Os avanços na tecnologia permitem uma esperança na maneira como revemos os tempos passados, e embora a viagem no tempo não seja possível, são inúmeras as maneiras de vermos décadas de História recriadas. Entre as mais fiéis e as mais dramatizadas, talvez as mais apelativas (e, em certos aspectos, mais fiéis) pertençam à saga em destaque: Assassin’s Creed.

Assassin’s Creed é uma saga que seguiu um rumo inortodoxo. Começando com uma tetralogia de jogos que seguiam o mesmo protagonista, este rumo desferiu um destino trágico a Desmond Miles, sendo que era preciso reinventar a saga. Seguiu-se um leque de jogos que podem nem ser considerados sequelas – eu pelo menos gosto de os interpretar como extensões do universo de Assassin’s Creed, tendo cada um os seus pontos fortes.

Assassin’s Creed sempre teve um mundo característico, com espaços abertos incríveis por percorrer, fortalezas para conquistar, e pessoas (e eventuais amigos) para ajudar. Como já referi, a partir de Black Flag até Syndicate, estes jogos seguiram um caminho diferente, com Origins, Odyssey e Valhalla a perfazerem praticamente uma trilogia. Com isto quero dizer que, se não gostaram de Origins ou Odyssey (tirando o problema das inúmeras missões e tarefas), então muito provavelmente não vão gostar de Assassin’s Creed: Valhalla.

Assassin's Creed Valhalla Sucker Punch

O que muitos acreditavam ser uma aventura no Japão feudal (onde a Sucker Punch demonstrou ser campeã na recriação), acabou por se tornar numa odisseia Viking, protagonizada por Eivor. Eivor apresenta-se num formato masculino ou feminino, com a possibilidade de uma personalização mais acentuada da personagem (barba, cabelo, tatuagens, etc), tornando este o protagonista mais personalizável da saga.

Presenciamos uma série de eventos que o traumatizam em criança, eventos estes que moldam o seu rumo, tornando-se num guerreiro do clã viking Raven, liderado pelo seu irmão Sigurd. Descobrimos então que uma organização que persiste na tentativa de domínio mundial, sendo que através de uma série de assassinatos, orquestram um plano que os tornará soberanos absolutos.

Lê mais:  PlayStation | Nova Vaga de Promoções de Primavera na PlayStation Store!

Assassin's Creed Valhalla Sucker Punch

À medida que formos progredindo, é possível personalizar, e até melhorar os nossos acampamentos. Não só a Ubisoft conseguiu recuperar esta vertente, como melhorou bastante o sistema RPG do jogo. Cada habilidade conta, e importa realmente para o caminho que queremos seguir. Deixo ainda a nota de que serão devidamente recompensados por explorarem o mapa.

Uma das vertentes que atormentou Odyssey, afastando assim alguns jogadores, foi a quantidade inumerável de missões, causando um impacto negativo em pessoas como eu, que gostam de ver um mapa limpo. Em Assassin’s Creed: Valhalla este problema é atenuado, seguindo um rumo mais fixo, a Ubisoft tomou a decisão de que Eivor apenas pode completar missões mediante a área em que se encontra, algo que certamente abona a favor de Assassin’s Creed: Valhalla, tornando-o mais conciso.

Assassin's Creed Valhalla Sucker Punch

O combate reflete também a brutalidade da era, usando um estilo mais lento (não confundir com menos letal). Podemos fazer dual wield (até mesmo de escudos), e, embora o mesmo seja mais lento, cada arma tem uma sensação distinta, acabando por incentivar à mudança. Eivor está munido de um sistema de stamina, algo que puxa o jogador para o parry, sendo este da máxima importância para não acabarmos mortos.

A inteligência artificial em Valhalla acaba por não manter a qualidade dos títulos anteriores, ficando imóveis quando aparecem vários NPCs no ecrã, ou até mesmo a fazer sabe-se lá o quê, e agora sim, vamos ao que mais me espantou.

Assassin's Creed Valhalla Sucker Punch

Assassin’s Creed: Valhalla saiu com uma quantidade enorme de bugs para um jogo deste calibre. Nenhum dos bugs quebra o jogo, pelo que acabamos por conseguir desfrutar da experiência de qualquer maneira, no entanto, é surpreendente o tipo de coisas que conseguem acontecer, desde barcos a chocarem com objetos que não existem na água, ou guerreiros adversários a correr em círculos só porque sim.

Lê mais:  Dreams | Vem Sonhar na Nova Demo Já Disponível do Jogo

Já saíram pelo menos 4 patches, o que deve suavizar a experiência. De realçar que a versão da Playstation 4 possui muitos mais bugs do que as da nova geração, todavia estas últimas padecem também dos mesmo sintomas.

Assassin's Creed Valhalla Sucker Punch

Em Assassin’s Creed: Valhalla temos a possibilidade de fazer raids a acampamentos ou fortalezas inimigas, sendo estas a solo ou com os nossos aliados. Estes ataques oferecem uma descarga de adrenalina brutal, transformando o jogo num banho de sangue que só termina quando apenas uma das facções se mantiver de pé.

Uma excelente melhoria em Valhalla são os chamados World Events. À medida que explorarmos o mundo, iremos encontrar algumas personagens inortodoxas, umas mais cómicas, outras mais melancólicas, criando assim um conjunto de eventos que acrescentam vida ao mundo.

Assassin's Creed Valhalla Sucker Punch

Assassin’s Creed: Valhalla diferencia-se dos visuais esbeltos e cinemáticos de Origins e Odyssey, apresentando cenários frios e, por vezes, até mesmo assustadores. Claro que temos certas localizações mais verdes, mas acaba por optar por uma palette mais realista e menos fantasiosa.

Um dos pontos fortes de Valhalla é o áudio, e quando em áudio, falo nos efeitos, nas vozes (especialmente a de Eivor masculino, sendo esta uma prestação sensacional) ou até mesmo a banda sonora. À medida que formos deambulando, seja a pé ou de barco, somos assoberbados por um conjunto de sons que nos imergem no jogo, algo que não estava tão vincado nos títulos anteriores.

Deixa uma resposta

Por favor deixa aqui o teu comentário
Por favor deixa aqui o teu nome

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.