar estas situações…

Entra a Neo Geo AES! A consola de casa que tinha as mesmas capacidades da MVS, que usava um comando com joystick e botões da arcada. Originalmente era apenas uma máquina de aluguer, mas com a procura crescente, rapidamente tornou-se um produto para compra. O software entre as duas máquinas era exactamente igual, apenas os contactos do cartucho eram diferentes para controlar melhor os preços entre as versões (Mas nada que um bom adaptador não resolvesse).  Não havia mais nada assim no mercado, o que faz da Neo Geo uma das máquinas mais únicas do mercado das consolas de videojogos.

Os Fighters são o género mais comum desta plataforma com jogos como King of Fighters, Fatal Fury, Art of Fighting, Samurai Shodown, entre outros. Mas a série mais popular, nem de perto nem de longe, se encontra neste grupo. Este mês vamos falar no primeiro da fantástica série de shooters, Metal Slug.

O conflito começou quando a armada rebelde de Donald Morden, pôs em acção um grande golpe de estado contra os líderes mundiais. No seu último ataque, ele conseguiu adquirir a tecnologia por detrás de um tanque extremamente versátil chamado Metal Slug. Marco (1º Jogador) e Tarma (2º Jogador) são enviados numa missão para recuperar ou destruir os Metal Slug e travar as forças de Morden.

Em termos de mecânicas de videojogo, à primeira vista Super Vehicle-001: Metal Slug parece um shooter como qualquer um. Usas a tua arma para disparar sobre os inimigos, podes lançar um projéctil opcional na forma de granadas, apanhas upgrades para o tipo de tiro, saltas pelas plataformas… Esse tipo de coisa.

No entanto Metal Slug tem algumas características únicas que são bem-vindas. Já deves ter reparado em muitos jogos, que por alguma razão estranha, sempre que tocas num inimigo morres ou recebes dano, mas nada acontece ao bicho por ter tocado em ti. Aqui o inimigo tem de estar activamente a atacar para te matar, por exemplo não basta o soldado tocar-te, ele tem de sacar a sua navalha e só aí é que vais pelos ares. Tu podes fazer o mesmo sem gastar qualquer tipo de munição. Não te parece tudo mais justo?

Oh mas o jogo não deixa de ser mais fácil por causa disso! Oh não, estamos a falar de um jogo de arcada afinal… Aqui os teus trocos não estão seguros.

Não tão original, mas igualmente bem-vindo é o tanque Metal Slug. Um tanque saltitante com uma pistola que se pode girar a 360º graus e com um canhão frontal. Mas mais importante, consegue levar alguma pancada antes de explodir, o que facilita muito mais as coisas. O seu aspecto invulgar acompanhado com as suas animações fantásticas faz com que o tanque seja facilmente reconhecível por toda a comunidade de jogadores de videojogos.

Claro que essas características se estendem para o resto do mundo do jogo. Os ambientes de estático não têm nada, cheios de perspectivas estranhas e cheias de movimento apesar deste ser um mundo em guerra onde os seus efeitos se sentem entre a população. O exército rebelde de Morden, apesar de perigoso é extremamente cómico. Às vezes os soldados são apanhados a apanhar sol, a rir da nossa personagem quando esta perde e a ficarem aflitos quando nós voltamos ao campo de batalha.

Os bosses na sua maior parte são gigantescos e podemos ver os seus mecanismos a funcionar, animações que fazem as delícias dos fanáticos do 2D. Este é bem possívelmente o jogo com melhores gráficos usando esta perspectiva.

Claro que os bosses com tamanho normal não deixam de ser notáveis. Temos o Allen O’Neil que tem habilidades muito semelhantes a Marco e Tarma. A típica “Mirror March” mas muito mais resistente e a gozar constantemente contigo. E claro o próprio General Morden e o seu lança misseis que parece aguentar quase tudo o que lhe atiram para a cara, apesar de ser uma personagem que costuma ser alvo de chacota.

Sendo um jogo de arcada, dá jeito arrecadar o máximo de pontos possível para por o nome na tabela dos melhores jogadores. Salvamos os prisioneiros de guerra e apanhamos os itens bónus. Estes últimos passam pelo tom dramático, como cartas de amor dos soldados que matamos a coisas completamente absurdas, como um cuco que está a tentar atirar os outros ovos do ninho ou um macaco a fazer jogo de cintura.

O final também dá duas perspectivas diferentes dependendo se estiverem a jogar um ou dois jogadores. Sozinho vemos os cadáveres de todos os inimigos que matamos espalhados por todos os locais do jogo, com uma rapariga a rezar a frente da lapide de um ente querido. Acompanhados, vemos os sobreviventes a festejar o fim da guerra com Morden a vaguear pelo deserto.

Se conheces a série na sua generalidade talvez estejas a estranhar a falta de armas mais malucas, de múmias ou de zombies… Mas foi assim que Metal Slug começou, um início (ligeiramente…) mais pacato. No entanto, uma coisa é certa, já na altura dava para perceber que era o início de algo único, e este é bem possivelmente o melhor jogo do género.