Deixem-me começar esta análise por dizer que estou estupefacto com a Ubisoft. Numa época em que qualquer empresa ao mínimo erro é criticada, temos aqui, talvez, um dos maiores alvos de assédio por parte da comunidade gamer. E porquê? Não sei.

É surreal ainda haver quem critique a Ubisoft pela falta de qualidade nos videojogos, quando esta lança jogos para qualquer género, não olhando a prazos, e focando-se na qualidade geral dos jogos. É verdade que não são jogos épicos e revolucionários, não são jogos que vão ficar no panteão, mas são jogos onde conseguimos ver o empenho das equipas em apresentar conteúdo até mais não, independentemente de conteúdos adicionais ao jogo base.

Falo de jogos como Ghost Recon Wildlands, Child of Light, Grow Home, Rayman, The Division, Rainbow Six Siege, Far Cry, Assassin’s Creed, Beyond Good & Evil, The Crew, Steep, Watch Dogs, Trials, South Park, Splinter Cell, Mario Rabbids, ou até, para os gostos mais peculiares, Just Dance. Andamos aqui a brincar aos bonecos se me vêm dizer que a Ubisoft é tóxica para a indústria…

Perdoem-me o desabafo mas acho que muitas vezes se atiram pedras a empresas que dão um passo atrás, esquecendo os vinte passos que foram dados em frente. Ora, seguindo a tal linha de raciocínio, temos então a saga Assassin’s Creed e a sua mais recente entrada, Odyssey.

Sou fanático por história, portanto mesmo que não a vá jogar horas a fio, embarco sempre nesta saga. Apesar da desilusão que foi Unity, tenho de admitir que os últimos títulos foram bastante divertidos, e desde então não meteram a pata na poça, principalmente com este último título.

Assassin’s Creed Odyssey traz consigo a mitologia grega e todo o universo que a criou. Sabemos desde já que vai ser um mundo cheio de conteúdo, pois existe uma faixa tamanho A1 à entrada dos escritórios da Ubisoft com o lema “SPRAWLING OPEN WORLD”, logo, preparem-se para empenhar bastantes horas neste título.

Tenho a dizer que, sendo fanático por história, fiquei desiludido quando vi um espartano largar o escudo. Algo que trazia a maior desonra a qualquer guerreiro espartano, pelo que era impensável sequer na altura vermos um espartano a batalhar sem o leal escudo. Mas pior ainda, aqui não existem formações…

Outro detalhe onde vejo este videojogo pecar, é a pura venda ao mainstream, num apelo ao público feminino. Colocam uma mulher na linha da frente, numa época onde as mulheres não lutavam, e é aqui que entramos num dilema. Não tenho nada contra mulheres em videojogos, sou contra é forçar algo que não encaixa se queremos respeitar algo já existente. Creio que falta coragem a muitas equipas para inverterem esta situação, fazerem algo como a Guerrilla Games ou a Platinum Games ao apontarem os holofotes a uma personagem feminina, num mundo adequado à sua história.

Tirando estes detalhes, sejam bem-vindos/as a um mundo em que encontramos criaturas fantásticas e travamos batalhas memoráveis, rodeados pela mãe natureza no seu mais esbelto parecer.

Guiando Alexios ou Kassandra, criamos uma história única, moldada pelas nossas decisões, onde uma frase mal escolhida pode levar a um duelo até à morte, ou a uma noite romântica para repormos energias e seguirmos caminho. Tudo o que fazemos afecta o mundo de Odyssey, criando um globo maleável pelas nossas mãos, para o bem, ou para o mal.

Já sabemos que dada a magnitude do mundo, é impossível criar uma prestação gráfica imaculada. Preterindo a excelência visual, a Ubisoft oferece-nos um equilíbrio entre a imersão e a beleza construída pelas nossas expectativas. Posso dizer que melhoraram bastante as expressões faciais, contribuindo para a maneira como tomamos decisões, num estilo de L.A. Noire.

O mundo está repleto de conteúdo, sejam missões, ajudas a transeuntes, ou até mesmo uma caça ocasional para melhorarmos as armaduras. É notório que a Ubisoft foi extrair o sumo da saga Witcher para enveredar nos caminhos dos RPG. Algo bastante inteligente pois tal como em Spider-Man, notamos uma melhoria na qualidade do jogo.

Tanto em termos de missões, como na envolvência que temos com o mundo, Odyssey presta aqui uma ode a Witcher, puxando-nos para qualquer recanto da Grécia Antiga, seja uma árvore isolada de todas as outras, ou um templo com tesouros inimagináveis. A exploração é mais que essencial ao jogarmos este título, não só para melhorarmos a nossa personagem, mas também para ficarmos a conhecer o mundo que nos rodeia.

Mais uma vez aplaudo as opções de acessibilidade que nos são apresentadas, num pequeno menu, controlamos várias opções que nos facilitam o jogo. Mesmo fora desse menu, temos uma opção de jogar num estado mais natural, ou seja, no modo de exploração, onde somos reduzidos ao básico, forçando-nos a explorar para sabermos o que contém cada esquina ou arbusto.

A banda sonora escolhida traz consigo o legado da saga, com tons já bastante conhecidos, reparamos que as modificações feitas são apenas em homenagem à época, tal como Fantastic Beasts and Where to Find Them fez com o tema original de Harry Potter. Temos ainda a possibilidade de escolher a frequência com que a música toca enquanto exploramos, o que me deixou bastante agradado.

Com algo tão “básico” como um comando, é difícil inovar nos controlos, mas a Ubisoft vai tentando dar uns retoques às combinações necessárias para certas acções, o que vai renovando a experiência que temos de jogo para jogo, isto tanto pode ser bom como mau dependendo do tipo de jogador que somos.

Assassin’s Creed Odyssey já está disponível para Playstation 4, Xbox One, e na Uplay para PC. Além disso, para já somente no Japão, está disponível para Nintendo Switch através de Stream.