Hoje venho, a título pessoal, celebrar um dia muito importante na cultura dos videojogos e a tudo o que a si está inerente. Contudo, tratando-se este “pequeno pensamento” que te deixo aqui, de teor muito pessoal, não quero de todo (e por isso escrevo já aqui) menosprezar as memórias de nenhum jogador que tenha crescido com outra consola ou empresa a essa associada. Aliás, estendo o meu convite a partilhares essas tuas memórias na caixa dos comentários abaixo.

O facto é que, hoje, a minha PlayStation 2 faz 20 anos no mercado oriental, e é tão difícil de acreditar, apesar de termos poucos anos de diferença, que essa é uma verdade a que eu já não tenho como fugir. Ainda há tempos – aninhos vá – debatia em grupo sobre a questão de a considerar já uma consola retro ou não.

Como se define se uma consola passou a ser retro? Ultrapassar a marca dos 20 anos do seu lançamento? Ser anterior a duas gerações? O salto tecnológico? É quando deixa de ser uma moda jogar os seus jogos? (E quando é que deixou de ser moda jogar jogos da PlayStation 2?) Muitos argumentos foram e vieram, pesquisas, mais debates sobre a validade dos argumentos, enfim.

 Nesse dia as opiniões não chegaram a um consenso, mas o que te digo é que ela é o que tu sentes que é para ti. 

Pois para mim esta é uma consola que teima em não envelhecer e em enganar o tempo. Teima em não deixar a minha vida para não ficar numa prateleira a apanhar pó. Para mim, esta consola foi especialmente especial, pois foi a minha única consola durante imensos anos… Mais de uma década e meia, aliás!

Lembro-me claramente do reflexo do brilho dos meus olhos no dia em que os meus pais aceitaram adquiri-la, sobre o pretexto de eu ter algo em casa para me entreter fora dos tempos de escola.  Não sei bem dizer se foi a esforço que o fizeram. Pois eu, em criança, não costumava pedir-lhes coisas, e nem tive muitos jogos aquanto disso. Gostava, sim, era de me ocupar muito a brincar com animais e de ficar nas casas dos meus avós.

Maioritariamente, todos os títulos que tenho, ia-os adquirindo a 20€ no Jumbo, na altura em que este tinha não uma prateleira, mas sim dois corredores inteiros dedicados só a videojogos. Dois corredores!! (Jumbo? O que se passou amigo? Ah perdão, estou a usar o nome retro, agora é Auchan…)

Dado que tinha essa regra de só apanhar esses jogos mais acessíveis, tive muitos bons títulos a passarem-me ao lado mas, sobretudo, sou muito grata pelos IPs com que cresci: Sly Cooper, Ratchet and Clank, Need For Speed, Crazy Taxi, XII (vai ter um remake, wohooo), True Crime, Sonic Heroes, para nomear alguns.

O meu primeiro jogo, então… É uma obra algo difícil de esquecer. Especialmente dada a carga emotiva, a violência, a escuridão temática e gráfica, e… A banda sonora que, verdadeiramente, me deixou com stress pós-traumático! Mais outro a adicionar ao ecrã vermelho, cujo som me fazia sentir como se estivesse a levitar para depois ir ao chão quando a PlayStation 2 não lia o DVD.

Eu detesto aquele jogo, Shifters da 3DO, apesar de, na altura, me ter deslumbrado com a qualidade das suas cutscenes cinematográficas. Ainda hoje, este é um título que me dá alguma comichão, pois nunca o consegui acabar, por mais experiente que me tornasse. E, passados quase 20 anos, lá vou tentar novamente mexer naquilo de vez em quando. Acho que o meu problema com este jogo foi tê-lo recebido too soon (demasiado cedo) e logo percebi a importância do sistema de classificação de conteúdos PEGI.

Mas esta companhia minha, a PlayStation 2, e eu formámos, desde então, uma dupla que nem nos tempos em que cheguei ao secundário, ou quando tirei a minha licenciatura, se separou, ou a substitui por outra. No máximo, até que crescemos e passámos a ser um trio, quando a minha gata se deitava a assistir aos meus gameplays (my first sub, yey!). E, por vezes, até cresciamos ainda muito mais, e formavamos um enorme grupo quando trazia amigos para casa e passávamos as tardes a jogar. Só muito recentemente é que a deixa fazer-se acompanhar pela Nintendo Switch.

No entanto, devido a uma aventura muito recente do mês passado (e nem de propósito) vim a constatar que, de facto, eu já não lhe consigo segurar este título (não-retro) por muito mais tempo. Depois de mais de 16 anos à espera de poder jogar um título muito específico nesta consola (o qual o Diogo Ventura te falará em breve) o choque da experiência foi algo… Impactante. E senti isto como um balde de água fria, sobretudo aos olhos do Bruno Dores, que acho que não estava preparado para a experiência nesse dia, tendo ele toda a vida jogado em consolas Nintendo.

Embora os meus olhos estejam ainda plenamente familiarizados com os grafismos desta geração de jogos, e os mesmos não me causem choque, sendo que é mesmo muito raro eu pegar na última geração e usufruir de si ao máximo (PlayStation 4 Pro, por exemplo, e jogar qualquer coisa com gráficos brutais, em 4K com HDR, numa TV enorme e tudo mais… Não de reparar que também é raro fazer análises a títulos desta) a minha mais recente experiência com a PlayStation 2 foi, no geral, uma espécie de despertar, com este jogo que esperei 16 anos por jogar.

Só o momento em que pegas no Dualshock 2, ao fim de uns meses de o deixares de parte para jogares com comandos mais modernos, e contemplas a altura e a área de contacto dos joysticks quando voltas, é como água fria para quem já se habitou a jogar com comandos mais recentes. Hoje em dia, temos comandos com uma build tão excelente que tentar voltar ao Dualshock 2 pode parecer mesmo desafiante.

Mas a verdade é que, até para aí há uns 3 anos atrás, estes ainda me acompanhavam quando jogava PC, quando decidia não jogar com rato e teclado. Até foi o Bruno Reis que, na altura, há uma meia dúzia de anos, me ajudou a ajustar os Dualshock 2 no PC para eu conseguir continuar a jogar com estes comandos. Mas, desde então, tive o meu primeiro comando Xbox, comandos Dualshock 4, Joy-con e Pro Controller, e parece que lá tive de me render aos tempos…

Verdadeiramente, esta é a consola que me acompanhou a vida inteira, e não vejo como a deixar para trás assim tão cedo. Mas 20 anos de muita evolução, muitas histórias vividas, e muitas experiências recentes nos últimos anos a escrever análises para ti, fazem-me chegar a esta conclusão chocante de que para mim, a PlayStation 2 já se tornou um pouquinho retro…

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O que até não tem nada de mal a acrescentar à nossa amizade. Pois dá-lhe, inclusive, um sabor nostálgico mais especial. É chegada a altura, portanto, de brindar à PS2, a todas as memórias que esta nos trouxe, e a mais 20 anos de aventuras!

PS2 Retro

1 Comentário

  1. Realmente é uma consola que recuso-me de considerar retro. O seu impacto continua a ser sentido, para muitos marcou a melhor geração através de um catálogo vasto cheio de jogos lendários, e foi uma das consolas introdutórias a novas tecnologias que se expandiram nas gerações seguintes. O seu contributo na indústria jamais será esquecido, não é a toa que foi a consola mais vendida da história.

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